domingo, 30 de agosto de 2026 – 01h11

Reformas em presídio de Mossoró foram realizadas por empresa ‘laranja’, disse jornal

Governo Federal assinou contrato em 2022 e renovou em 2023; material de obras pode ter facilitado fuga de detentos
Foto: Coluna Estadão
R7 Facilities foi a empresa contratada pelo Ministério da Justiça para realizar obras de manutenção no presídio de segurança máxima em Mossoró (RN) Foto: Coluna Estadão/Estadão

As obras de manutenção na Penitenciária Federal de Mossoró (RN), presídio de segurança máxima, foram realizadas por uma empresa “laranja”, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. O governo federal teria assinado contrato em 2022, durante mandato de Jair Bolsonaro (PL), e renovado em 2023, já no governo Lula da Silva (PT). O material de uma das reformas pode ter facilitado a fuga de dois detentos ligados ao Comando Vermelho, na quarta-feira, 14 de fevereiro.

De acordo com o Estadão, a empresa R7 Facilities, com faturamento anual de R$ 195 milhões, está em nome do sócio administrador, Gildenilson Braz Torres, de 47 anos, morador da periferia do Distrito Federal e beneficiário de 12 parcelas do auxílio emergencial, concedido durante a pandemia da Covid-19. Com sede em Brasília, o empreendimento foi contratado por 1,7 milhão para as reformas no presídio de Mossoró. Mais de uma obra estava sendo realizada no local.

O contrato com a R7 Facilities foi assinado durante a gestão do ministro da Justiça Anderson Torres, no governo de Bolsonaro, em abril de 2022, e renovado no governo Lula, sob comando de Flávio Dino, no Ministério da Justiça, em abril de 2023. Os contratos foram firmados por setores responsáveis pela manutenção dos presídios, sem a participação dos gestores da pasta à época.

A empresa disse ser “imprudente” afirmar que se trata de um dono de “laranja”, mas não soube dar informações acerca das operações no presídio. Gildenilson virou sócio-administrador da R7 Facilities em fevereiro de 2023 e assinou contrato para manutenção de Mossoró dois meses depois. Antes dele, o bombeiro civil Wesley Fernandes Camilo respondia pela empresa e pelo contrato assinado em 2022.

Em nota, o Ministério da Justiça informou que acionará “os órgãos competentes federais para que seja realizada rigorosa apuração referente à lisura da empresa citada”. Afirmou também que a empresa cumpria todos os requisitos técnicos, com apresentação das certidões correspondentes, quando da assinatura do contrato em 2022. 

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