quinta-feira, 22 de outubro de 2026 – 01h39

‘Ninguém cala o Nordeste’ ganha força após retirada do áudio de vídeo de Nikolas Ferreira

Publicação com depoimentos de moradores da Bahia ficou sem trilha sonora por questões de direitos autorais
Nordestinos experimentam, há décadas, dificuldades socioeconômicas no Brasil - Foto: LulaCastelloBranco/ NC

A retirada do áudio de um vídeo publicado, na terça-feira (20), pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), impulsionou o movimento “Ninguém Cala o Nordeste”, nas redes sociais. A mobilização surgiu após a suspensão do som da peça “O Nordeste que foi esquecido”, por questões de direitos autorais, segundo o Instagram. 

A expressão “Ninguém Cala o Nordeste” passou a ser utilizada em manifestações, feitas inclusive pelos próprios personagens do vídeo original, usando uma mordaça na boca. Frases como “Sou nordestina e querem me calar” passaram a circular em publicações na rede X.

A controvérsia teve início com a utilização da música “Grão de Areia”, do cantor e compositor Rubel, em parceria com Xande de Pilares, no vídeo original, divulgado pelo deputado. 

A Meta, empresa responsável pela plataforma, informou que a medida ocorreu após reivindicação relacionada a direitos autorais da música utilizada. O vídeo, sem o áudio, continuou acessível no perfil do deputado. A peça já ultrapassou 148 milhões de acessos, em 24 horas.

O vídeo reúne depoimentos de moradores da Bahia acerca de dificuldades econômicas e de acesso aos serviços públicos. A montagem utiliza relatos e questionamentos sobre promessas atribuídas a Lula, além de críticas aos governos do PT. 

Não foi identificado no vídeo em qual município o material foi gravado. Reportagens apresentam informações divergentes sobre a localização no estado. 

Nikolas afirmou em rede que o áudio foi suspenso por iniciativa do autor da música. 

“Senhora e senhores, confirmado. Quem reportou à produtora para poder derrubar e silenciar os nordestinos foi o Rubel. Este daí mesmo [aparece a imagem do compositor], que está fazendo o L. Afinal de contas, qual o teu medo de deixar o nordestino falar?”, disse o parlamentar reeleito.

A afirmação ganhou repercussão, porque o músico havia declarado apoio a Lula, na disputa presidencial de 2026. A posição política do artista foi incorporada ao discurso dos apoiadores do movimento, que passaram a relacionar a retirada do áudio à polarização eleitoral.

Até as últimas informações divulgadas sobre o caso, não havia confirmação independente de que Rubel tivesse apresentado pessoalmente a solicitação, que levou à retirada da trilha sonora. 

Por outro lado, de acordo com informações que circulam nas redes, a obra musical se encontrava disponível, na biblioteca de sons do Instagram, para ser utilizada em publicações.

A Lei de Direitos Autorais brasileira (Lei nº 9.610/1998) prevê, como regra, a necessidade de autorização dos titulares para a utilização de obras protegidas, ressalvadas as hipóteses previstas na legislação. 

As informações públicas disponíveis não esclarecem os detalhes sobre a solicitação, a cadeia de titularidade dos direitos, ou eventuais autorizações concedidas para usos específicos da composição.

O caso colocou em circulação duas interpretações distintas.

Nikolas e apoiadores do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), classificaram a retirada como censura, argumentando que a medida prejudicou a divulgação de críticas dos nordestinos ao governo federal. 

Já a plataforma justifica a suspensão do áudio devido aos direitos autorais da música, e não a uma decisão de impedir manifestações contrárias a Lula.

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