Perseguida pelo governo de Nicolás Maduro, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Maria Corina Machado, deixou a Venezuela secretamente, na terça-feira (9). Em um barco de pesca, rumo à ilha de Curaçao, a cerca de 40 milhas de distância da capital Caracas, a ativista seguiu numa jornada que envolveu extremo perigo, na tentativa de chegar à Noruega a tempo de receber a honraria.
Devido ao mau tempo, só conseguiu chegar a Oslo na noite da quarta-feira (10), quando a cerimônia já havia ocorrido. O prêmio foi recebido por Ana Corina Sosa Machado, filha da líder da oposição venezuelana, das mãos do presidente do Comitê Nobel Norueguês, Jorgen Watne Frydnes.
Em um comunicado, os organizadores disseram que “embora ela não possa comparecer à cerimônia ou aos eventos de hoje, estamos profundamente aliviados em confirmar que ela está segura e se juntará a nós em Oslo”, confirmando a presença da líder em solo norueguês.
Além da medalha de ouro e do diploma personalizado, Corina foi contemplada com o prêmio no valor de 11 milhões de coroas suecas, cerca de 6,4 milhões de reais. “Por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para conseguir uma transição justa e pacífica da ditadura”, justificou o Comitê Norueguês do Nobel, em comunicado.
Machado tem 58 anos, e é a 20ª mulher a receber o prêmio. Ela recebeu a homenagem por sua “incansável defesa dos direitos democráticos na Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, afirmou o Comitê. Ela também “atende a todos os três critérios estabelecidos no testamento de Alfred Nobel para a seleção de um laureado com o Prêmio da Paz”, concluiu.
A perseguição política
A opositora de Maduro não aparecia em público desde o dia 9 de janeiro, quando participou de um protesto em Caracas contra vitória eleitoral autoproclamada do ditador. Desde então, vive escondida com ameaças de morte. María Corina deixou secretamente a Venezuela, disfarçada, passando por 10 postos de controle militar, cruzando o Caribe num barco de pesca para Curaçao e voando depois para Oslo.
Antes da política, Corina estudou engenharia e finanças e teve uma curta carreira nos negócios. Depois criou uma fundação que ajuda crianças de rua em Caracas. Ela foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024 e, no ano passado, foi forçada a viver escondida devido a ameaças contra sua vida. Ela dirige o partido de oposição Vente Venezuela.
A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz fez a primeira aparição pública após 11 meses, cumprimentando apoiadores que estavam na porta do Grand Hotel de Oslo. “Vim receber o prêmio em nome do povo venezuelano e o levarei de volta à Venezuela no momento oportuno. É claro que não direi quando será”, afirmou à imprensa, nesta quinta-feira (11), em Oslo.
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