Desde 1983, no dia 25 de maio, o mundo se une para refletir sobre o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, visando às questões alarmantes da quantidade de crianças que desaparecem e para oferecer esperança às suas famílias. Neste ano, que marcou o 41º ano de conscientização das crianças desaparecidas, foi dado como símbolo o miosótis, uma planta conhecida popularmente como não-me-esqueça, perfeita para demonstrar sentimentos de lembrança por alguém especial.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que 1,2 milhões de meninos e meninas simplesmente somem no mundo e no Brasil a média é de 40 a 50 mil crianças e adolescentes que desaparecem todos os anos, drama que afeta milhares de pessoas, devastando famílias e sonhos interrompidos. Para tanto, deve-se dar extrema importância à relevante conscientização de que o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas é todo dia.
Uma ameaça real que deve ser entendida como prioridade por todos. Cerca de 10% das crianças e adolescentes desaparecidos jamais serão encontrados. Enredados na teia de possibilidades de um mercado desumano, do tráfico de pessoas, que vão desde adoções irregulares, trabalhos forçados, redes de pornografia e prostituição, violência intrafamiliar e filicídio, narcotráfico, comércio de órgãos e até em rituais satânicos.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos montou uma mega operação, este ano, que começou em 20 de maio e terminou em 24 de junho, em que conseguiu localizar 200 crianças dadas como desaparecidas. Destas, 123 foram encontradas nas chamadas situações perigosas, que envolviam tráfico de pessoas, cativeiro por parentes e até mesmo situações de exploração sexual. E, apesar de sumidas, as outras 77 crianças estavam em locais mais seguros, com menos riscos.
Estima-se que, nos EUA, cerca de 2.300 crianças desaparecem todos os dias e 460 mil são dadas como desaparecidas todos os anos, em uma população de 341 milhões de habitantes. Quase 90% dessas crianças se perderam ou fugiram de casa, menos de 1% do total de casos de crianças desaparecidas é coberto pelos noticiários e uma em cada seis crianças desaparecidas acaba no tráfico sexual.
Em maio deste ano foi lançada, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a campanha “Não Espere 24h” para conscientizar sobre o desaparecimento de crianças. Com o objetivo de desmistificar a ideia de que é preciso esperar um dia inteiro para registrar o sumiço, que pode ser considerada desaparecida após uma quebra repentina em sua rotina.
Uma parceria técnica da Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) com o MJSP, para acelerar os resgates de crianças desaparecidas, logo após o registro do caso, será feita uma avaliação se atende aos critérios do Alerta Amber*. A Polícia informa o caso ao Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Ciberlab/Senasp), então a Meta é notificada, e divulga fotos e detalhes da roupa da criança ou adolescente nos feeds do Facebook e Instagram, em um raio de 160 km do local do desaparecimento.
Todos os estados foram convidados a aderir ao alerta. Começou no Distrito Federal, Ceará e Minas Gerais. Em maio deste ano, Piauí, Rio Grande do Norte, Amapá, Paraná, Acre, Espírito Santo e Santa Catarina também aderiram.
Em casos de desaparecimento
No Brasil, o registro do desaparecimento deve ser feito de imediato. Pode ser realizado em qualquer unidade da Polícia Civil, Polícia Militar ou até mesmo pela Delegacia Virtual. Ao perceber que a criança ou adolescente sumiu, não retornou para casa, registre imediatamente o Boletim de Ocorrência, pois as primeiras horas são as mais críticas, e por isso a importância de entrar em contato com a polícia local e fornecer o máximo de informações sobre a criança ou adolescente.
Fotos recentes, o que estava vestindo e sobre quando e onde foi vista pela última vez. É importante manter a calma. Existe a obrigatoriedade de notificação a portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais. A Lei nº 13.812 instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD) que é uma ferramenta fundamental para respostas do poder público brasileiro, no combate a esses crimes.
* O Alerta Amber começou nos Estados Unidos após o sequestro e assassinato de Amber Hagerman, em 1996. É um sistema rápido de alerta com o uso de rádios, TVs, redes sociais e outros meios para espalhar informações sobre crianças desaparecidas, suspeitos e veículos envolvidos. Com o objetivo de mobilizar o público e aumentar as chances de resgate.
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