O Largo dos Martírios passou por mais uma reforma estrutural, iniciada em novembro de 2022, ao custo de R$ 3,75 mi. O projeto, executado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado de Transporte e Desenvolvimento Urbano (Setrand), foi concluído em maio último.
Aberto ao público, o local conta com piso, escadaria, mirante e calçada em granilite bruto; fonte de água luminosa, nova estrutura do terminal de ônibus, bancas de lanche e de revista. Também corrimão, bicicletário e lixeira em aço inoxidável; postes com 100% de iluminação em LED.
No entorno das seis árvores remanescentes, jardinagem com bancos de concreto e acabamento em granito. O espaço recebeu cinco novas palmeiras imperiais. Foram restaurados o Largo das Bandeiras e a escultura de Marechal Floriano Peixoto.
A reforma, impecável do ponto de vista estrutural, aparenta, à primeira vista, um grande vazio, com poucos atrativos, o que tende a confirmar a vocação do espaço como local de passagem: nenhuma mesinha com cadeiras e nenhum abrigo para épocas de chuva. A fonte luminosa de águas dançantes não tem música nem dança.

A população demonstra satisfação pela obra, mas questiona a sensação de vazio. Fábio, eletricista, sentado em seu capacete num dos mirantes, indaga à nossa equipe de reportagem: “cadê os bancos?!”, ao afirmar que falta um local para sentar, namorar, conversar, tomar um cafezinho e deixar as crianças brincarem à vontade. “Parece que o mundo do Instagram tem mais importância que a vida real”, finaliza.
Um pouco da história
Inaugurada em 1908, no Governo Euclides Vieira Malta, a praça já exibia 20 postes de bronze e 40 bancos no estilo Art Nouveau. O destaque, na época, foi o monumento ao Marechal Floriano Peixoto, motivo pelo qual passou a se chamar, oficialmente, Praça Marechal Floriano Peixoto, em vez de Praça dos Martírios, como é conhecida entre a população.
A primeira grande reforma se deu em 1963, sob gestão do governador Major Luiz Cavalcanti e do prefeito Sandoval Caju. Foram então construídas a Galeria Rosalvo Ribeiro – cuja cobertura funcionava como palco para espetáculos – e a fonte sonora e luminosa, apelidada “Cuscuzeira do Major”.
Na última intervenção, iniciada em 2002 e finalizada em 2005, no governo Ronaldo Lessa, a Praça Marechal Floriano Peixoto foi integrada ao Palácio do Governo, incorporando a rua que os separava. Também se revitalizou a fonte sonora e luminosa e se implantou o Largo das Bandeiras, onde se encontram os pavilhões dos 102 municípios alagoanos.
O Largo agrega o “Conjunto Arquitetônico dos Martírios”, um sítio histórico tombado pelo Patrimônio Estadual. Com fachadas conservadas, o conjunto é composto dos prédios da antiga Intendência e do antigo Produban, dos Museus Floriano Peixoto e de Arte Sacra Pierre Chalita e da Igreja do Bom Jesus dos Martírios. O glamour ainda vive para apreciadores.

O estigma da travessia
A Praça Floriano Peixoto, em consulta a fotos e textos históricos, parece ser – desde quando se chamava Atalaia ainda no século XIX – um local de passagem, onde comerciantes organizavam suas mercadorias, trazidas em embarcações pela Laguna Mundaú até o bairro do Bebedouro, para embarque no Porto de Jaraguá.
Até hoje o Largo carrega o estigma de local de travessia, não de praça, como tantas outras mais humanizadas com equipamentos, bancos e parques. Uma área de passagem da população vinda dos bairros adjacentes – movimento agora reduzido devido ao crime provocado pela mineradora Braskem, com o afundamento do solo e a consequente evacuação dos bairros Bebedouro, Mutange e Bom Parto.






























Uma resposta
gostei muito da reportagem, acrescento que não vi na inauguração a fala sobre o homenageado da praça, o marechal Floriano Peixoto, que foi um alagoano corajo, um verdadeiro militar do exercito brasileiro, o consolidador da república do Brasil, o qual até hoje traz o público maior dessa praça, os interessados em memórias. Cadê o patriotismo! Com a chegada do Palácio em 1902, e o monumento em 1908, algum tempo depois, foi oficialmente por lei Praça Marechal Floriano Peixoto. É motivo de orgulho! EU SOU DO POVO, QUEREMOS A VERDADE E NÃO A MENTIRA, o respeito a história alagoana e do Brasil. A Igreja dos Martírios fez parte do Largo dos Martírios, e depois chamada da antiga praça dos Martirios. É vergonhoso!, procura-se pelo nome ofical o endereço da praça, e não aparece, é como se não existisse, o que diminui o valor da história e fica constrangedor para os alagoanos.