segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026 – 13h48

Aposta no ‘jogo do tigrinho’ é 7 vezes maior que investimento na bolsa no país

Relatório da Anbima aponta que 22 milhões de brasileiros fazem apostas online; jogos não são regulamentados no país
Foto: Internet

As apostas no “jogo do tigrinho” e em outras plataformas é sete vezes maior no Brasil do que os investimentos na Bolsa de Valores. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), no relatório da sétima edição do Raio X do Investidor, de 2023. São 22 milhões de brasileiros, o que corresponde a 14% da população, com 16 anos ou mais, que usam aplicativos de apostas online, a chamada bets. Já no investimento em mercado de capitais, apenas 4% investiu em ações, 5% em títulos privados, 2% em títulos públicos e 2% em planos de previdência. Os jogos de azar e esses tipos de loteria não são autorizados no Brasil.

Dois em cada 10 apostadores, isto é, 4,8 milhões de brasileiros, acreditam que estão fazendo algum tipo de investimento financeiro ao jogar de forma online. De acordo com o relatório, pessoas acima de 63 anos jogam menos, mas acreditam nas bets como um tipo de investimento. “Considerando os apostadores por geração, os boomers (63 anos ou mais) são a faixa etária que se destaca ao ver as apostas esportivas como investimentos (38%), seguidos pela geração X (43 a 62 anos em 2023), com 27%, e pela geração Z (16 a 27 anos em 2023) com 24%.”

Segundo o delegado Rodrigo Saud, do Tocantins, as apostas são feitas para lesar os participantes. “Os jogos são frequentemente programados para proporcionar vitórias ocasionais, incentivando os jogadores a continuar apostando, enquanto os verdadeiros beneficiados são os administradores das plataformas de apostas e influenciadores que são pagos para fazer publicidade”, disse, em atuação contra a prática de apostas no estado. Uma influencer de Palmas (TO) vai responder criminalmente por exploração de jogos de azar.

Entre os jogadores, 5,7 milhões fazem jogos online por diversão, em contrapartida, 8,8 milhões encaram as apostas como uma chance de ganhar dinheiro rápido. A Geração Z (de 16 a 27 anos) são os maiores jogadores e corresponde a 29% dos apostadores online. A falta de educação financeira responde pelos altos índices de apostas. “Tanto as pessoas que não possuem cuidado em controlar as finanças quanto aquelas que compram coisas sem realmente precisar têm mais probabilidade de fazer apostas online”, segundo o levantamento.

As classes C, com 42%, e D/E, com 44%, são as que mais acreditam na chance de ganhar dinheiro rápido, com apostas online, em momentos de necessidade. Já as classes A/B correspondem a 33%. “Nas faixas mais baixas de renda, por exemplo, para esperar um ano, a expectativa dos entrevistados é de receber oito vezes a mais do valor emprestado. E, para esperar dez anos, esperam receber um valor 80 vezes maior do que o emprestado. Conforme a renda vai aumentando, o valor cobrado diminui”, explica o texto.

O Raio X do Investidor Brasileiro é uma pesquisa anual, realizada pela Anbima, em parceria com o instituto de pesquisa DataFolha.


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