quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 – 12h25

O Quarteto Fantástico do Carnaval: Raul, Anfrízio, Maduro e Calazans

Folhetim
O quarteto Fantastico, fantasiado no carnaval - Foto: ArquivoPessoal

E chegou o grande dia, Sábado de Zé Pereira, é Carnaval! E do lado dos Calazans – que tem no DNA o carnaval através de José Luiz Rodrigues Calazans, o Jararaca, compositor da marchinha mais tocada de todos os tempos – carnaval é levado a sério, é amor verdadeiro.

Lá em casa, o reinado de momo começava logo após o “São João”. As tratativas e estratégias para montagem das fantasias, além das visitas, começavam com muita antecedência. Minhas primeiras lembranças eram de fantasias improvisadas com os vestidos e acessórios (sombrinhas, meias, colares, lenços) das esposas, irmãs, vizinhas, que cediam para montar o visual daquele carnaval.

Com a influência da TV, os programas e as novelas passaram a servir de inspiração: lembro deles encarnando Anjo Mau, Frenéticas, Planeta dos Macacos, Irmãs Cajazeiras e por aí vai. Tudo isso era planejado em diversas reuniões, que geralmente aconteciam em nossa casa. Mamãe era mais maleável, gostava daquele alvoroço deles, planejando todos os detalhes. Acredito também que uma era estratégia dela, uma forma de participar e de ficar sabendo o que eles iriam fazer durante dias em que estavam pelas ruas. Mansamente, ela tinha o controle sobre eles.

Fotos: ArquivoPessoal

O quarteto fantástico – Raul, Anfrízio, Maduro e Calazans -, para ter êxito em sua empreitada carnavalesca, contavam também com o apoio dos amigos Cleto Marques Luz, Antônio Marques Luz, Carlos Alberto Ferreira, Carlito Pacheco (Bacurau), que ajudavam na logística.

Era uma verdadeira batalha. Quem tinha facilidade de ir aos grandes centros (Rio / Recife) procuravam por novidades para incrementar as fantasias. Quem ficava por aqui ia fazendo a agenda, otimizando o tempo e o percurso das visitas para o domingo e a terça de carnaval, os dias em que eles saiam.

A saída era sempre da nossa casa, na Praça Guimarães Passos, no bairro do Poço. Era uma festa! A vizinhança curiosa de saber qual a fantasia daquele ano. Ah… o tema era sempre mantido em segredo, apenas revelado na hora em que saiam de casa. Como nada neste mundo é para sempre, o primeiro a se despedir do grupo foi o Anfrízio. Um baque para todos, ficaram os três, não quiseram substituto, e alegria continuava. Mais um tempo, Raul adoeceu e não teve condições de acompanhar os outros dois.

E, agora, eu já adolescente, estava em Paripueira e vejo uma placa de papelão em destaque na multidão, que se formava nos carnavais de rua da cidade, no início dos anos 80. Nela estava escrito “Esse ano só nós dois”. Lá vinham Maduro e Calazans (papai), amarados por uma corda para não se perderem no meio do povo. Saudosos dos amigos, que não podiam mais acompanhá-los, resolveram homenageá-los da maneira mais singela e sincera que podiam, com alegria.

Todas essas lembranças não só nos deixaram o exemplo do amor pelo carnaval, como também a amizade, que perdura além dos três dias de folia. Eles eram fantásticos e inseparáveis! Nossas famílias mantêm laços até hoje.

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