sexta-feira, 9 de outubro de 2026 – 19h59

Congresso na Itália reúne 120 exorcistas, destaca música sacra e devoção mariana

Encontro apresentou relatos, discutiu formação e homenageou padre Gabriele Amorth
Congresso exorcista exalta devoção mariana - Foto: Reprodução /ACIDigital

Cerca de 120 sacerdotes exorcistas participaram do XV Congresso Nacional Italiano da Associação Internacional de Exorcistas (AIE). Os padres destacaram a música sacra e a devoção mariana como prática espiritual exorcista, um dos ministérios mais delicados e exigentes da Igreja Católica.

O evento foi realizado de 21 a 25 de setembro de 2026, no centro de conferências Fraterna Domus, em Sacrofano, na Itália. Durante cinco dias, os religiosos compartilharam experiências pastorais e discutiram casos de suposta possessão demoníaca, o papel da música sacra e da Virgem Maria nos exorcismos e a importância da formação contínua dos sacerdotes.

Entre os relatos apresentados, o exorcista da Arquidiocese de Palermo, frei Benigno Palilla, falou sobre uma jovem que passou por um processo de libertação espiritual, com duração de dois anos e meio. Ela enfrentava sofrimento emocional, agressividade nos relacionamentos e pensamentos suicidas. O caso foi atribuído a fatores como afastamento dos sacramentos e envolvimento com práticas ocultistas. 

Já o exorcista da Diocese de Salerno, padre Angelo Barra, apresentou a situação de outra jovem que teria sido vítima de violência doméstica e submetida à consagração ritual por seitas. De acordo com a AIE, a leitura de trechos do capítulo 16 dos Atos dos Apóstolos, acompanhada de bênçãos e do apoio espiritual de duas comunidades católicas na África, integrou o processo de libertação. 

O ex-exorcista da Diocese de Sanremo-Ventimiglia,padre Michele Tenzon, relatou o caso de uma mulher sul-americana que, segundo seu testemunho, teria sido oferecida a espíritos pela própria família.

O exorcista e diretor do departamento de Música Sacra da Arquidiocese de Brindisi-Ostuni, padre Giuseppe Grassi, destacou a relação entre música, liturgia e tradição católica. Ele citou salmos, canto gregoriano e canções em honra à Virgem Maria, como expressões que podem integrar a prática espiritual dos exorcistas.

“A música sacra e o canto estão profundamente ligados à esfera de atuação do ministério angelical e, portanto, podem ser usados ​​proveitosamente no ministério do exorcismo. Quanto mais sagrada a música, mais intimamente ligada estará à ação litúrgica”, disse o sacerdote.

A importância de Nossa Senhora foi tema da exposição do padre Salvatore Perrella, mariologista, servita e ex-reitor da Pontifícia Faculdade de Teologia Marianum, em Roma. O sacerdote ressaltou a ligação de Maria com a Palavra de Deus, o papel no mistério da Encarnação, a participação na história da salvação e a relevância na espiritualidade católica.

O congresso também homenageou o padre Gabriele Amorth, exorcista da Diocese de Roma e um dos fundadores da AIE, que faleceu em 2016. O vice-presidente da associação, padre Francesco Bamonte, ressaltou a defesa de Amorth na formação permanente dos exorcistas. 

Segundo Bamonte, a nomeação pelo bispo e o recebimento do ritual não seriam suficientes para o sacerdócio, sem a participação em cursos e conferências, além do treinamento regular. O padre Aldo Buonaiuto trouxe as advertências atribuídas a Amorth sobre o perigo das práticas ocultistas e do fascínio pelo sobrenatural. 

Já o padre Marcello Lanza alertou para a dimensão mística de vida e dos ensinamentos de Amorth. Ele lembrou a união com Cristo, como elemento central da compreensão católica sobre o ministério do exorcismo.

*Com informações do portal ACI Digital

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