Grupos de trabalhadores da limpeza urbana reagiram à fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), proferida em evento no fim de agosto de 2026.
“Eu, quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho: ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro’, ‘eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pôde estudar”, disse Lula.
Os garis publicaram vídeos rebatendo a associação da profissão à “falta de estudo”, ou à “falta de orgulho”, à “coisa de pobre”.
Um dos registros de maior impacto mostra um trabalhador, com 22 anos de atuação, rebatendo frontalmente a fala presidencial.
O lixeiro declarou que “não tem vergonha da profissão” e defendeu a dignidade do trabalho braçal e honesto.
Em outros registros virais, os trabalhadores mostraram colegas que possuem diploma do ensino médio completo e graduação em Educação Física. Além desses, apresentaram colegas que estão cursando o ensino superior.
Para concorrer à vaga na área de limpeza urbana, a maioria das prefeituras exige o ensino fundamental completo.
A indignação dos trabalhadores extrapolou as postagens virtuais e chegou a execução diária dos serviços urbanos.
Em diversas cidades, garis alinharam publicações conjuntas, na quais afirmam que deixarão de recolher temporariamente o lixo de residências e comércios que ostentem bandeiras de Lula ou do PT.
O boicote é defendido por grupo de trabalhadores como uma resposta direta à desvalorização sofrida pelo chefe do Executivo federal. No entanto, não há nenhum comunicado oficial neste sentido, por parte de sindicatos ou associações de garis.
A oposição capitalizou com o descontentamento da categoria.
Parlamentares e candidatos utilizaram os depoimentos reais dos garis para desgastar a imagem de Lula com o eleitorado de baixa renda.
Eles transformaram a insatisfação das ruas em uma forte peça de campanha política.




























