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terça-feira, 28 de maio de 2024 – 14h48

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Operação Joapy transfere 25 presos brasileiros do Paraguai para o Brasil

A recente repatriação de 25 presidiários brasileiros do Paraguai teve início depois que a Polícia Federal do Brasil, em 2023, pediu ao país vizinho que identificasse os prisioneiros brasileiros detidos em seu território.
Foto: Divulgação/GovernodoParaguai
Presos foram enviados ao Brasil na Operação Joapy Foto: Divulgação/GovernodoParaguai

A recente transferência de 25 presidiários brasileiros do Paraguai para o Brasil teve início depois que a Polícia Federal, em 2023, pediu ao país vizinho que identificasse os prisioneiros brasileiros detidos em seu território. Ao todo, foram detectados 300 presos, muitos deles procurados pela Justiça brasileira. Os 25 selecionados, considerados como os mais perigosos, foram transferidos pela Operação Joapy, na quinta-feira (4). Não foi divulgado para quais presídios do país os detentos foram enviados.

Esse assunto de segurança internacional ganhou corpo quando, em 2020, 75 prisioneiros, ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), escaparam por um túnel cavado, em apenas três semanas, na Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Dentre os que fugiram, 40 deles eram brasileiros. A cidade de Pedro Juan Caballero faz fronteira seca, de apenas 3 km, com o município de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, numa estreita faixa de terra que separa o Brasil do Paraguai.

O Paraguai tem sido, por anos, conhecido pela pirataria de produtos, sobretudo, cigarros, e pela larga produção de maconha prensada, que abastece parte do Brasil. Mas há na fronteira uma forte rotina de atividades criminais, um dilema crônico entre os dois países que, somado ao tráfico de cocaína e de armas, fortalecem a presença do narcotráfico e, consequentemente, de organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho (CV). 

Segundo o Índice Global de Crime Organizado, em estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado em 2021, o Paraguai, apesar de se encontrar abaixo dos 15 países com piores índices no ranking de criminalidade e delinquência organizada, já havia se tornado um centro de facções criminosas. Em 2023, apenas dois anos depois da última estatística, saltou para a 4ª posição, entre os 193 membros da ONU incluídos no estudo, ficando atrás apenas de Colômbia, México e Mianmar, atual líder.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirma querer mudar essa situação. “Tudo em busca de um Paraguai mais seguro para nossas famílias.” Funcionários do governo dizem que o objetivo é “recuperar as penitenciárias, atualmente dominadas por organizações criminosas”, especialmente o Primeiro Comando da Capital. O Paraguai é o maior produtor de maconha da América do Sul e passou a ser um dos principais distribuidores de cocaína, apesar de não produzi-la.

Segundo Carolina Sampó, doutora e pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), o Paraguai “sempre foi um espaço territorial complexo no que diz respeito à criminalidade. A primeira questão é a quantidade e a qualidade da produção de maconha na região de Pedro Juan Caballero, 7 mil hectares de maconha por ano, e como essa produção deu origem a graves conflitos entre diferentes organizações criminosas brasileiras e clãs locais”, explicou.

O complexo hídrico formado pelo rios Paraná e Paraguai, com extensão de 3.442 quilômetros e ramificações na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, para termos uma ideia, separa em apenas uma hora, de barco, a cidade de Saltos del Guaira, no norte do Paraguai, do estado de São Paulo, que tem 45 milhões de habitantes. “É muito fácil traficar por essa via”, diz o pesquisador paraguaio, Juan A. Martens, da Universidade Nacional de Pilar e do Instituto de Estudos Comparados em Ciências Penais e Sociais (Inecip), do Paraguai. 

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