terça-feira, 20 de outubro de 2026 – 20h05

G1 publica informação falsa sobre Bolsa Família após entrevista de Daniella Marques à CBN Bahia

Campanha de Flávio Bolsonaro prevê regra de transição mais longa e possibilidade de retorno automático ao programa
Fala da coordenadora de campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, foi interpretada de forma equivocada pelo g1 - Foto: Lyon Santos/MDS

O portal de notícias g1, do Grupo Globo, publicou matéria dizendo que beneficiários do Bolsa Família perderiam o auxílio após dois anos, mesmo que não conseguissem emprego, em eventual governo Flávio Bolsonaro (PL). A afirmação foi atribuída à declaração de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do senador, em entrevista à CBN Bahia. No entanto, a informação  não correspondia ao conteúdo da fala da entrevistada. 

Após a repercussão, o veículo corrigiu a reportagem e reconheceu o erro na versão original. O texto inicial foi publicado às 10h48, na segunda-feira (19), – mesmo dia da entrevista da coordenadora à CBN Bahia -, e atualizado às 15h23. Na correção, o portal reconheceu que havia errado ao afirmar que os beneficiários seriam desligados do programa mesmo sem conseguir emprego e esclareceu o conteúdo da declaração de Daniella Marques.

Na entrevista, a coordenadora havia falado da criação de regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego com carteira assinada, ou decidissem abrir o próprio negócio. Segundo ela, a proposta também permitiria o retorno automático ao programa caso a tentativa de obter renda própria não desse certo.

“E principalmente quem está no Bolsa Família, vai ter uma regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada com uma regra de transição por dois anos e um retorno automático caso dê errado”, afirmou.

Pelas regras atuais do Bolsa Família, famílias que conseguem emprego podem permanecer no programa por até 12 meses, recebendo 50% do benefício, desde que atendam aos critérios de renda da Regra de Proteção. O prazo pode chegar a 24 meses para famílias que ingressaram na regra até junho de 2025, conforme as normas anteriores. 

A proposta apresentada pela equipe de Flávio Bolsonaro prevê retorno automático ao benefício caso a iniciativa para deixar o programa não dê certo. 

Atualmente, oprograma de transferência de renda prevê que as famílias que deixam o programa podem solicitar o Retorno Garantido em até 36 meses após o desligamento, desde que voltem a atender aos critérios exigidos. Esse prazo não representa um período de espera obrigatório, mas a janela para solicitar o retorno. 

O conteúdo  da matéria do g1 ganhou repercussão em meio ao debate eleitoral sobre o futuro dos programas sociais. A possibilidade de perda do Bolsa Família tem forte impacto político-social, especialmente entre famílias que dependem do benefício.

A informação também alimentou críticas de integrantes do campo político adversário de Flávio Bolsonaro. Camilo Santana, coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou a proposta durante a repercussão do caso. O caditato à Presidência da República precisou publicar vídeo, negando a intenção de retirar beneficiários do programa.

Comentário na GloboNews alimentou boato Nossa Senhora Aparecida

Outro episódio envolvendo o Grupo Globo ocorreu em setembro, quando um comentário no programa Em Pauta, da GloboNews, contribuiu para a repercussão de uma informação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A controvérsia envolveu um projeto de lei apresentado em 2007, pelo então deputado federal Victório Galli, que propunha alterar a denominação da padroeira. A iniciativa foi arquivada em 2008 e não tinha autoria de Flávio Bolsonaro. Não havia evidências de que o candidato pretendesse retomar a proposta em um eventual governo.

O assunto ganhou repercussão depois que a comentarista Maria Cristina Fernandes abordou, na GloboNews, um suposto movimento relacionado à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida. Trechos do comentário circularam nas redes sociais e passaram a ser utilizados para associar Flávio à iniciativa antiga, alimentando a narrativa de que ele pretendia mudar o reconhecimento da santa como padroeira do Brasil.

Diante da repercussão, a GloboNews apresentou uma retratação na madrugada de 25 de setembro, esclarecendo que a informação se baseava em um projeto antigo, já arquivado, e pedindo desculpas. A polêmica, entretanto, continuou no debate político e religioso, com acusações de disseminação de desinformação e manifestações públicas sobre o caso.

A Justiça Eleitoral também analisou publicações que relacionavam Flávio à suposta iniciativa. Em 30 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter a retirada de postagens falsas que vinculavam o candidato a um movimento para destituir Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil.

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