quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 – 21h15

Centro é berço de crescimento econômico e geográfico da capital

Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
O conjunto arquitetônico da praça Dom Pedro II e da Catedral Metropolitana, no bairro do Centro, é o local de origem da cidade de Maceió Foto: Lula Castello Branco / Agência NC

Quando o fundador – de nome desconhecido – trafegou com seus gados até o sopé do monte e instalou seu engenho onde hoje se encontra a praça Dom Pedro II, não poderia imaginar que seria responsável pelo surgimento de Maceió. É o bairro do Centro, o local de início da cidade. E este espaço fundante tem feições mercantis desde a comercialização do açúcar pelo porto de Jaraguá aos procedimentos de compra e venda em burgos comerciais.

Do passado rural, no século XVIII, em plantações e moagem de cana, o Centro foi palco de transformação lenta e contínua que levou não só ao surgimento da vila como também à urbanização atrelada ao crescimento geográfico e comercial. É vocação do bairro, ser território de relações mercantis, sina esta que se mantém até hoje como lugar onde se concentra o maior número de lojas e serviços em Alagoas. Sua área de 1.58 km² é, sobretudo, um espaço dedicado ao trabalho.

Segundo dados do Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento de Alagoas, no ano de 2022, em relatório encomendado pela Aliança Comercial de Maceió, dos 4.472 empreendimentos, 75,74% são de micro e pequenas empresas, responsáveis por 14% do Produto Interno Bruto (PIB) de Maceió. Apenas estes dois tipos de negócio geram mais de 27 mil vagas de emprego. Entre os frequentadores do bairro, aproximadamente 99% deles estão a trabalho, ou em busca das ofertas de comércio e serviço.

Foto histórica do Centro de Maceió, na década de 1960, pelas lentes de Roberto Stuckert

Já no século XIX, o povoado tornou-se empório comercial, desenvolveu-se e adquiriu novas feições. A população rural foi suplantada pela classe dos comerciantes, e as trocas agrícolas e comerciais de açúcar, algodão, fumo, cereais, madeira, couro e farinha de mandioca contribuíram para o desenvolvimento local. A facilidade de acesso ao porto de Jaraguá, sem maiores despesas e com menor exploração do fisco, atraiu mais negociantes e fez crescer o lugar com povoamento e construções de prédios e vias.

Fundado às margens do riacho Maçayó, ao pé do monte, o engenho e a sua produção açucareira, em vigor até o século XVIII, com a capela de São Gonçalo acima, mais tarde consagrada à Nossa Senhora dos Prazeres e hoje Catedral Metropolitana, é a pedra fundamental da cidade. Os pântanos, a restinga, aterrados posteriormente, levavam ao porto por meio do tapamento do alagadiço, o Maceió. O bairro cresceu, tornou-se berço econômico e cultural – agora tombado -, com prédios históricos, espalhados por suas ruas, para, dia após dia, reacender na memória do povo maceioense as origens de sua cidade.

Berço de Maceió, imagem da antiga matriz, com as casas da vila, sem o engenho de açúcar. Em 1850, um pouco mais à frente dela, começou a ser construída, a atual Catedral Metropolitana. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (vol. 1)

Fonte: Costa, Craveiro. Maceió. 2º ed. Maceió: Sergasa,1981.

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