sexta-feira, 4 de setembro de 2026 – 01h20

Vorcaro relata ameaças e pressão contra delação premiada

Vorcaro foi ouvido em 27 de agosto pelo juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça
Daniel Vorcaro é investigado por fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e corrupção - Foto: Reprodução / Banco Master

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria sido alvo de ameaças, intimidações e maus-tratos. A pressão ocorreria para impedir que ele avançasse numa colaboração premiada.

Segundo relatos divulgados pela imprensa, Vorcaro foi ouvido em 27 de agosto último, pelo juiz auxiliar João Azambuja, integrante do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Azambuja teria ido até o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, para realizar a oitiva, que confirmada pelo próprio gabinete do magistrado. 

Vorcaro afirmou ter sofrido tortura psicológica, durante as transferências para o sitema prisional. Ele teria relatado ainda ameaças veladas e afirmado que temia permanecer preso, por tempo indeterminado, caso revelasse informações envolvendo integrantes da Polícia Federal (PF).

O ponto mais sensível do depoimento envolve o diretor-geral do órgão, delegado Andrei Rodrigues. Vorcaro disse que suas tentativas de negociar uma delação premiada não teriam avançado porque as informações, que pretendia apresentar, poderiam atingir o comando da própria instituição policial. 

Um dos relatos mais graves diz respeito a uma transferência de helicóptero, realizada por agentes da PF. Segundo o ex-banqueiro, durante o voo, um policial havia mandado que ele “ficasse quieto” e, em seguida, outro teria dito que seria “mais fácil” jogá-lo da aeronave. Segundo as reportagens, ele não apresentou elementos independentes que comprovassem a ameaça.  

Outro aspecto importante do depoimento do ex-banqueiro se refere a informações que envolveriam “pessoas do núcleo do atual governo”. Vorcaro também não teria apresentado provas públicas, nem detalhado quais integrantes do governo seriam citados.

A versão apresentada por Vorcaro está sob contestação. Integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmaram que ele não trouxe provas concretas, capazes de ratificar os maus-tratos ou as ameaças relatadas. 

Investigadores avaliam que o depoimento poderia estar relacionado a uma nova tentativa de reabrir as negociações para uma delação premiada. A controvérsia aumenta porque Vorcaro já teria tentado negociar o instrumento jurídico como uma estratégia da defesa.

Apesar de o depoimento ter ocorrido com a presença de um representante do Ministério Público, a PF, responsável por parte das investigações, não participou da oitiva. O gabinete de Mendonça justificou a decisão, afirmando que a medida teria sido adotada como forma de proteger a integridade física e psicológica do depoente. 

 

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