sexta-feira, 31 de julho de 2026 – 17h12

O Gramado da Pajuçara

Histórias do Velho Capita
Foto: Reprodução/RestauradaPor_Gemini-IA

A Organização Mundial da Saúde – OMS – tem como parâmetro o mínimo de 12,00 m² de área verde por habitante para que uma cidade seja razoavelmente oxigenada, ventilada, boa qualidade de vida. No Brasil existem cidades com 50,00 m² de área verde por habitante, como Curitiba, e a nordestina João Pessoa é recordista nacional com 60,00 m².

Maceió carece de muitas praças, parques e jardins; nossas áreas verdes não alcançam o raquítico número 6,00 (seis) m² por habitante. Ainda bem que temos o mar e a brisa para amenizar, Maceió seria um inferno de quente e abafado.

Tudo na vida tem uma causa. Aqui nessa nossa bendita e linda cidade de Nossa Senhora dos Prazeres, os governantes têm a mania criminosa de doar áreas do município para entidades e até para particulares, diminuindo nossa área verde, área pública, pulmão da cidade.

Numa rápida lembrança cito: a Praça Napoleão Goulart que o Clube Fênix, o clube mais rico do Estado, anexou a seu patrimônio. A Praça 13 de Maio, local de encontro da comunidade do Poço, marco de várias gerações, foi doada ao Sesc para construir sua sede. No loteamento da Avenida João Davino, uma bela e enorme área verde foi doada ao Clube dos Sargentos, onde construíram sua sede. 

É preciso fazer um esforço para aumentar essas áreas verdes, plantando mais árvores nas ruas, cuidando melhor das praças e jardins; assim Maceió será além da mais bela, a mais gostosa e fresca capital do Nordeste, basta atingir esse índice mínimo de 12,00 m² por habitante.

Domingo passado, comendo meu imperdível acarajé no Alagoinha, encontrei duas amigas da velha guarda. A conversa foi a lembrança do bucólico e saudoso Gramado da Pajuçara, deu-me uma dor no coração, até de indignação, hoje, aquela aprazível e bonita área foi tomada por um enorme posto de gasolina. Quem deu nosso pedaço de juventude? Quem derrubou nosso munguzá?

O Gramado da Pajuçara, no início da Rua Jangadeiros Alagoanos, era uma belíssima e gostosa área verde, toda gramada, arborizada, onde a juventude dos anos 60/70 jogava voleibol, conversava, cantava e principalmente era o ponto de encontro das paqueras, dos namoros. Célebres amores dessa terra começaram no Gramado.

Embora eu morasse na Avenida da Paz, dava incursões pelo Gramado, amava passar as tardes, as noites, paquerando ou mesmo jogando naquele bucólico tapete verde feito de grama macia, onde nas noites de Lua deitávamos olhando para o céu e a própria Lua, ao som de um violão, curtindo uma bonita serenata. Do gramado, às vezes, partíamos para as jangadas no mar, rumo às, ainda desconhecidas, piscinas naturais da Pajuçara. Onde o mar beija as areias com mais alma e mais amor, como diria o poeta Aldemar Paiva.

Uma amiga com sua brilhante memória lembrou uma paródia da música carnavalesca, EVOCAÇÃO, composta pelas belas meninas (Vânia Papini), assíduas frequentadoras do Gramado, a gente assim cantava:

“Felipe, Pedro Rolete, Guilherme, Moacir, Cadê Fernando Totó? Cadê Carlinhos? Mário Jorge? Carlos Cunha? Faixa Branca?
Dos assaltos saudosos…
Na alta madrugada partiam do Gramado pras farras desatinados.
E era um sucesso… das férias ideais, na Terra dos Marechais.
Adeus, adeus, minha gente, que já brincamos bastante,
As férias terminaram, as aulas começaram,
E muita gente está distante…”

Gramado da Pajuçara, marco cultural, social, encantamento dos amores da nossa geração. Ponto de encontro, de lazer, de uma juventude que não morreu, que ainda vive em nossos corações e mentes dos que ainda têm capacidade de amar. Hoje, o bucólico gramado virou Posto de Gasolina É de fazer chorar, e como dói!

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