A ofensiva contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional ganhou uma nova dimensão na terça-feira (22). Em reunião paralela à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o Escudo das Américas (Shield of the Americas) anunciou uma ação conjunta contra 24 organizações criminosas, denominadas narcoterroristas. Entre elas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
A reunião contou com a participação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que se reuniu com chefes de nações e ministros das Relações Exteriores, dos países integrantes da coalizão. O Escudo das Américas foi lançado em março de 2026, em Miami, por iniciativa do governo de Donald Trump.
A decisão conjunta foi divulgada por 15 nações. São elas: Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O Brasil não está entre os países que emitiram a declaração conjunta. O México também não aderiu. A iniciativa cria uma situação peculiar, especialmente porque o PCC e o CV têm origem e forte presença no país. Nações vizinhas ao Brasil passam a coordenar, entre si, medidas contra essas organizações criminosas, que atuam dentro e fora do território brasileiro.
Mas como o país não integra o Escudo das Américas, ativos ou integrantes dos dois grupos não ficam sujeitos às medidas, determinadas pela coalização, no que concerne às suas ações dentro do Brasil. O PCC e o CV entraram na lista por decisão do Departamento de Estado norte-americano.
A posição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não participar da coalização está sustentada no argumento de que o combate ao crime organizado pode contar com cooperação internacional, mas não deve abrir mão da soberania e do controle brasileiro, sobre seu território e suas instituições.
No entanto, a própria declaração afirma que as medidas serão adotadas “em conformidade com as respectivas obrigações jurídicas internacionais e nacionais” dos países. Ou seja, cada governo continua sujeito à sua legislação interna. A declaração não transfere automaticamente poder de polícia, de justiça ou controle territorial aos Estados Unidos.
O ponto de tensão está na coordenação, que pode aproximar as políticas de segurança dos países participantes das prioridades de Washington. Os três pilares do Escudo das Américas são cooperação, segurança e coordenação multilateral. O grupo pretende compartilhar inteligência, coordenar ações contra organizações criminosas e adotar medidas financeiras e migratórias.
Na declaração de ontem, foram listados grandes cartéis mexicanos, grupos armados colombianos, organizações criminosas norte-americanas e caribenhas, e as duas das maiores facções criminosas brasileiras.
Entre as 24 organizações, estão Mara Salvatrucha (MS-13), Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), Clan del Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN), dissidências das FARC e Sendero Luminoso. Todas possuem, ou tiveram atuação transnacional.
O próximo teste da coalizão será transformar a declaração política em medidas efetivas. Entre elas, eventual convocação do mecanismo de consulta da Organização dos Estados Americanos (OEA), previsto no Tratado do Rio.




























