sábado, 19 de setembro de 2026 – 06h03

Lula compara vermelho do PT ao ‘sangue de Cristo’ e inflama debate eleitoral com cristãos

Afirmação ocorreu em reunião com cerca de 30 pastores e líderes evangélicos
Lula está no seu terceiro mandato à frente do Executivo federal - Foto: Reprodução/VídeoCanalGOV

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou a  cor vermelha da bandeira do Partido dos Trabalhadores ao sangue de Cristo. A declaração foi feita na quarta-feira (16), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), durante reunião com cerca de 30 pastores e líderes evangélicos.

Para o cristianismo, o sangue de Cristo é símbolo de máxima sacralidade e representa o sacrifício de Jesus. É ainda a base de sacramentos, como a Eucaristia. A analogia com a legenda partidária gerou fortes reações entre fiéis e lideranças religiosas.

De um lado, os pastores aliados, presentes no encontro, defenderam as falas como metáforas didáticas, da época da fundação do PT, um partido de esquerda. Segundo o grupo, os argumentos serviam para vencer preconceitos e aproximar a militância das bases católicas progressistas, que participaram das origens da sigla.

Por outro lado, setores conservadores católicos, além de evangélicos e da oposição, classificaram as declarações como instrumentalização política do sagrado com fins eleitoreiros. Críticos usaram as redes sociais para acusar o governo de desrespeito à fé e de oportunismo contra a rejeição à sigla partidária.

Cientistas políticos avaliam que o uso de símbolos sagrados funciona como um atalho cognitivo a fim de gerar confiança rápida no eleitorado. No entanto, alertam que a estratégia tensiona o princípio do Estado Laico e aprofunda a polarização, afastando o debate das propostas práticas.

O vermelho é a cor mais associada universalmente ao comunismo russo. Sua origem, anterior à Revolução Russa de 1917, simbolizava o sangue derramado pela classe trabalhadora, na luta contra a opressão e a monarquia. Com a revolução e a fundação da antiga União Soviética (URSS), os bolcheviques adotaram a bandeira totalmente vermelha, como símbolo oficial do Estado. 

Na mesma reunião, ao relatar as resistências que enfrentava na década de 1980, o presidente afimou que utilizava de justificava religiosa para defender a sua aparência. Quando as pessoas o questionavam por usar barba, ele respondia dizendo que “Jesus Cristo era barbudo”.

Muitos dos principais teóricos e líderes revolucionários comunistas, como Karl Marx e Friedrich Engels, criadores do comunismo científico, eram barbados. O fato ajudou a criar, no imaginário popular mundial, o estereótipo do “comunista barbudo”. 

Na Revolução Cubana de 1959, as barbas tornaram-se símbolo de resistência e identidade, como as usadas por Fidel Castro e Che Guevara. No entanto, entre os governantes de grandes regimes comunistas, a barba deu lugar a bigodes ou rostos completamente raspados. 

Na mesma ocasião , o chefe do Executivo federal assegurou que a estrela do PT estava associada aos grandes navegadores. A estrela de cinco pontas é um dos símbolos mais tradicionais e universais do comunismo e do socialismo.

A interpretação mais comum indica que as cinco pontas representariam os cinco continentes – América, Europa, Ásia, África e Oceania -. Também seriam símbolos das cinco classes, que compunham e defendiam a nova sociedade socialista: operários, camponeses, militares (responsáveis pela defesa), intelectuais e jovens.

Veja a fala de Lula:

“Passei anos tendo que explicar a cor da bandeira do meu partido, eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira. Depois, questionaram a estrela do meu partido, e passei a vida inteira mostrando que os grandes navegadores da história da humanidade utilizavam a estrela como guia para atravessar os mares. Depois, passei a explicar a minha barba. Por que eu tinha barba? Eu falava que Jesus Cristo era barbudo”, disse.

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