sexta-feira, 26 de junho de 2026 – 16h12

Carnaval no comércio de Maceió: o corso, o desfile e o rei momo Sanduarte

Folhetim
Foto: Reprodução/Internet

E chegou o Sábado de Zé Pereira! A abertura do Carnaval acontecia no centro da cidade, no comércio de Maceió. Oficialmente o carnaval começa no domingo; o sábado é marcado pelos desfiles das agremiações carnavalescas (blocos, escolas de samba, troças, blocos de sujo e caboclinhos). É o início dos festejos, a solene entrega das chaves da cidade ao rei momo, que será o comandante dos três dias de folia.

Lembro bem do nome Sanduarte, um gordinho bonachão, simpático e animado que tinha de desfilar todos os dias em clubes, praças e lugares onde a folia acontecia. “Na realidade Sandoval Wanderley, o Sanduarte, artista plástico responsável por criar alegorias, decorações e adereços para o carnaval e outras festividades em Alagoas, tinha um atelier ‘Sanduarte’, que era seu espaço de trabalho criativo”. Nome sempre lembrado pelos amantes do carnaval, foi homenageado pelo bloco Filhinhos da Mamãe no desfile de 2016.

Os carnavais do comércio eram uma verdadeira animação e movimentavam toda a cidade, que se aglomerava nas calçadas de suas ruas estreitas, esperando a passagem de blocos, escolas de samba e caboclinhos, tendo à frente o famoso “Tarzan” (figura conhecida por seu porte físico). Ele vinha à frente dos caboclinhos, com sua fantasia de cacique indígena, seguido pelos participantes fazendo passo marcado pelo barulho, bem peculiar e único das flechas nos arcos. Eu amava ver aqueles brincantes vestidos de índios e índias dançando, queria ser um deles!

Papai, como bom folião e entusiasta da folia, não nos deixava faltar confete e serpentina. A animação fervilhava pelas ruas do Comércio, do Sol, Beco de São José e do Moeda, com o corso. Quem tinha jipe, caminhonete, rural, kombi enfeitava, ia para as ruas e ficavam dando voltas pelo circuito da folia (tempos de gasolina barata). O pessoal nas caçadas ajudava a animar, com chuvas de confete e serpentina. Adolescente, ainda participei de um ou dois corsos na kombi do querido e inesquecível Bel, o Abelardo Barbosa.

Na abertura, as escolas de samba se apresentavam, e a expectativa era grande para ver a escola preferida, ou aquela que vinha do bairro onde se morava: Jangadeiros Alagoanos (Pajuçara), 13 de Maio (Jacintinho), Unidos do Poço (Poço). Reconhecer seu vizinho, colega da rua ou escola, o padeiro, o vendedor de verdura, a dona da quitanda, a mulher do cara que consertava sofá… era interessante e surpreendente ver o lado folião de pessoas, que você não imaginava e faziam parte do seu dia a dia.

Bons tempos, apesar da correria. Papai tinha de preparar o Veterano (clube do bairro) para o baile de abertura do carnaval. Passava o dia inteiro verificando se as mesas estavam limpas, se a bebida estava gelada, se o salão estava decorado e limpo. Mamãe, muitas vezes, estava terminando nossas fantasias e ainda preocupada com o jantar dos músicos, que tocariam no baile. Sempre sobrava para ela fazer a refeição, que seria servida no intervalo da festa.

Minha irmã, Suely, já podia ir ao baile, acompanhada dos pais. E eu ia dormir na espera da folia do domingo, mela-mela com o pessoal na praça, correr atrás dos bois de carnaval, esperar os La Ursos, que poderiam aparecer, fazer guerra de lança-água e chegar em casa encharcada. Lembranças de bons tempos de uma folia que, até hoje, dentro de uma nova realidade, tentamos manter e passar, agora para os netos: o amor pelo carnaval!

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