Uma informação falsa, envolvendo o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ganhou repercussão nas redes sociais, após um comentário exibido pela GloboNews. A narrativa afirmava que setores evangélicos, ligados ao senador, estariam articulando um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio negou a acusação e afirmou que não existe proposta de sua autoria ou articulação nesse sentido.
A origem da confusão está no Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Victório Galli. O texto pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto, porém, foi rejeitado e arquivado pela Câmara dos Deputados, em agosto de 2008, e não está atualmente em tramitação.
A informação voltou ao debate na noite de quinta-feira (24), depois de a jornalista Maria Cristina Fernandes mencionar, no programa Em Pauta, um suposto movimento de setores evangélicos para retirar da santa a condição de padroeira. O comentário passou a circular nas redes associado à candidatura de Flávio Bolsonaro, embora não houvesse registro de que ele tivesse apresentado ou apoiado propostas com esse objetivo.
Diante da repercussão, a GloboNews apresentou uma correção na edição da meia-noite e reconheceu que o projeto mencionado era de 2007 e havia sido arquivado em 2008. A emissora pediu desculpas pelo erro. Flávio compartilhou a retratação e voltou a negar qualquer intenção de alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
Jair Bolsonaro
A associação entre a família Bolsonaro e supostas ações contra a proclamação de Nossa Senhora Aparecida não é recente. Em 2018, circulou uma montagem, que atribuía a Jair Bolsonaro a iniciativa de alterar a representação da santa, inclusive com referência à mudança de cor da imagem. A informação foi desmentida na época. Não havia registro de que Bolsonaro tivesse apresentado ou apoiado tal proposta.
Em 2022, durante a campanha presidencial, voltou a circular uma publicação falsa, atribuída ao então presidente, na qual ele supostamente anunciava o fim do feriado de 12 de outubro e a criação de um grupo de trabalho para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil. A publicação não existia nos canais oficiais do governo e não havia evidências de que ele tivesse defendido a medida.
O histórico público de Jair Bolsonaro registra manifestações em sentido contrário. Em 12 de outubro de 2021, durante participação em celebração no Santuário Nacional de Aparecida, ele fez a primeira leitura da missa e participou da cerimônia religiosa. Em outubro de 2022, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro voltou a realizar um ato de consagração do Brasil à Nossa Senhora Aparecida.
A consagração realizada por Bolsonaro não altera a natureza constitucional do Estado brasileiro, que permanece laico, nem modifica o reconhecimento religioso anterior. O episódio, contudo, faz parte do registro público de sua relação com a devoção católica e contrasta com as informações falsas que, em diferentes períodos eleitorais, atribuíram a ele ou a seus filhos medidas contrárias à consagração nacional.




























