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quinta-feira, 20 de junho de 2024 – 16h05

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Os drones estão à solta para vasculhar regiões, espionar vidas e até bombardear cidades

Silenciosos e rasteiros, são estratégicos em operações policiais e militares, e ferramenta de trabalho para muita gente
Peritos criminais de Alagoas - Foto: CanalCienciasCriminais

Capazes de fornecer informações em tempo real e monitorar áreas de difícil acesso, os drones têm destaque promissor. Pequena aeronave sem tripulantes, operado ou pilotado por um ser humano, à longa distância, por meio de controle remoto, podendo carregar carga letal ou não, foram criados e desenvolvidos para uso militar. Depois tornaram-se acessíveis à sociedade civil para exploração comercial e aprimoramento tecnológico. 

Com o avanço da tecnologia e a miniaturização de componentes, a partir dos anos 1990, houve uma exploração em outras áreas, sobretudo na segurança pública. Esses dispositivos oferecem perspectiva aérea e cobertura mais ampla das áreas de risco, o que permite uma avaliação mais precisa e imediata da situação analisada.

A capacidade de fornecimento de informações precisas em tempo real dá resultados cruciais no planejamento estratégico de operações, como na prisão da quadrilha que roubava trilhos, em Alagoas, noticiado pelo NC, em 16 de maio deste ano. Policiais que passavam pelo local, desconfiados, utilizaram um drone para confirmar que se tratava de um crime, antes de iniciar a ação.

A fiscalização de operações de drones é feita pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), junto a órgãos de segurança pública. Quem opera os equipamentos de forma irregular poderá responder nas esferas administrativa, cível e penal. Todas as aeronaves deverão ser cadastradas na Anac, independentemente de o uso ser comercial ou recreativo.

Regiões de difícil acesso – Foto: GovernodeSãoPaulo

Equipamento essencial em operações de salvamento, pois localiza pessoas em áreas de difícil acesso para a mobilidade de equipes terrestres. O sobrevoo de extensas áreas e a capacidade de capturar imagens em alta resolução, podendo voar a centímetros do chão ou a dezenas de metros de altura, permite uma resposta rápida e assertiva diante de situações emergenciais. 

Ao que se conhece, o primeiro uso de aeronaves não tripuladas aconteceu em agosto de 1849. O exército austríaco, numa tentativa de ataque à cidade de Veneza, na Itália, enviou 200 balões carregados de explosivos temporizados, porém, guiados à mercê da ação dos ventos. Houve uma total imprecisão nos alvos da ofensiva.

Algumas das finalidades militares dos drones são as de vasculhar e angariar informações, fornecer treinamentos, reconhecer terrenos, suportar meios de ataques, espionar e atuar como mensageiro. Com as alterações dos modelos e a constante modernização de recursos, os drones se popularizaram e se tornaram supervalorizados. Durante o início deste século, aconteceu o “boom” da utilização da nova ferramenta.

Drone lançando material bélico – Foto: ChrisO/RevistaForçaAérea

Na Rússia ou em regiões ucranianas controladas pela Rússia, por exemplo, só neste ano, já foram lançados mais de 160 ataques aéreos e mais de uma dúzia de ataques pelo mar, com dispositivos não tripulados. O investimento em drones é mais barato do que outras armas, como mísseis. Mesmo no caso dos drones kamikaze, chamados de “munição vagante”, em vários modelos, inclusive caseiros.

Hoje, no mercado de trabalho, há campos para filmagem e fotografia, no segmento cinematográfico e jornalístico, em coberturas de casamentos, eventos gerais e ocasionais, em mapeamento, segurança, monitoramento, agricultura, pesquisas científicas, serviço de delivery e até para os novos influencers das mídias sociais.

Diante da constante transformação tecnológica, em que as forças de segurança precisam se adaptar às novas demandas, para se ter meios mais eficazes, de  lidar com os desafios urbanos e rurais, revisitar Foucault, em “Vigiar e Punir: nascimento da prisão”, na concepção que fundamenta o poder de vigilância do Estado, seriam os drones os novos panópticos?

Placa indicando proibição de uso de drone no local – Foto: MartinSanchez/Unsplash

“De repente vi em meu quintal um zunido, observei e vi que era um drone rondando a área. No dia seguinte, novamente. Daí peguei minha petaca [estilingue] e umas ximbras [bolas de gude] e no mesmo horário do outro dia fiquei na espreita, e ele apareceu, suave, passou mais rápido, mas quando voltou passou mais pertinho, fiz mira com minha peteca e de primeira o derrubei no chão”. Relata Railton Jr., morador de Ipioca, indignado por estar sendo bisbilhotado “por sabe-se lá quem”.

Tornou-se um recurso valioso para as mais diversas operações, uma ferramenta de monitoramento em segurança pública, de perspectivas de trabalhos, como instrumento bélico, enfim, é um tema de suma importância na contemporaneidade, considerando as questões éticas, legais e operacionais de suas funções e capacidades.

Fonte: revista ft

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