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quinta-feira, 20 de junho de 2024 – 17h12

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NOVAMENTE ESTAMOS NA ESTRADA

*Em nossa existência, tão importante quanto a experiência, deverá ser a oportunidade e a liberdade de produzir mudanças valiosas, aprendi isso enquanto era um professor dedicado da faculdade de arquitetura e urbanismo, desfrutando das minhas aulas.

Serra Verde, orvalhada pela neblina, essa composição remete ao grande pernambucano Alceu Valença cantando Espelho Cristalino, “olho d’água sangrando numa fonte”; no intuito de atender a arquitetura nossa de cada dia, nos deslocamos para dentro de nossa Alagoas e do vizinho Pernambuco, estamos de folga de alguns afazeres e em ebulição em outros compromissos: talvez seja o “descansar enquanto se carrega pedras”. É impressionante como uma coisa chama outra e em nossa memória lateja, a frase do luminar Roberto Burle Marx, maior paisagista moderno do Brasil, já desaparecido. Burle Marx anotou entre tantas falas: “As estradas do Brasil devem ser atentamente cuidadas, são elas que revelam ao viajante atento, toda a beleza e diversidade natural do nosso imenso país”.

Pingos de chuvisco sobre o parabrisas nos trazem o misto da comoção com o alerta para com o redobrar de cuidados na auto estrada.
Também aprendi com os de Pernambuco, no verão, às praias; no inverno, às serras.
Antes mesmo, Alagoas e Pernambuco já foi uma coisa só. Só dos Caetés, depois do Coelho donatário em capitania. A terra massapê que forjou nossa carne mestiçada, castiça. E o sangue adoçado pela cana. Caiana, Fita, entre tantas, uma mais bonita e outras em ondulantes e verdes canaviais. A paisagem é agora outra, fruto das ações antrópicas.

Estamos indo para adiante em molhado outono, para o inverno, menos de um mês.

Em relação a menção de inverno, as festas joaninas fornecem as expectativas sob a tônica do milho de experienciar, as alegrias advindas da musicalidade e festejos desta época tão cara ao povo nordestino. As perspectivas do comércio, hotelaria e serviços se voltam para atender com presteza essa demanda celebrada.

O enfoque na paisagem não é apenas deleite para o olhar, senão para todos os sentidos na complementaridade que pede o corpo e o espírito. Somos parte integrante e parte integrada ao natural.

Anda o serviço a contento, as nuances nos encontram coordenadas, pessoas colaborativas se agregam ao objetivo coletivo.
Cenários reconfortantes avançam para o sombreado meio dia.
Atentemos para os pormenores, assim como para a relação com o todo.

“Deus, habita nos detalhes”. Mies Van Der Rohe.

A estrada nos chama: é chegada a hora de voltar.

De voltar.

De voltar.

Então, as paralelas e os pneus nas linhas das ruas, são duas, estradas nuas e que nos remetem ao cearense Belchior.

Sucessivas cores dançam harmonicamente sob a luz do entardecer.

O mundo de meu Deus é a perfeita harmonia das cores e o louvado perfume das flores.

De modo que somos brindados com a alvissareira lua cheia!
E novamente voltamos ao Alceu Valença: “Olhei para Lua e me lembrei de Gonzaga”.

E as luzes da cidade nos avisam que chegamos.

Reflitam, caríssimos e atentos urbaNAUTAS, o território também se conhece e se domina pelo salutar e necessário deslocamento. O artista tem que ir e vir. Somos todos artistas, artífices de nós mesmos e de todos que estão ao nosso redor. Fazer ser feito. Assim seja.

Maceió, Das Alagoas,
terça feira, 28 de maio de 2024

Ensaio dedicado
as boas ideias.

Fotos: RCF
Texto: RCF

10 respostas

  1. Da escritora Milena Maria, recebi via whatsapp, o estímulo:

    “Bom dia! Ficou ótimo! 👏👏👏🌻”

    Obrigado, caríssima!!!!

  2. Recebo com alegria, as falas via whatsapp, do amigo Fred Holanda:

    “[28/5 16:47] Fred Holanda: Muito bom,meu irmão!
    [28/5 ] F H: Gosto muito de vez em quando sair de Maceió e me aventurar em Pernambuco
    [28/5 16:47] F H: Principalmente,Arcoverde e Recife
    [28/5] F H: Belas imagens
    [28/5] F H: Grande abraço”

    Meus agradecimentos e forte abraço

  3. O que seria dos autores, dos poetas, dos artistas, dos amantes em geral se não fossem as metáforas, que sem graça seria os textos, os poemas as conversas e as viagens,” se é que vc me entende”, se elas não existissem. Valeu por nós fazer sonhar, digo viajar junto a você, enquanto carregamos pedras. Grande abraço

    1. Sim! Certamente essas elaboradas falas, claramente recolhidas por todos nós, nos impulsionam em sonhos e realizações. Obrigado por estar junto nesse deslocar. Boas vindas ao comentário preciso e precioso. Vamos juntos!

  4. Deus no comando, sempre!
    Saudações Eduardo Rocha!
    Nessa época joanina, a musicalidade, a gastronomia e o friozinho nos dão régua e compasso. E na toada, nos façamos cautelosos e cientes do bom desfrute. Abraço e agradecimentos.

  5. “Descansar carregando pedras”… metáfora bem aplicada ao nosso colunista, que com sua mente prodigiosa não encontra o merecido descanso. Enquanto o corpo o procura, seu cérebro não pára de trabalhar… de ir e vir… essa é a nossa labuta da vida. Enquanto tivermos saúde e fôlego, será o natural. Até que enfim um pouco de água, vinda do Criador, amenizando o calor, que deteriora nossa paciência e bem estar. Quem dera pudesse assim ficar, por mais um pouco de tempo… nos aguçando os sentidos, ativando em nossa mente o modo “atenção” … nas estradas… estradas da existência, que com todo cuidado precisamos percorrer. Agora é comer um milho assado ou talvez uma canjica. Nos dias mais frios de um inverno chegando… delícias da natureza. São João está aí…momento agradável da estação chuvosa. Nada mudou… é a rotina de todos os anos…desde o princípio dos tempos. DEUS no comando🙌🙌. Bem vindo de volta ao trabalho RCF.

    1. O Nobre amigo é exímio em incentivar, agradeço pelas palavras atenciosas, retrucadas em vossa direção com afinado apreço. Obrigado.

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