Há exatos 91 anos, em 07 de abril de 1933, foi exibido, pela primeira vez, na sala do Cinema Capitólio, no Centro de Maceió, o filme “Casamento é Negócio?”, de Guilherme Rogato, considerado o primeiro longa-metragem produzido em Alagoas. Mudo e monocromático, legendado (letreiros) no original, em péssimo estado de conservação, o filme, que resiste ao tempo, ainda preserva imagens da arquitetura dos bairros e das lagunas de Maceió, num drama que evidencia o início da prospecção de petróleo na cidade.
O filme “Um Bravo Guerreiro”, faroeste nordestino, que ficou pronto e chegou a ser projetado nos municípios de Maceió e Pilar, foi produzido em 1931 em Palmeira dos Índios, sendo, portanto, o primeiro longa-metragem realizado em Alagoas. Numa história que merece ser ela mesma tema de filme: o diretor Edson Chagas, pernambucano, após as únicas projeções de que se ouviu falar, voltou para Recife, levando o único rolo de gravação, que está sumido até hoje. Muito pouco se conhece a respeito dessa única fita produzida, o que dá a “Casamento é Negócio?” o título de pioneiro no cinema alagoano.
Assista ao filme “Casamento é Negócio?”.
Casamento é Negócio? – 1933
Sinopse e ficha técnica do filme, disponível no endereço http://cinemateca.org.br
“Uma moça (Morena), à espera de um bonde, aceita carona de um cavalheiro insistente que, já à porta da casa dela, a convida para um passeio no domingo. Ela aceita, e se despedem.
Moacyr, rapaz apaixonado por Morena, consegue marcar um encontro com ela para depois da missa de domingo.
Moacyr chega atrasado à refeição na casa dos pais, desculpando-se e incriminando os negócios que lhe tomam o tempo. Entusiasmado, fala da descoberta de petróleo em Riacho Doce, mas recebe do pai apenas um sinal de descrença. Quando sai, o pai reclama da armação de mais um ‘conto do vigário’.
Numa bela praça pública, um homem humilde pede fósforo a um estrangeiro (como se saberá depois), de barba, com aparência de rico, que lhe propõe uma forma de ganhar dinheiro. Para tanto,o ‘mendigo’ deve aguardar instruções, mantendo sigilo absoluto. Como recompensa inicial, receberá uns ‘trocados’ bastante ‘graúdos’.
No domingo, o cavalheiro do início do filme espera ansioso a chegada de Morena à Lagoa Manguaba. Juntos, pegam um barco e no passeio, ele chama a atenção sobre o Pontal da Barra, para as paisagens das margens e aponta para a bela vegetação de coqueiros. Ao descerem, próximos a uma árvore onde se lê o poema “Velho tronco”, ele a pede em casamento. Contentes, fazem juras de amor e tornam a passear, abraçados.
Em outra praça pública, dois senhores se encontram. Um deles se gaba de ter comprado ações da Companhia de Petróleo. O outro ridiculariza sua decisão.
Na saída da missa, Morena retorna à sua casa acompanhada de Moacyr, que a pede em casamento. Ela recusa, acusando-o de pobretão e demonstrando possuir ambições na vida.
Em uma agitada rua comercial, Moacyr, no interior de um estabelecimento comercial, compra um jornal, fica exultante e leva a notícia para a mãe, que tricoteia diante de uma máquina de costura: ‘A Companhia de Petróleo Nacional S.A. oferece ações para subscritores’. Moacyr expõe a idéia de vender a casa para a compra das ações, mas a mãe recomenda cautela. A Companhia de Petróleo convida a população para o jorro do primeiro jato do ‘ouro negro’.
O mendigo caminha por um longo trecho até se encontrar com o veículo em cujo interior se encontra o senhor ‘estrangeiro’, a quem chama de patrão. Combinam a sabotagem do evento programado pela Companhia Petróleo Nacional. Prepara-se a explosão da torre de petróleo. Um guri, escondido, ouve a conversa. O ‘mendigo’ recebe uma bomba dentro de uma maleta. Próximo à torre de petróleo, Moacyr aguarda, nervoso, a hora de inauguração. O menino, correndo, o avisa do golpe e denuncia o ardil do ‘estrangeiro’. O ‘mendigo’, com dificuldade, consegue acender o pavio, mas Moacyr e o garoto chegam a tempo de evitar o acidente. Um rapaz traz a notícia do primeiro jorro de petróleo. Morena recebe a visita do noivo. Moacyr chega afoito, mas se mantém incógnito ao ver Morena saindo com o cavalheiro. Para procurar na distância o abrandamento de sua dor, conforme afirma uma cartela, Moacyr resolve abandonar a cidade. Despede-se dos pais e parte. Na varanda da casa, sua mãe chora e o pai a consola perguntando se, afinal, ‘hoje em dia casamento é negócio'”.
Categorias
Curta-metragem / Silencioso / Ficção
Material original
35mm, BP, 16q
Data e local de produção
Ano: 1933
País: BR
Cidade: Maceió
Estado: AL
Data e local de lançamento
Data: 07/04/1933
Local: Maceió – AL
Sala(s): Capitólio
Exibição especial: 1933.04.03
Local exibição especial: Maceió – AL
Sala(s): Capitólio
Gênero
Drama
Produção
Companhia(s) produtora(s): Gáudio Filmes
Produção: Rogato, Guilherme
Argumento/roteiro
Roteiro: Rogato, Guilherme
Direção
Direção: Rogato, Guilherme
Co-direção: Lima, Etelvino
Fotografia
Operador: Rogato, Guilherme
Direção de arte
Cenografia: Rogato, Guilherme
Letreiros: Paurílio, Carlos
Locação: Praça Deodoro, Maceió; Sítio Leopoldis, Maceió; Praça D. Pedro II, Maceió; Lagoa Manguaba, Maceió
Identidades/elenco:
Silveira, Bonifácio (Velho)
Girard, Luis
Miranda, Moacir
Cruz, Josefa (Velha)
Fragoso, Agnelo (Vagabundo)
Vieira, Orlando
Montenegro, Armando
Ramalho, Antônio Portugal
Mendonça, Morena
Jucá, Cláudio
Fonte: http://cinemateca.org.br





























