quinta-feira, 13 de agosto de 2026 – 20h54

O Roubo do Opala Vermelho

Histórias do Velho Capita
Foto: Reprodução

Emílio é engenheiro, trabalhador e inteligente, homem realizado e casado com Sandra, advogada, procuradora do Estado. Formam um belo casal de bem com a vida, se amam, fizeram três bonitos filhos.

Só existe um probleminha: Sandra padece de um mal incurável, é desligada, distraída. O que já perdeu de óculos e celulares, dava para montar uma loja.

Há algum tempo, quando os carros eram coloridos, Sandra deu uma batida em seu carro, distração. Enquanto consertava, pegou um emprestado na loja de carros usados de seu irmão. Ele cedeu um Opala Vermelho, velho. Sandra chegou em casa com o carro emprestado. Na quarta-feira de manhã Sandra foi fazer a feira no supermercado, precisava abastecer a casa na praia de Barra de São Miguel na semana santa.

Depois de todas as compras possíveis no supermercado, cheia de pacotes nos carrinhos, ficou a procura de seu carro no estacionamento, nunca lembrava onde estacionava. Até que viu ao longe um Opala vermelho. A porta estava meio emperrada para abrir, mas conseguiu, colocou as compras no banco traseiro, deu o arranque e foi para casa.

Na hora do almoço, Emílio combinou para ela ir à Barra na frente, as crianças estavam ansiosas. Ele só desocupava no dia seguinte, tinha muito trabalho em casa. Era melhor ela viajar no seu carro, um belo Toyota. Ele ficava com o Opala emprestado.

Na quinta-feira, logo após o almoço, Emílio com dificuldade deu a partida no Opala, em direção à Barra, satisfeito da vida, dentro de uma velha bermuda e uma camisa leve, mais velha ainda. Esqueceu o celular, até que achou uma boa, não ser incomodado para resolver problemas, os sócios que se virassem, queria curtir o feriadão sem problemas, sem aporrinhação. Amava sua casa, sua praia, sua mulher, sua família.

Quando passou pelo Posto Policial de Marechal Deodoro, um guarda mandou parar. Ele prontamente obedeceu, mostrou as carteiras e os documentos do carro que estavam no porta-luvas. O guarda examinou, olhou nos olhos de Emílio.

– Por favor queira saltar, esse carro é roubado.

Emílio ficou surpreso e incrédulo olhando para o guarda, dirigiu-se para o interior do Posto. Tentou se explicar, dizendo ser engenheiro, que o carro era do cunhado, tinha emprestado à sua esposa. Muita explicação dá para desconfiar. O policial pediu a carteira de engenheiro. Ele não usava, ficava em casa guardada. O policial pelas roupas que Emílio vestia, desconfiou, era suspeito. Mandou aguardar, chamou o Detran, o Departamento de Furto, ele que esclarecesse os fatos a esses senhores. Sem o celular, não dava para Emílio se comunicar, achou que resolveria a bronca.

Ficou à espera do Detran, enquanto xingava o cunhado por ter emprestado um carro roubado. Quase duas horas depois, apareceu o pessoal do Detran. Emílio prestou os esclarecimentos, mas não teve muito crédito. Os policiais pediram para recolher o carro e que ele o acompanhasse até o Detran. Emílio foi dirigindo o Opala com um policial ao lado, e atrás, escoltando, um carro da Polícia.

No Detran teve que se explicar de novo a outros policiais, que o acharam também suspeito, mandaram aguardar, estavam se comunicando com o proprietário do carro. Emílio estava fulo de raiva do cunhado, sem poder comunicar-se com ninguém; suspeito, os policiais não deixaram telefonar. Um policial, disse ter certeza que ele pertencia a uma quadrilha de puxadores de carro, que atuava em Arapiraca.

Esperou até chegar o proprietário do Opala vermelho, um cidadão magro cheirando a cachaça, feliz por ter encontrado seu santo carro.

O proprietário foi a fonte salvadora, esclareceu o acontecido: ele estacionou o seu Opala no supermercado, quando Sandra viu um Opala vermelho, pensou ser o dela. Sua chave abriu a porta e deu a partida, foi embora levando o carro alheio. O Opala dela ainda está estacionado no supermercado, ele viu.

Tudo esclarecido, desculpas pedidas de ambas as partes, Emílio partiu num táxi ansioso para Barra, estava anoitecendo. Queria chegar logo, irado com a distração de Sandra. Ninguém iria acreditar. Ao chegar na Barra, Sandra brincava com as crianças na calçada quando o táxi parou em frente a sua casa. Sandra não notou a fisionomia do marido, na maior alegria perguntou.

– Porquê chegou a essa hora? Não sabe o que perdeu, a praia hoje estava maravilhosa!!!

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