quinta-feira, 10 de setembro de 2026 – 07h27

Estado de sítio volta ao debate político em meio à crise entre PF e STF

Entenda o que é a medida e quais as suas consequências
Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), reúne os Três Poderes da República - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O estado de sítio voltou ao debate político brasileiro depois que o coordenador jurídico da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio de Carvalho, ter sugerido a convocação do Conselho da República para discutir a crise institucional, envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal. 

A medida é defendida devido à decisão do ministro André Mendonça, de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. 

Apesar da possibilidade, até o momento não há confirmação de que Lula tenha convocado formalmente o Conselho da República, decidido decretar estado de sítio ou iniciado o procedimento constitucional para adoção da medida.

A determinação depende de autorização do Congresso, por maioria absoluta, e só pode ser adotada nas hipóteses previstas no artigo 137 da Constituição.

Tais como:

  • Grave comoção de repercussão nacional;
  • Ineficácia de medidas tomadas durante estado de defesa;
  • Declaração de guerra; ou 
  • Resposta à agressão armada estrangeira.

 

A adoção do estado de sítio pode provocar mudanças profundas na rotina do país.

Dependendo da situação que fundamentar a decisão e dos termos autorizados pelo Congresso, podem ser impostas restrições:

  • À liberdade de reunião; 
  • À circulação; 
  • Às comunicações; e 
  • À imprensa.

 

O estado de sítio  também admite medidas como:

  • Busca e apreensão em domicílios;
  • Restrições ao sigilo da correspondência e das comunicações; 
  • Detenções em determinadas circunstâncias;
  • Requisição de bens; e 
  • Intervenção em empresas de serviços públicos. 

O Congresso, entretanto, permanece em funcionamento e fiscaliza a execução das prerrogativas excepcionais. 

A possibilidade ganha peso ainda maior, porque o Brasil está a poucas semanas das eleições de 2026. Ao primeiro turno, marcado para 4 de outubro, segue-se um eventual segundo turno, em 25 de outubro. 

A Constituição não determina que o estado de sítio suspenda automaticamente as eleições, nem permite ao presidente prorrogar unilateralmente o próprio mandato. 

No entanto, caso as medidas de exceção atinjam reuniões públicas, circulação, imprensa ou comunicação, podem afetar diretamente a campanha e a igualdade de condições entre os candidatos. 

Isso representaria uma das mais graves crises institucionais do período democrático brasileiro.

Jair Bolsonaro

O assunto também remete ao governo Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi acusado, por adversários, investigadores e setores políticos, de considerar medidas de exceção, entre elas, a execução do estado de sítio, como reação à derrota no pleito de 2022.

Bolsonaro, no entanto, nunca decretou estado de sítio no Brasil.

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