Quando o fundador – de nome desconhecido – trafegou com seus gados até o sopé do monte e instalou seu engenho onde hoje se encontra a praça Dom Pedro II, não poderia imaginar que seria responsável pelo surgimento de Maceió. É o bairro do Centro, o local de início da cidade. E este espaço fundante tem feições mercantis desde a comercialização do açúcar pelo porto de Jaraguá aos procedimentos de compra e venda em burgos comerciais.
Do passado rural, no século XVIII, em plantações e moagem de cana, o Centro foi palco de transformação lenta e contínua que levou não só ao surgimento da vila como também à urbanização atrelada ao crescimento geográfico e comercial. É vocação do bairro, ser território de relações mercantis, sina esta que se mantém até hoje como lugar onde se concentra o maior número de lojas e serviços em Alagoas. Sua área de 1.58 km² é, sobretudo, um espaço dedicado ao trabalho.
Segundo dados do Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento de Alagoas, no ano de 2022, em relatório encomendado pela Aliança Comercial de Maceió, dos 4.472 empreendimentos, 75,74% são de micro e pequenas empresas, responsáveis por 14% do Produto Interno Bruto (PIB) de Maceió. Apenas estes dois tipos de negócio geram mais de 27 mil vagas de emprego. Entre os frequentadores do bairro, aproximadamente 99% deles estão a trabalho, ou em busca das ofertas de comércio e serviço.

Já no século XIX, o povoado tornou-se empório comercial, desenvolveu-se e adquiriu novas feições. A população rural foi suplantada pela classe dos comerciantes, e as trocas agrícolas e comerciais de açúcar, algodão, fumo, cereais, madeira, couro e farinha de mandioca contribuíram para o desenvolvimento local. A facilidade de acesso ao porto de Jaraguá, sem maiores despesas e com menor exploração do fisco, atraiu mais negociantes e fez crescer o lugar com povoamento e construções de prédios e vias.
Fundado às margens do riacho Maçayó, ao pé do monte, o engenho e a sua produção açucareira, em vigor até o século XVIII, com a capela de São Gonçalo acima, mais tarde consagrada à Nossa Senhora dos Prazeres e hoje Catedral Metropolitana, é a pedra fundamental da cidade. Os pântanos, a restinga, aterrados posteriormente, levavam ao porto por meio do tapamento do alagadiço, o Maceió. O bairro cresceu, tornou-se berço econômico e cultural – agora tombado -, com prédios históricos, espalhados por suas ruas, para, dia após dia, reacender na memória do povo maceioense as origens de sua cidade.

Fonte: Costa, Craveiro. Maceió. 2º ed. Maceió: Sergasa,1981.





























