domingo, 8 de fevereiro de 2026 – 19h41

Interação entre bibliotecas públicas alagoanas fortalece espaços de memória no estado

Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de Alagoas cadastra bibliotecas municipais e capacita gestores à frente dos equipamentos
Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
Mira Dantas está à frente do Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de Alagoas desde 2016

O Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de Alagoas mantém o cadastro das bibliotecas públicas municipais. O levantamento é realizado a cada dois anos. Segundo o último cadastramento feito em 2022, são 45 bibliotecas municipais existentes em Alagoas. A iniciativa fortalece a interação entre os espaços de memória e reaviva a importância das bibliotecas como repositório cultural das histórias de um povo.

Mira Dantas, bibliotecária de formação, supervisora da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos e coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Alagoas, desde 2016, e do Sistema Alagoano de Museus em 2023, explicou o processo. “Incentivamos e sensibilizamos a importância de estarem cadastrados no nosso sistema para que a gente possa ter um contato mais próximo e eles próprios possam conhecer outros equipamentos. Fazemos um movimento grande para que, quem já é cadastrado, faça atualizações. Precisamos saber como está o acervo. Se cresceu ou se diminuiu. Se não tinha computador e se agora tem. Se há internet no local. Tudo isso é importante”, esclareceu.

Além do cadastramento, a equipe técnica da Biblioteca Estadual realiza visitas aos equipamentos municipais e promove encontros e capacitações com os gestores das bibliotecas públicas. O VII Encontro Regional de Bibliotecas Públicas e o III Encontro Regional de Museus serão realizados na região Serrana dos Quilombos, no município de União dos Palmares, na sexta-feira (28).

“Realizamos essas ações para que essas pessoas, independente se são bibliotecários ou profissionais da biblioteca, entendam o espaço do qual eles estão à frente, tornando esse espaço vivo, dinâmico, importante na cidade onde ele está localizado, para que a gestão possa ver o pulsar desse equipamento e sentir que é necessário mantê-lo. É o que faço, aqui, na biblioteca do estado. É fazê-la pulsar, viver, é fazer com que ela seja verdadeiramente um organismo vivo, importante para o estado”, ressaltou Mira Dantas.

Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos foi fundada em junho de 1865, no antigo Palacete Barão de Jaraguá, localizado no histórico bairro do Centro de Maceió

A supervisora da Biblioteca Estadual ponderou também sobre a importância de se ter profissionais da área de biblioteconomia na gestão das bibliotecas municipais. Das 45 bibliotecas públicas municipais cadastradas, só cinco delas têm um bibliotecário à frente do equipamento.

“Um grande problema do nosso estado é a falta de profissionais da área, trabalhando no local onde se tem de estar. Nas bibliotecas municipais em todo o estado, até onde eu sei, pelo cadastro que a gente obtém dessas bibliotecas, apenas cinco bibliotecas têm bibliotecários. As demais são geridas por professores ou outros profissionais. Por mais que estas pessoas amem a literatura, sejam militantes da leitura, pode haver uma deficiência na gestão daquele espaço, porque é um espaço para ser gerido por bibliotecários, assim como nos museus. Os museus devem ser geridos por museólogos”, assinalou.

Museus em Alagoas

Segundo o levantamento realizado em 2023 pela Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos acerca dos museus públicos municipais, o estado de Alagoas conta com 47 equipamentos destinados a manter viva a memória cultural da população. Mira Dantas, à frente do Sistema Alagoano de Museus, explicitou a importância dos equipamentos para a manutenção da história.

 “Tanto no suporte livro como no suporte objeto há histórias retidas, guardadas, contadas, que precisam ser passadas, vividas. O livro nada mais é que uma pessoa que decidiu, de alguma forma, escrever, ou sobre si, ou sobre algo que ache importante. Os objetos também são pessoas. Contam uma história de vida, contam a nossa história, a nossa identidade. E cada museu tem as suas especificidades, uns trabalham mais a questão arqueológica, outros, a questão histórica, ou de algo importante no município. Mesmo com essas especificidades, cada objeto ali vai nos levar há tempos que nos trazem a memória que ali está guardada e que a gente pode revisitar”, arrematou.

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