quinta-feira, 24 de setembro de 2026 – 18h25

Por que a Polymarket teve perfil bloqueado no Brasil durante a eleição?

Números não são resultado de pesquisa eleitoral; plataforma funciona como mercado de previsão
O Brail está a 10 dias do primeiro turno das Eleições 2026, que definirá o novo presidente da República - Foto: Reprodução

O perfil da Polymarket, voltado ao público brasileiro no Instagram, foi bloqueado no país, em meio à divulgação de dados sobre a corrida presidencial de 2026. A medida levantou questionamentos nas redes sociais.

O bloqueio ocorreu dois dias após a plataforma apresentar um mercado de previsão que colocava o senador Flávio Bolsonaro (PL) significativamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em 20 de setembro, a Polymarket indicava 58% de probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro contra 42% de Lula. Os números estavam de acordo com os dados do mercado de previsão do momento.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, já havia solicitado à Meta, em 9 de setembro, o bloqueio de contas da Polymarket no Instagram. Até o momento, não foi informado por que o pedido levou 13 dias para ser atendido.

No dia 10 de setembro, a plataforma havia referendado o candidato do PL à frente do chefe do Executivo federal, com 51,9%, contra 45%. Um dia depois, portanto, da determinação do bloqueio.

A Polymarket funciona como uma plataforma de mercados de previsão, na qual usuários negociam contratos relacionados à possibilidade de determinados acontecimentos ocorrerem.

Os números não são resultado de pesquisa eleitoral. Os percentuais representam as expectativas dos participantes, que podem variar conforme as negociações.

Em abril, o Ministério da Fazenda já havia determinado o bloqueio de plataformas de mercados de previsão, incluindo a Polymarket. A medida teve como base uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que proibiu a oferta de contratos vinculados a eventos políticos, esportivos e de entretenimento.

A Anatel informou que iniciou o bloqueio dos domínios após a determinação da Fazenda. Em setembro, o assunto voltou ao radar das autoridades.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levou a questão à Advocacia-Geral da União (AGU), que acionou o Ministério da Fazenda, para avaliar medidas relacionadas à atuação da plataforma.

Outro episódio ocorreu nos dias que antecederam o bloqueio do perfil. Contas estrangeiras passaram a divulgar, no X, conteúdo relacionado à liderança de Flávio Bolsonaro nos mercados da Polymarket.

Ao menos algumas dessas publicações eram identificadas pela plataforma como parcerias pagas, embora não tenha sido informado quem financiou os anúncios.

O caso coloca em discussão os limites da divulgação, nas redes sociais, de dados produzidos por mercados de previsão sobre eleições. A discussão envolve também as regras brasileiras para propaganda eleitoral na internet.

A legislação estabelece condições específicas para o impulsionamento de conteúdo político e eleitoral e define quem pode contratar esse tipo de publicidade.

A empresa afirmou que respeita as autoridades competentes e cumpre as determinações dirigidas a ela em cada jurisdição. Também declarou estar aberta ao diálogo com autoridades e reguladores brasileiros.

O caso não significa que todo conteúdo relacionado à Polymarket esteja proibido no Brasil. As medidas das autoridades estão relacionadas à divulgação, nas redes sociais, de seus mercados de previsão, sobre eventos políticos e eleitorais.

 

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