sábado, 29 de agosto de 2026 – 11h50

Flávio Bolsonaro cita financiamento de Vorcaro à Globo ao defender Dark Horse

Candidato se posicionou durante sabatina, promovida pela emissora
Presidenciável foi o 6º sabatinado pela Rede Globo - Foto: Reprodução Rede Globo

O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), citou supostos investimentos do ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, em iniciativas ligadas ao Grupo Globo. A afirmação ocorreu na sexta-feira (28), durante a sabatina, promovida pela Rede Globo, com os principais candidatos à corrida presidencial.

O senador se referiu aos supostos R$ 160 milhões em patrocínio para o programa do apresentador Luciano Huck, além de R$ 50 milhões à Editora Globo, que teriam sido destinados a eventos do jornal Valor Econômico.

A colocação ocorreu quando o presidenciável foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“É importante separar o tipo de relação privada que envolve esse patrocínio para um filme. Não há nada de errado em um filho buscar financiamento privado para um filme do próprio pai”, apontou.

Ao complementar o argumento, citou os alegados finaciamentos à rede de comunicação carioca.

“É o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que deu um patrocínio de R$ 160 milhões para um programa do Luciano Hulk, aqui, da Globo. Não há nada de absolutamente errado”, argumentou.

“É a mesma pessoa que fez um investimento de R$ 50 milhões, no Grupo Globo, na Editora Globo, mais especificamente, para que fossem dadas várias palestras, inclusive uma em Nova York, que foi do Valor Econômico, que é do Grupo Globo”, complementou.

O jornalista César Tralli, que compunha a bancada, rebateu a associação feita pelo candidato. Ele afirmou que as relações comerciais do Grupo Globo, com anunciantes, são submetidas às leis, às regras de autorregulamentação publicitária e a procedimentos de transparência.

Questionado sobre os R$ 61 milhões que teriam sido destinados por Vorcaro à produção do longa, Flávio esclareceu que não houve contrato firmado em nome dele mesmo. A afirmação foi feita pela jornalista Renata Vasconcellos, durante o debate.

“Eu não firmei contrato com niguém. A minha parte nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem e captar investidores. O contrato não cabe a mim”, contestou.

”Não teve nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para este investidor. Eu não fui buscar dinheiro em Lei Rouanet, em recursos públicos. É um patrocínio que não tem transferência para Flávio Bolsonaro”, defendeu-se.

O financiamento de Dark Horse está no centro de investigações envolvendo a origem e a destinação dos recursos.

Reportagens apontam que os R$ 61 milhões, atribuídos a Vorcaro, chegaram a um fundo sediado nos Estados Unidos, o Havengate Development Fund, relacionado à estrutura financeira, utilizada para a produção.

“Eu pedi 30 dias para que a produtora apresentasse uma prestação de contas. E, antes desse prazo, a prestação foi feita, inclusive na investigação que está acontecendo na Polícia Civil de São Paulo (PC-SP), por exigência minha”, ressaltou.

A produtora responsável pelo filme apresentou um laudo, segundo o qual R$ 75 milhões teriam sido gastos na produção.

De acordo com a bancada da Globo, durante a sabatina, o documento não teria esclarecido integralmente a origem dos recursos nem apresentado todos os detalhes financeiros da operação.

“Há dois ou três dia, uma reportagem da Revista Veja, tratando não apenas da prestação de contas, mas da perícia. O que a perícia conclui? Que não tem um centavo de dinheiro público nesse filme”, informou Flávio.

”É uma relação completamente privada. Essa perícia mostra que o filme custou mais que o patrocínio que ele fez. O contrato também veio à tona. Já está apresentado”, asseverou.

As investigações sobre o caso continuam. A Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) analisam elementos relacionados ao financiamento do longa e à produtora responsável pela obra.

 

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