sexta-feira, 28 de agosto de 2026 – 02h31

Recuperação judicial dispara: Brasil tem mais de 6 mil empresas em crise no 1º semestre de 2026

Levantamento aponta novos pedidos; juros altos e dificuldades de crédito pressionam setor empresarial
O agronégocio é o principal foco de preocupação entre os setores econômicos em recuperação judicial - Foto: OleksandrRyzhkov/Freepik

O número de empresas em recuperação judicial atingiu níveis recordes no Brasil. No primeiro semestre de 2026, 6.341 empresas estão sob esse regime jurídico, uma alta de 6,2% em relação a 2025.

O cenário afeta desde pequenos negócios até gigantes como Braskem, Casas Bahia e Grupo Gennius, que inclui as empresas Habib’s e Ragazzo.

Os dados são do Monitor RGF-BizDoc. Segundo a pesquisa, os setores mais afetados são agronegócio, seguido por indústria, construção e incorporação imobiliária, transporte, alimentação, além de logística e comércio.

Já o levantamento da PreservaCred identificou 617 novos pedidos de recuperação judicial, distribuídos desde janeiro até 26 de agosto de 2026.

É importante destacar que este número representa processos capturados nos tribunais, e não necessariamente a quantidade de empresas em situação de recuperação judicial.

Recuperação judicial, o que é?

Recuperação judicial é um mecanismo legal que permite a uma empresa em dificuldades financeiras renegociar suas dívidas com os credores e reorganizar suas atividades, buscando evitar a falência.

Durante o processo, a empresa apresenta um plano de recuperação, que pode incluir prazos maiores para pagamento, descontos e outras formas de renegociação.

O objetivo é preservar a empresa, os empregos e a atividade econômica, ao mesmo tempo em que se busca pagar os credores dentro das condições aprovadas.

Mercado vesus governo

Analistas de mercado e setores da oposição apontam que a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sufoca a atividade empresarial.

O ritmo de despesas acima da capacidade de arrecadação eleva as incertezas macroeconômicas e força o Banco Central a manter a taxa Selic restritiva em 14% ao ano para conter a inflação.

Além disso, as discussões sobre o aumento de custos trabalhistas e as pressões tributárias ampliam as despesas operacionais e comprimem as margens de lucro de setores intensivos em mão de obra, como o comércio.

Em contrapartida, o governo federal defende suas iniciativas de alívio ao endividamento, como o programa Desenrola Pequenos Negócios, que renegociou R$ 7,5 bilhões para microempreendedores.

O Planalto atribui o pico de recuperações judiciais a transformações estruturais de mercado, como a migração acelerada do varejo para o e-commerce e a passivos financeiros herdados de administrações anteriores.

Perspectivas para 2027

Para 2027, as perspectivas econômicas revelam uma divisão clara entre as expectativas do mercado financeiro e as metas da gestão federal.

Especialistas alertam que, caso o impasse fiscal persista, o país precisará de um choque de austeridade de até R$ 500 bilhões a partir de 2027, para conter o endividamento público e frear novas insolvências.

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