sábado, 26 de setembro de 2026 – 12h47

Saiba como acessar diagnóstico e tratamento da hanseníase em Maceió

Veja dados da doença infeciosa em Alagoas, por município
Diagnóstico e tratamento precoces evitam transmissão e sequelas da hanseníase - Foto: Reprodução/SMS

Pessoas que apresentarem manchas na pele, com perda ou alteração de sensibilidade, devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, para avaliação e diagnóstico da hanseníase. O atendimento é realizado de forma ambulatorial, sem necessidade de internação. Os medicamentos são disponibilizados gratuitamente. Veja, abaixo, dados da doença em Alagoas, por município.

A orientação é reforçada durante a Semana Municipal de Hanseníase, realizada pelo Programa de Controle da Hanseníase de Maceió, que promove ações de conscientização sobre a doença e a importância do diagnóstico precoce. 

Doença infecciosa, a hanseníase é transmitida principalmente por meio de contato próximo e prolongado com pessoas infectadas e não tratadas, por meio gotículas das vias respiratórias.

Além de reduzir a possibilidade de contágio, o diagnóstico precoce ajuda a reduzir complicações e sequelas da efermidade.

Entre elas, estão a perda ou redução da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato, fraqueza muscular, perda de força nas mãos e nos pés, deformidades, feridas e úlceras, além de problemas nos olhos, que podem comprometer a visão. O comprometimento dos nervos também pode provocar limitações de movimentos e incapacidades físicas. 

Segundo a responsável técnica pelo Programa Municipal de Controle da Hanseníase de Maceió, Vânia Bernardino, o período de tratamento varia conforme a classificação e as características de cada caso.

“O período de tratamento pode variar entre 6 e 12 meses, conforme a classificação e as características de cada caso. Os medicamentos são disponibilizados gratuitamente pelo SUS”, explica.

O tratamento inclui medicamentos administrados mensalmente sob supervisão de um profissional de saúde, além de doses para autoadministração. A identificação dos sinais e a busca por atendimento contribuem para a interrompição da cadeia de transmissão e a redução a ocorrência de novos casos.

O medo e o estigma associados à hanseníase ainda podem dificultar a procura pelos serviços de saúde. É importante considerar que, após o início do tratamento adequado, a pessoa deixa de transmitir a doença. Também se trata de uma doença de transmissão fácil. O contato casual, como apertar a mão, abraçar ou compartilhar objetos, não costuma transmitir a infecção.

Dados

No Brasil, a hanseníase continua sendo um problema de saúde pública. Em 2025, foram registrados 22.901 novos casos da doença no país, segundo dados do Ministério da Saúde. 

Entre 2015 e 2024, contabilizou-se no país 238.781 novos casos, com ocorrência registrada em todas as unidades da Federação. A maior concentração de casos está nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Alagoas registrou redução de casos novos de hanseníase em 2024, com 254 casos, contra 374 casos. em 2023. A Secretaria de Estado da Saúde alerta que a redução dos registros pode estar relacionada à menor realização de busca ativa e não necessariamente uma queda real na transmissão da doença. 

Maceió registrou o maior número absoluto de novos casos de hanseníase em 2024. A capital aparece à frente de municípios como Arapiraca, União dos Palmares, Pão de Açúcar, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema, São José da Tapera, Rio Largo, Palmeira dos Índios, Coruripe e Maragogi.

O número absoluto, no entanto, não permite afirmar que Maceió tenha a maior ocorrência proporcional da doença. 

Como a capital concentra a maior população do estado, a comparação entre municípios deve considerar a taxa de detecção por 100 mil habitantes. O indicador utilizado pelo Ministério da Saúde para avaliar a ocorrência da hanseníase, levando em conta o tamanho da população.

Em Maceió, a taxa de detecção chegou a 8,9 casos por 100 mil habitantes em 2023, segundo o relatório municipal de situação de saúde. A média registrada entre 2019 e 2023 foi de 7,1 casos, por 100 mil habitantes. 

Já Arapiraca apresenta histórico de taxas proporcionalmente elevadas: estudo epidemiológico, com dados de 2010 a 2022, identificou média de 13,21 casos, por 100 mil habitantes, no município.

Outro indicador de atenção é a ocorrência da hanseníase entre crianças e adolescentes. Entre 2015 e 2024, 188 casos novos foram registrados em menores de 15 anos em Alagoas.

De acordo com a Sesau, a identificação da doença, nessa faixa etária, é considerada um indicador de transmissão recente. O fato reforça a importância da identificação dos casos e da investigação de pessoas que tiveram contato próximo com pacientes diagnosticados.

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