A retirada do áudio de um vídeo publicado, na terça-feira (20), pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), impulsionou o movimento “Ninguém Cala o Nordeste”, nas redes sociais. A mobilização surgiu após a suspensão do som da peça “O Nordeste que foi esquecido”, por questões de direitos autorais, segundo o Instagram.
A expressão “Ninguém Cala o Nordeste” passou a ser utilizada em manifestações, feitas inclusive pelos próprios personagens do vídeo original, usando uma mordaça na boca. Frases como “Sou nordestina e querem me calar” passaram a circular em publicações na rede X.
A controvérsia teve início com a utilização da música “Grão de Areia”, do cantor e compositor Rubel, em parceria com Xande de Pilares, no vídeo original, divulgado pelo deputado.
A Meta, empresa responsável pela plataforma, informou que a medida ocorreu após reivindicação relacionada a direitos autorais da música utilizada. O vídeo, sem o áudio, continuou acessível no perfil do deputado. A peça já ultrapassou 148 milhões de acessos, em 24 horas.
O vídeo reúne depoimentos de moradores da Bahia acerca de dificuldades econômicas e de acesso aos serviços públicos. A montagem utiliza relatos e questionamentos sobre promessas atribuídas a Lula, além de críticas aos governos do PT.
Não foi identificado no vídeo em qual município o material foi gravado. Reportagens apresentam informações divergentes sobre a localização no estado.
Nikolas afirmou em rede que o áudio foi suspenso por iniciativa do autor da música.
“Senhora e senhores, confirmado. Quem reportou à produtora para poder derrubar e silenciar os nordestinos foi o Rubel. Este daí mesmo [aparece a imagem do compositor], que está fazendo o L. Afinal de contas, qual o teu medo de deixar o nordestino falar?”, disse o parlamentar reeleito.
A afirmação ganhou repercussão, porque o músico havia declarado apoio a Lula, na disputa presidencial de 2026. A posição política do artista foi incorporada ao discurso dos apoiadores do movimento, que passaram a relacionar a retirada do áudio à polarização eleitoral.
Até as últimas informações divulgadas sobre o caso, não havia confirmação independente de que Rubel tivesse apresentado pessoalmente a solicitação, que levou à retirada da trilha sonora.
Por outro lado, de acordo com informações que circulam nas redes, a obra musical se encontrava disponível, na biblioteca de sons do Instagram, para ser utilizada em publicações.
A Lei de Direitos Autorais brasileira (Lei nº 9.610/1998) prevê, como regra, a necessidade de autorização dos titulares para a utilização de obras protegidas, ressalvadas as hipóteses previstas na legislação.
As informações públicas disponíveis não esclarecem os detalhes sobre a solicitação, a cadeia de titularidade dos direitos, ou eventuais autorizações concedidas para usos específicos da composição.
O caso colocou em circulação duas interpretações distintas.
Nikolas e apoiadores do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), classificaram a retirada como censura, argumentando que a medida prejudicou a divulgação de críticas dos nordestinos ao governo federal.
Já a plataforma justifica a suspensão do áudio devido aos direitos autorais da música, e não a uma decisão de impedir manifestações contrárias a Lula.




























