A partir desta quinta-feira (3), a União Europeia (UE) vai interromper a exportação de carnes do Brasil. O país ficará impedido de comercializar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco europeu. Carne bovina e frango serão os mais afetados.
A UE anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na agropecuária. O setor vê a decisão como uma medida protetiva. Agropecuaristas europeus se opuseram fortemente à entrada provisória, no mesmo mês, do livre comércio entre a UE e o MERCOSUL.
Embora o bloco não tenha estabelecido oficialmente um prazo de retorno, especialistas apontam que, mesmo ocorrendo um rápido acordo entre as partes, o Brasil pode levar de 24 a 36 meses para adequar todo o ciclo de produção do rebanho às exigências de rastreabilidade europeias.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), as garantias oficiais solicitadas já foram apresentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), autoridade sanitária responsável pelas negociações.
A ABIEC afirmou que atua em conjunto com diferentes segmentos da cadeia pecuária para atender às exigências estabelecidas pela UE. Como parte das medidas adotadas, foi elaborado um protocolo específico para o controle do uso de antimicrobianos na pecuária bovina.
Todas as empresas associadas à entidade e habilitadas a exportar carne bovina para a União Europeia aderiram ao sistema. O procedimento foi desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A iniciativa pretende assegurar a rastreabilidade, os controles documentais e a conformidade com os critérios regulatórios exigidos pelo bloco europeu.
Conforme a entidade, a questão não modifica a qualidade, a segurança dos alimentos ou a condição sanitária da carne bovina produzida no Brasil. A proteína brasileira está presente em mais de 170 mercados internacionais, de acordo com a ABIEC.
Os embarques continuarão normalmente para os destinos nos quais os frigoríficos do país permanecem habilitados. No entanto, a União Europeia é considerada um destino estratégico, sobretudo pela demanda por cortes diferenciados e de maior valor agregado.
A produção destinada ao bloco europeu não pode ser automaticamente redirecionada para outros países. Cada mercado possui exigências sanitárias, preferências de consumo, padrões de qualidade e demandas específicas por determinados cortes.
Essa diferença limita a possibilidade de substituição imediata das vendas e pode afetar as estratégias comerciais dos frigoríficos habilitados a atender os compradores europeus.
*Com informações do Portal do Agronegócio




























