segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026 – 18h56

Desassossego do Coração!

Queridos Leitores, ‘Quando chega o verão é um desassossego por dentro do coração…’ já dizia Dominguinhos, mas aí vocês me perguntam: mas não é inverno aí onde você está? É sim, mas o desassossego do coração não sabe disso… rsrs Vejo com tristeza tudo que tem acontecido com minha cidade natal e mesmo no inverno […]

Queridos Leitores,

‘Quando chega o verão é um desassossego por dentro do coração…’ já dizia Dominguinhos, mas aí vocês me perguntam: mas não é inverno aí onde você está?

É sim, mas o desassossego do coração não sabe disso… rsrs

Vejo com tristeza tudo que tem acontecido com minha cidade natal e mesmo no inverno o coração fica desassossegado, mas não vou falar disso pois não me acho capacitada para tal, mas vou falar dos desassossegos do coração.  Ontem fui no hospital fazer uma mamografia para ver como anda minha saúde. Os resultados só saem em Janeiro, porém  o desassossego começa quando recebo a primeira mensagem sobre isso, depois vem a carta e depois os lembretes. Tento não pensar, mas encarar o hospital, aquelas máquinas e tudo que isso envolve é inevitável não ficar desassossegada! Ao mesmo tempo, penso positivo e tento focar em outros desassossegos do meu coração e hoje quero contar aqui uma aventura de verão que foi um desassossego no meu coração do tipo que o Dominguinhos fala.

O Pier de Brighton

Desde o meu diagnóstico eu nunca mais pensei em amores, paqueras, flertes, namorados, a doença não deixa, o foco tinha que ser em mim, e ultimamente tenho sentido falta disso, de sentir aquele friozinho na barriga, de ser desejada e principalmente me sentir sexy, então como não tem nada novo nessa área de minha vida, vou contar um ‘causo velho’ que me colocou nas nuvens há quase 10 anos atrás.

Em 2004, através de um amigo eu consegui um emprego para ser secretária de um arquiteto. Quando fui na entrevista achei-o educado e muito interessante e que tinha uma voz que deixava meu joelho meio fraco.  Comecei a trabalhar para ele e nem pensava mais na minha primeira impressão dele pois tinha conhecido David e as coisas estavam indo muito bem.

O tempo fechando
A moto e Phillip abastecendo! As fotos são do celular

Um belo dia, estava eu e David assistindo televisão e eu recebo uma mensagem dele dizendo que queria me ver. Achei estranho, e perguntei porque essa vontade de me ver, então ele abriu o verbo e disse que quando eu trabalhava com ele, ele sempre ia para as obras pois tinha que se conter para não dizer que tinha uma atração por mim. Eu fiquei meio que em choque. Nos dias que se seguiram ele continuava insistindo em me ver, até que eu topei. Então no dia ele manda o endereço do lugar, era um hotel, e o número do quarto. Eu desmarquei na última hora, pois já tinha dito para ele que estava apaixonada por David e pronto.

Mais anos se passaram, minha relação com David estava chegando ao fim, não por minha vontade, eu continuava tentando, mas não consegui salvar e eu e Phillip sempre conversávamos por mensagem, quando surgiu o WhatsApp estávamos sempre batendo papo. Eu o admirava pois sempre colocava sua filha em primeiro lugar, mesmo não estando mais com a mãe da menina. Depois que minha relação com David acabou tivemos uns encontros, mas nada além disso. Em 2013 ele conheceu uma pessoa e nós perdemos o contato um do outro.

O antigo Pier que incendiou e só sobrou a estrutura

Em 2014, um certo dia, eu vi no meu celular que alguém tinha me ligado, mas não deixou mensagem, e nessa época eu era curiosa então liguei de volta e era ele dizendo que tinha ‘ligado por engano’, acho que um número novo ou eu tinha apagado o número dele dos meus contatos, não sei. Bom, começamos a conversar de novo e ele me pediu para tirar umas fotos dele para o perfil do LinkedIn , então marcamos e depois disso voltamos a ser amigos.

Aquele ano, 2014, foi um ótimo ano para mim, eu tinha terminado de escrever, publicado e lançado meu primeiro livro. Estava me divertindo muito no melhor emprego da minha vida, o Phillip tinha voltado a ser meu amigo. Eu estava perto de completar 50 anos e a vida estava plena.

Selfie com a câmera
Philip relaxando e trabalhando!

Então no começo de Julho eu sofri o acidente bizarro que me tirou um pouco daquela plenitude. Eu comecei a  pensar que tinha que agarrar a felicidade que estava ali na minha frente e comecei a valorizar muito mais tudo na minha vida. Eu dei mais valor à minha amizade com David, meu ex. Eu também resolvi abrir mais meu coração e deixar novas pessoas aproximarem-se de mim. Phillip começou a vir me ver no trabalho com frequência, apesar da namorada dele, eu não me importava pois era sua amizade que me interessava. Eu pensei que ele estava feliz só com a amizade, e o fato de ele ir me esperar depois do trabalho pelo menos uma vez por semana era o que me fazia pensar isso, e eu gostava disso. Ele gostava de escutar minhas estórias. Eu estava muito feliz desde o lançamento de meu livro e recebendo críticas fantásticas o que me fez sentir especial por ter criado uma coisa especial. Eu ainda duvidava que eu escrevi um livro, ainda mais esse livro sendo lido por outras pessoas e gostando do que eu escrevi. Posso até dizer que eu me senti empoderada ( apesar de achar essa palavra chatérrima), mas sim, era uma felicidade que nunca tinha sentido, que com toda insegurança eu me sentia muito confiante.

As cores de Brighton!

Meu carro deu perda total e porque eu já tinha recebido o dinheiro do seguro eu tinha um prazo para comprar outro carro até que me tirassem o carro de aluguel. Eu fui num lugar perto de Brighton para ver um carro, eu gostei dele e deixei um depósito para ir buscar o carro no dia seguinte.

De repente eu recebi uma mensagem do Phillip, perguntando o que eu estava fazendo naquele momento e o que eu ia fazer no outro dia. Eu estava de folga do trabalho mas tinha que voltar no dia seguinte para buscar o carro, então eu perguntei se ele queria me levar no lugar para eu pegar o carro, ao invés de ir de trem, e para minha surpresa ele disse que sim e eu mais uma vez sugeri da gente ir de moto,  e ele topou. Fazia tempo que ele me prometia pra gente dar umas voltas de moto.

No retrovisor e em Brighton
Phillip trabalhando, de novo…

Quando estava voltando pra casa David me ligou para me dizer que o carro que eu ia comprar era roubada, ele checou a placa e viu que o carro tinha sido perda total em um acidente e que o seguro ia ser caríssimo e que eu tinha que voltar para pegar meu depósito de volta. Eu entrei em pânico, pois confesso o lugar não parecia ser muito ‘legal’ , então eu liguei pra Phillip para cancelar e que eu estava voltando para pegar meu depósito  para não ter que voltar lá no outro dia, então ele me disse para não voltar lá que ele me levaria lá no outro dia para pegar o dinheiro e depois a gente podia ir almoçar em Brighton e de moto. Na verdade eu adorei a ideia dele pois estava com medo de voltar no lugar sozinha.

Dessa vez o passeio de moto ia rolar, eu estava sem acreditar pois ele já tinha prometido várias vezes e de última hora ele chegava de carro com uma desculpa ou outra, então eu nem botei muita fé no passeio de moto…rsrs. No dia seguinte, me aprontei e também levei minha câmera, é lógico! Combinamos de nos encontrar na estação de trem perto de onde ele morava. Ele apareceu na hora que combinamos rsrs, pois como todo bom arquiteto, ele atrasa em tudo. (David também sempre atrasa). Eu realmente não sabia se estava excitada, feliz ou somente surpresa do jeito que ele estava me tratando, o que me deixou um pouco nervosa. Ele parou tirou o capacete, me deu um abraço, me deu outro capacete e luvas. Vesti minha jaqueta de couro e coloquei minha mochila no bagageiro da moto.

A chuva no horizonte !

Antes de seguir viagem ele colocou gasolina na moto, depois fomos no supermercado comprar tampões para os ouvidos, pois o barulho da moto pode prejudicar a audição, na minha cabeça aquela preparação toda estava aumentando a minha vontade de subir naquela moto e deixá-lo me fazer voar. Deixar minha imaginação solta na velocidade e no vento. Me sentir livre como ele e com ele!

Quando eu me dei conta para o fato de que aquele passeio de moto tava acontecendo mesmo eu surtei um pouco. Pensei no acidente e por um momento pensei em pedir a ele para parar pois eu estava com medo, mas no mesmo momento eu senti meu coração se encher de coragem e tirei os pensamentos ruins da cabeça e me concentrei na emoção de estar em cima de uma moto, e que era garupa dele, o cara que eu tinha atração por mais de 10 anos.

Parte do Pier de Brighton

Eu assisti todos os movimentos que ele fez, eu sabia o que ia acontecer quando ele calculava para ultrapassar um carro, e quando a gente chegou na estrada eu senti vontade de gritar. Por causa dos tampões nos ouvidos , todos os sons pareciam bem distante e isso me deu a sensação de que eu estava num sonho. Um sonho com o homem que eu sonhei.

Chegamos no lugar para pegar meu depósito. Eu me senti protegida pois ele estava comigo me protegendo, e ele sabia que eu gostava dessa sensação e quando aquela tensão acabou eu dei um abraço nele e um beijo no rosto, mas ele virou e terminamos dando um selinho. Esse selinho foi como um choque por todo meu corpo. Realmente fiquei confusa em estar sentindo tanta coisa ao mesmo tempo, acho que era mais que uma atração física. E como não queria ficar pensando nisso agora, simplesmente relaxei pra curtir aquele presente de aniversário que ele estava me dando, um passeio de moto com ele!

Brighton

Quando finalmente chegamos em Brighton, eu não conseguia parar de sorrir. Eu estava pronta pra dar o bote e dá-lhe um beijo e gritar para o mundo ouvir que ele estava me dando o melhor dia de minha vida, mas eu , bem bestona só agradeci por aquele presente que ele estava me dando. O telephone dele tocou, e era trabalho, então ele foi atender e eu peguei minha câmera e comecei a fotografar. Eu tentei me afastar o mais que pude, mas não consegui ir longe, parecia que tinha uma força que não deixava a gente ficar muito longe. Quando ele terminou no telefone ele me abraçou por trás me dando um susto, então ele me chamou para gente achar um restaurante para almoçar e enquanto a gente conversava ele fez o que eu queria ter feito quando chegamos em Brighton e me deu aquele beijo, a maior surpresa foi que ele sempre teve muito controle, e de repente a gente está se agarrando ali no meio da muvuca de Brighton. Vou dizer, por um momento pensei que estava num filme, na praia (essa praia não tem areia, são pedras) num beijo com uma tensão sexual que me fez até escutar a trilha sonora…. Rsrs

Corta a cena, depois de comermos fomos dar mais um rolê pra tomar um sorvete, porque ir para praia nesse pais, faça frio ou calor, tem que se tomar sorvete. Sentamos ali conversando, olhando o tempo mudar, vendo as nuvens chegarem. Tínhamos que esperar a chuva passar ai eu pensei: ate São Pedro está do meu lado! Eu não queria que o dia acabasse.

Na volta ele decidiu voltar por outro caminho, o que no Brasil seria uma via expressa, e esse volta foi só de velocidade, bom demais!

Eu e Phill tomando sorvete e pouco antes de voltar!

Ao chegar na estação, desci da moto, tirei o capacete e as luvas dei pra ele, ele me deu minha mochila e de repente nos olhamos com seriedade. O sonho tinha acabado. Nós nos despedimos, mas no fundo depois desse dia as coisas entre nós ia mudar, pois agora a gente sabia o quanto a gente queria um ao outro!

Sim, tivemos um caso muito rápido, e para não estragar o fim eu vou terminar aqui. Como sempre fizemos, desaparecemos da vida um do outro, mas depois algo acontecia e entrávamos em contato de novo. No dia em que mamãe se foi, ele foi se encontrar comigo onde estava meu carro e dirigiu até St. Albans, David foi levá-lo de volta para ele pegar o carro dele.

O Céu nesse dia estava apaixonante!

Pouco antes do fechamento dos países, por causa do covid ele foi para Tailândia e agora mora lá. Nossa amizade acabou, não falamos mais como falávamos antes, e apesar de eu ter me apaixonado por ele por causa do passeio de moto, não tive meu coração partido por ele, tudo que aconteceu me fez enxergar melhor quem era ele e eu passei a não gostar daquela pessoa. Nós tivemos relacionamento como patrão e empregado, nós fomos amigos, nós fomos amigos com benefícios e por um breve momento fomos amantes, mas como todo mundo muda, e eu mudei e ele também, acredito que foi isso que nos afastou!

Não guardo mágoas, e do mesmo jeito que ainda amo David como meu amigo, eu ainda tenho esse amor pelo Phillip, na época em que ele foi o homem perfeito para mim!

Brighton é um festival de cores…

Deixo vocês com as fotos daquele dia! E que mesmo que com o desassossego do coração, sempre, mas sempre mesmo, se agarre ao que faz você feliz, e se não puder, nunca esqueça as lembranças boas!

Até a Próxima!

Aída

É assim que sou feliz,
Livre,
Dona do meu nariz,
Com tudo que me inspire

Leveza,
Cores,
Beleza
E amores!

É assim que me realizo,
Leve,
Vivo a vida sem aviso,
O vento que me carregue!

É assim que quero viver,
Sem amarras,
Ver o amor crescer,
Longe das garras….

É assim que deixo viver,
Os amores não correspondidos,
Pois um dia há de ver,
O que haveres perdido!

A leveza ,
As cores,
A beleza
E os amores…..

Infinito.

Aída
03/01/17

Respostas de 8

  1. Aída, que primor de filosofia, a vida como ela deve sempre ser: ” fazer voar. Deixar minha imaginação solta na velocidade e no vento. Me sentir livre” quando muito ” que o vento me carregue” !
    Nossos votos de saúde e imaginação privilegiada”! Bjo.

    1. Robertinho, depois de seu comentário deveria mudar o título para voos do coração 🥰! Sim, ninguém gosta de amarras, mas se deixam prender por elas e se conformam… talvez se eu fizesse isso não estaria sentindo falta de um amor, porém perderia a poesia… enfim, sem amor posso viver, mas sem poesia não, só existiria! 😘

  2. Aída, outra vez você prendeu a atenção e a torcida dos leitores por um final feliz com o desassossego do seu coração. Comentou sobre Maceió, o resultado dos seus exames, que desejamos que seja o melhor possível e por último o que chamo de um “sonho de amor”, que daria um belo filme pela riqueza de detalhes, fico imaginando as cenas kkk, e que lembra uma canção da Patrícia que diz: “a lua sabe que eu me apaixonei, se você é real, porque você não vem, oh, oh, sonho de amor”
    E por fim e por uma feliz coincidência estivemos em Brighton quando minha filha estudou inglês aí em 2012.
    Bjs

    1. Meu amigo Albino, agora também leitor fiel! Grata 🙏🏼 por seu carinho, sempre um grande observador e me dando mais inspirações musicais! Feliz de poder ter vc por aqui! 😘

      1. Que dia …que velocidade a ida e a volta,sensação de estar viva,sentir o apaixonante,nem que seja para andar de moto…ah …amores existem e como existem momentos inesquecíveis…você é uma romântica na velocidade do som…sem som mesmo…valeu Aida!!!

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