A polêmica morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, em 9 de agosto de 2025, teve desfecho na Justiça de Alagoas. Cláudia havia sido internada na comunidade terapêutica, Clínica de Reabilitação Luz e Vida, em Marechal Deodoro, por um ano e três meses, devido à dependência alcoólica.
A justiça recebeu denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL) e tornou réus os investigados. Segundo a decisão, há indícios suficientes de autoria e materialidade, com descrição detalhada das condutas, o que levou à abertura da ação penal contra os três acusados.
O recurso foi acolhido, por maioria de votos, pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), durante sessão realizada em 23 de setembro deste ano. A ação resultou na decretação da prisão preventiva dos acusados.
O voto contrário do desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, pela prisão preventiva dos donos da clínica, causou indignação entre família e amigos da esteticista. Veja abaixo o manifesto, publicado neste domingo (11), da Comissão de Amigos de Claudia Pollyanne.
O recurso da 2ª Procuradoria de Justiça Criminal foi assinado pelo procurador de Justiça, Luiz Vasconcelos. Já a sustentação oral em defesa da tese ministerial foi realizada pelo procurador de Justiça, Luciano Romero.
Tornaram-se réus
Maurício Anchieta de Souza passa a responder por homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Além de cárcere privado qualificado. Ele é apontado como o principal executor das agressões e responsável direto pela morte.
Jéssica da Conceição Vilela, esposa de Maurício, responde por homicídio qualificado e cárcere privado qualificado. Ela é acusada de participar das agressões, permitir e aderir às práticas violentas dentro da clínica.
Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima, tornou-se ré por cárcere privado qualificado. Ela é indicada como responsável por manter Cláudia internada contra a própria vontade, mesmo após o fim do contrato, o que contribui para o ciclo de violência.
Conheça o Caso
Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, trabalhava como esteticista e era conhecida por ser uma pessoa alegre, vaidosa e preocupada com a aparência. Devido à dependência alcoólica, procurou tratamento em uma clínica de reabilitação. Após um ano e três meses internada, em 9 de agosto de 2025, famíliares foram informados de sua morte.
O caso revelou um esquema de violência em uma comunidade terapêutica, Clínica de Reabilitação Luz e Vida, em Marechal Deodoro, região metropolitana de Maceió. Entre os réus investigados, estão Maurício Anchieta de Souza, dono da clínica, e sua esposa Jéssica da Conceição Vilela. Além da tia da esteticista, Soraya Pollyanne dos Santos Farias.
A família da esteticista procurou a Polícia Civil e pediu que o corpo passasse por exames. A clínica foi interditada e foram iniciadas as investigações. Ex-pacientes relataram maus-tratos, sedação forçada, restrição de contato com familiares e até abusos sexuais. Também há investigação sobre suspeita de estelionato.
Os proprietários da clínica foram presos preventivamente. Durante buscas em imóvel ligado ao local, em Maceió, os agentes apreenderam medicamentos de uso restrito, uma arma de choque e um facão. A polícia suspeita que os objetos tenham sido utilizados para intimidar internos.
O laudo de exame cadavérico, apresentado dia 25 de agosto, apontou traumatismo craniano, asfixia mecânica e presença de substâncias medicamentosas em níveis tóxicos, inclusive carbamazepina. Segundo a denúncia, apresentada pelo MP/AL, a vítima teria sido submetida a métodos violentos de contenção física, agressões e administração forçada de medicamentos.
A internação de Pollyanne começou de forma voluntária e deveria ter durado apenas oito meses. O documento aponta que a tia da vítima foi a responsável pelo custeio da internação e teria mantido a sobrinha no local, sob cárcere privado. Não houve comunicação às autoridades nem autorização médica para a internação, como exige a lei.
Manifesto da Comissão de Amigos
“A Comissão de Amigos de Cláudia Pollyanne manifesta indignação com o voto do desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, contrário à prisão preventiva de Maurício Anchieta de Souza e Jéssica da Conceição Vilela, no julgamento realizado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL).
Em 23 de setembro de 2026, a Câmara Criminal acolheu, por maioria, o recurso do Ministério Público de Alagoas (MPAL) e determinou a prisão preventiva do casal. O voto de Tutmés Airan foi vencido pela maioria dos magistrados.
Após o julgamento, a defesa apresentou embargos infringentes e de nulidade, buscando contestar a decisão. A divergência registrada no colegiado é relevante para a discussão sobre o cabimento desse recurso.
Para a Comissão, o posicionamento contrário à prisão preventiva causa indignação diante da gravidade do caso e das circunstâncias que envolvem a morte da esteticista Cláudia Pollyanne. A entidade considera necessário questionar publicamente o entendimento adotado pelo desembargador e defende que decisões dessa relevância sejam examinadas com o rigor exigido pelo processo.”
A Comissão reafirma que continuará acompanhando os desdobramentos judiciais e cobrando justiça para Cláudia Pollyanne, com o esclarecimento dos fatos e a responsabilização de quem vier a ser considerado culpado, respeitando o devido processo legal”.
Comissão de Amigos de Claudia Pollyanne




























