terça-feira, 15 de setembro de 2026 – 04h16

A cultura dos jogos reflexivos, de azar e de estratégias na história do Brasil – Parte 2

Um passeio pelo universo lúdico, que faz parte de todo processo evolutivo brasileiro, e suas consequências
Imagem: IA_Gemini/NC

Parte 2 – 

Série capitulada, dividida em cinco partes, publicadas diariamente

Brasil República

Logo após o golpe civil-militar, liderado por Deodoro da Fonseca, finalizando a monarquia do imperador Dom Pedro II, em 1889, o barão João Batista Viana Drummond criou o famoso Jogo do Bicho para aumentar a arrecadação do zoológico que administrava no Rio de Janeiro. A prática logo se espalhou pelo Brasil e, mesmo sendo ilegal, persiste até os dias de hoje.

Outro marco importante, foram as loterias, sendo a primeira, documentada no país, na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais, para financiar obras públicas, em 1784. Em 1844, o imperador D. Pedro II regulamentou o setor por meio de decreto para destinar recursos a hospitais, Santas Casas e orfanatos, ainda no Brasil Colônia. Só em 1962 que o governo federal unificou e assumiu o controle central das operações, com a Caixa Econômica Federal realizando os sorteios.

Com a chegada de Getúlio Vargas à presidência, em 1934, os cassinos foram legalizados e deram início à “Era de Ouro” do jogo no Brasil. Durante esse período, os cassinos movimentaram a economia, impulsionaram o turismo e geraram milhares de empregos.

As casas de apostas se tornaram verdadeiros centros de entretenimento, promovendo não apenas jogos como roleta, blackjack, baccarat e pôquer, mas também grandes espetáculos musicais e artísticos. Orquestras, jantares dançantes e apresentações de artistas renomados faziam parte da experiência.

Nomes como Cassino Atlântico, Cassino Copacabana Palace e Cassino da Urca (no Rio de Janeiro), além do Monte Serrat (Baixada Santista) e do Cassino Paulista (São Paulo), se tornaram icônicos. Poços de Caldas, com mais de 20 cassinos em funcionamento, chegou a ser apelidada de “Las Vegas brasileira”.

Foi em 1946, por decreto assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, que teria sido influenciado por sua esposa Carmela Dutra, que era conhecida por sua forte religiosidade à Igreja Católica, os cassinos são considerados ilegais no Brasil e considerados contravenção penal. 

No entanto, as apostas em corridas de cavalos e as apostas esportivas continuam legalizadas, assim como as loterias. Com a proibição, a economia brasileira perde em arrecadação, vagas de empregos e turismo.

O luxo e a grandiosidade dos cassinos atraíram personalidades internacionais como Albert Einstein, Janis Joplin, Frank Sinatra, Orson Welles e Walt Disney, que assistiam a espetáculos de artistas brasileiros como Carmen Miranda, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira e Grande Otelo.

Apesar da proibição, a discussão sobre a regulamentação das apostas no Brasil nunca cessou. Entre as décadas de 1960 e 1990, o governo tentou, sem sucesso, restabelecer o setor de forma controlada. As tentativas esbarraram em desafios políticos e na falta de um consenso sobre o impacto social dos jogos de azar.

Foi somente no século XXI que o tema voltou com força à pauta legislativa, abrindo caminho para o cenário que temos hoje.

A Loteria Esportiva Brasileira, criada em 27 de maio de 1969, durante o governo militar, se transformou em uma febre nacional nas décadas de 1970 e 1980 sob a administração da Caixa Econômica Federal. O decreto-lei foi assinado pelo presidente Artur Costa e Silva, como parte de um plano oficial de incentivo ao esporte e arrecadação de fundos.

Além da Loteria Esportiva, a Caixa Econômica Federal administra atualmente 11 modalidades oficiais de Loterias Caixa no Brasil: Mega-Sena, Lotofácil, Quina, Lotomania, Dupla Sena, Timemania, Dia de Sorte, Super Sete, +Milionária, Loteca e a Loteria Federal, com bilhetes com numeração impressa para extração tradicional.

Sem esquecermos os jogos eletrônicos, que começaram a ganhar popularidade em 1971, com o primeiro fliperama comercial, Computer Space. Em 1972, chegou o Magnavox Odyssey, primeiro console doméstico, seguido pelo sucesso estrondoso do jogo Pong da Atari; e entre 1978/1980, o fenômeno Space Invaders dominou os arcades e migrou para o Atari 2600. 

A Era de Ouro dos eletrônicos se deu com o lançamento de Pac-Man, em 1980, que marcou a cultura pop. No ano de 1985 a Nintendo revitalizou o mercado com o Nintendinho (NES) e Super Mario Bros.

A Revolução 3D e o Domínio dos CDs nos anos 1990 se deu início em 1994 quando a Sony entrou no mercado com o primeiro PlayStation, popularizando mídias em CD e jogos tridimensionais e o Nintendo 64, em 1996, redefiniu os jogos 3D com Super Mario 64.

Era Moderna e Realismo dos jogos eletrônicos dos anos 2000 até Hoje, se deu com a Microsoft lançando o primeiro Xbox, entrando na disputa com Sony e Nintendo. Atualmente, os jogos combinam narrativas cinematográficas complexas, realidade virtual, partidas online globais e consoles portáteis potentes.

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