quinta-feira, 21 de maio de 2026 – 13h56

Embrapa viabiliza projeto inédito do plantio de tâmaras no Nordeste

Com apoio dos Emirados Árabes, iniciativa promove a espécie no semiárido baiano
Foto: frimufilms/Freepik

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) viabilizou o plantio de tâmaras no Nordeste. O projeto pioneiro, que conta com o apoio de empresas alimentícias dos Emirados Árabes (EAU), pode representar um caminho para a popularização do consumo da espécie no país. A Embrapa já avaliou espécies com bom desempenho no solo nordestino nas décadas de 1980 e 1990. O projeto não avançou devido às dificuldades em identificar as plantas macho e fêmea, essencial para a produção comercial. Agora, os EAU enviaram 110 mudas de 12 espécies diferentes de tamareiras para a Embrapa, que estão sendo liberadas para plantio no estado da Bahia, onde o clima semiárido presenta características semelhantes aos ambientes desérticos.

O objetivo é testar a viabilidade comercial da cultura. Aproveitando as condições climáticas da região para impulsionar o cultivo local e explorar oportunidades de exportação para os grandes mercados consumidores. Com uma irrigação adequada, o cultivo pode ser acelerado, antecipando a produção e, consequentemente, o retorno financeiro. “Produzir tâmaras no Brasil em um tempo até menor do que nos países de origem traz um ganho considerável para os agricultores e para o desenvolvimento do semiárido”, destacou a chefe-geral da unidade Embrapa Semiárido, Maria Auxiliadora Coêlho de Lima. 

A iniciativa tem o potencial de agregar valor à economia da região ao adaptar essas plantas de clima desértico ao contexto nordestino. O governo da Bahia está engajado em promover esse cultivo como um projeto piloto, incentivando a produção sustentável de tâmaras durante todo o ano, e se destacar como novo polo produtor de tâmaras. “Hoje, com as tecnologias de irrigação no solo do semiárido, conseguimos frutos de forma mais rápida”, explicou a chefe-geral. 

A parceria visa dar suporte técnico e criar um protocolo detalhado de avaliação. Desse modo, permitindo que o cultivo de tâmaras no semiárido baiano ocorra com bases científicas sólidas. Além disso, o objetivo é beneficiar tanto os pequenos quanto os grandes produtores. “O semiárido nordestino precisa de atividades competitivas para aumentar a renda dos produtores locais, e a tâmara, um produto de alto valor agregado, tem tudo para desempenhar um papel importante nesse contexto”, afirmou a especialista. 

Quais as condições para o Nordeste plantar tâmaras?

AspectoDetalhes
Clima IdealÁrido e semiárido, com temperaturas entre 25°C e 35°C. Necessita de clima quente e seco para melhor desenvolvimento.
Necessidade de ÁguaBaixa a moderada, mas o uso de irrigação é recomendado para garantir produtividade e qualidade dos frutos.
SoloSolo arenoso ou levemente argiloso, com boa drenagem e moderada fertilidade. O pH ideal é entre 6 e 8.
Espaçamento8 a 10 metros entre as plantas para garantir um bom desenvolvimento e facilitar a colheita.
Tempo de ColheitaEm média, 4 a 7 anos após o plantio para alcançar produção significativa.
ColheitaFeita manualmente; os frutos são colhidos em diferentes fases de maturação, dependendo do tipo de tâmara.
Variedades PopularesMedjool, Deglet Noor, Khalas, Barhi, entre outras.
ProdutividadeEm condições ideais, uma tamareira pode produzir entre 60 e 100 kg de tâmaras por ano.
MercadoAlto valor agregado, principalmente em mercados como EUA, Europa, e alguns países árabes.
Benefícios EconômicosAlta rentabilidade, gera empregos na região e é uma cultura de longo prazo.
Benefícios AmbientaisAdaptada ao clima seco, contribui para a conservação do solo e utilização eficiente da água.
Principais DesafiosDemora na produção inicial, manejo específico de irrigação, seleção de plantas femininas e masculinas.

*Com informações no portal NE9

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