sábado, 5 de setembro de 2026 – 02h07

Professor é condenado a 7 anos de prisão por injúria racial contra aluno em Maceió

Caso aconteceu fevereiro de 2026, durante aula em escola particular
Injúria racial é o crime de ofender uma pessoa usando elementos relacionados à raça, cor, etnia ou procedência nacional - Foto: Reprodução/Vídeo

Um professor foi condenado a sete anos e três meses de prisão pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores, após ofender racialmente um aluno de 13 anos, dentro da sala de aula, em uma escola particular de Maceió. Além da pena de prisão, o docente foi condenado ao pagamento de R$ 15 mil de indenização mínima pelos danos causados à vítima.

A decisão foi proferida na quarta-feira (2), após ação penal ajuizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A atuação do Ministério Público foi conduzida pelas 59ª e 60ª Promotorias de Justiça da Capital, representadas pelos promotores Ricardo Libório e Dalva Tenório. O MPAL não informou se o professor poderá recorrer em liberdade, nem se a condenação é em regime fechado ou semi aberto.

O caso aconteceu em 12 de fevereiro de 2026, em uma escola localizada no Benedito Bentes. Segundo a denúncia, durante a aula, um aluno mostrou à turma um caderno, cuja capa trazia a figura de um chimpanzé e perguntou ao professor com quem o animal se parecia. Em resposta, o professor apontou para um estudante negro, fazendo uma associação entre o adolescente e a imagem. A situação provocou risos dos demais alunos.

O adolescente relatou ter ficado profundamente abalado e afirmou que continuou sendo alvo de chacotas nos dias seguintes. Ele chegou a apresentar resistência para voltar à escola e só retornou depois de saber que o professor havia sido afastado.

Durante a investigação, outros estudantes, que estavam na sala, confirmaram o episódio e relataram a reação de tristeza do adolescente. Em procedimento disciplinar realizado pela própria escola, o professor reconheceu que havia apontado para o aluno, mas negou ter tido intenção racista.

Para o MPAL, a situação é ainda mais grave por ter ocorrido dentro de um ambiente escolar e envolver um profissional responsável pela formação e proteção dos estudantes. O órgão também apontou que a conduta ocorreu diante de outros alunos, circunstância que fundamentou a acusação pelo crime de corrupção de menores.

Durante o processo, o MPAL também solicitou uma medida para impedir que o acusado exercesse atividades de docência ou funções que envolvessem contato direto com crianças e adolescentes. Para o órgão, casos de racismo no ambiente escolar não devem ser tratados como brincadeiras ou conflitos comuns entre estudantes.

*Com informações do Ministério Público do Estado de Alagoas

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