quarta-feira, 9 de setembro de 2026 – 06h30

Orçamento 2027 prevê mais de 53 mil novos servidores públicos

Maior parte das vagas está no Executivo; despesa total com pessoal chega a R$ 464 bi
País tinha cerca de 12,8 milhões de servidores públicos em 2024 - Foto: Lula Castello Branco/NC

Mesmo com as contas públicas sob pressão, o governo pretende abrir espaço para novas contratações no serviço público, em 2027. A proposta de Orçamento prevê a recomposição de quadros em diferentes áreas da administração, além de recursos para reajustes salariais e despesas ainda em negociação.

Ao todo, o PLN 24/2026 prevê o preenchimento de 48.826 vagas e a criação de outras 4.704, chegando a 53.530 oportunidades. O custo estimado das contratações é de R$ 4,4 bilhões no próximo ano.

A maior parte das vagas está no Executivo, com 47.609 postos, sendo 2.745 novos. O Judiciário terá 5.131 vagas, o Legislativo 330, o Ministério Público e o CNMP 277 e a Defensoria Pública 183.

A expansão, porém, ocorre em um cenário de contenção. Depois dos déficits registrados em 2025 e 2026, mecanismos do arcabouço fiscal limitaram a expansão real das despesas com pessoal a 0,6%, até o reequilíbrio das contas.

Ainda assim, a proposta reserva R$ 14,3 bilhões para reajustes salariais e outros custos em negociação. A despesa total com pessoal está estimada em R$ 464 bilhões, abaixo do limite de R$ 471 bilhões. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a regra é global e poderá afetar os órgãos de forma diferente.

O impacto precisa ser analisado diante do tamanho do funcionalismo brasileiro. O país tinha cerca de 12,8 milhões de trabalhadores no setor público em 2024, segundo dados da Pnad Contínua. A maior parte está nas administrações municipais, responsáveis por uma parcela significativa dos serviços oferecidos diretamente à população.

Cerca de 60% dos servidores estão nos municípios, 30% nos estados e 10% na União. Em 2024, as prefeituras reuniam aproximadamente 7,6 milhões de servidores, enquanto estados e Distrito Federal somavam cerca de 3,1 milhões.

A proposta para 2027, portanto, coloca o governo diante de um desafio duplo: recompor equipes consideradas necessárias para o funcionamento do Estado e, ao mesmo tempo, manter a expansão da folha dentro das regras fiscais. O equilíbrio entre contratação, reajustes e controle de gastos será um dos pontos centrais da discussão do Orçamento.

*Com informações da Agência Senado

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