sexta-feira, 10 de julho de 2026 – 19h52

Alemã Revolucionária

Histórias do Velho Capita
Alemã revolucionária - Imagem: Gemini/IA

A bonita Hellen Merkel nasceu na Alemanha, chegou ao Brasil ainda menina, seu pai, gerente de uma fábrica no Paraná adotou Curitiba como sua. Na juventude Hellen tornou-se rebelde, adorava vestir camisa com foto de Che Guevara, boina vermelha de lado, sentia-se uma revolucionária, típica guerrilheira de botequim, frequentava os melhores e piores bares da cidade discutindo o fim do capitalismo e a vitória final do mundo socialista soviético. Entretanto, em sua casa não dispensava boa comida, roupas de grifes para festas burguesas que dizia detestar, e ar condicionado no quarto para os dias de calor. Experimentou a maconha. Entregou sua virgindade a um companheiro revolucionário, colega da Faculdade de Medicina, um bonito argentino de nome Belizário.

Contudo, tinha uma paixão forte pelo seu professor. O Dr. Amadeus também sangue alemão na veia, ficou apaixonado pela meiguice e determinação de sua aluna na Faculdade de Medicina. Divorciado, 17 anos mais velho que a jovem Hellen. Houve dificuldade da família em aceitar o casamento. Ela grávida, logo teve seu primeiro filho.

A diferença de idade entre os dois foi-se acentuando com o tempo, enquanto Hellen cuidava do corpo e da saúde, Amadeus deixou-se levar pelo sedentarismo, criou uma notável barriga consequência das cervejas diárias. Vivia de um consultório médico pouco frequentado e da aposentadoria de professor. Enquanto Hellen se tornou uma das mais competentes pediatras da cidade.

Foram mais de 22 anos de convivência, com respeito mútuo, criaram dois filhos. Mas, o diabo atenta, às vezes aparece em forma feminina. Não é que Amadeus se engraçou de uma pilantra, ficou de caso com uma jovem de 20 anos. Encantou-se com a mulher nova, bonita e carinhosa. A jovem ganhou presentes caros, as joias deram razoável baixa na conta corrente do Gordo.

Não foi difícil Hellen descobrir a traição. Conversou com Amadeus, deu-lhe uma chance para largar a sirigaita. Ele passou dois meses afastado da moça, entretanto, a força do satanás foi maior, o Gordo, voltou a encontrar-se com a jovem.

Hellen não aguentou a situação, reuniu os filhos em casa, contou o que estava acontecendo. Resolveu tirar umas férias sozinha, viajaria para um lugar tranquilo, pensar o que fazer de sua vida, tinha 45 anos, idade crítica para tomar decisões e mudar de vida, precisava refletir em paz.

Escolheu Recife, Hellen sempre teve um encanto especial por essa cidade e não conhecia. Chegou ao hotel numa ensolarada tarde, atravessou a avenida, sentou-se num banco para apreciar o mar azul esverdeado, sentiu-se bem. Pela manhã caminhou sozinha na areia da praia de Boa Viagem, o espírito necessitava isolamento, pensar nela mesmo. Na segunda manhã, após a caminhada, sentou-se num banco da barraca, pediu água de coco. Um jovem de bermuda e camiseta prontamente abriu o coco com três golpes, colocou um canudo e entregou-lhe sorrindo.

Hellen teve inveja da simplicidade, da felicidade que irradiava o jovem, notou o belo corpo do moreno, cheio de músculos, espadaúdo. Puxou conversa. Cicinho contou sua vida, era garçom por enquanto, havia dado baixa de cabo do Exército, pescador nas horas vagas, agora ajudava o pai na barraca de praia de onde a família tirava a sobrevivência. 28 anos, dois filhos, solteiro, não queria mulher lhe prendendo. Conversaram bastante. Nos outros dias Hellen depois da caminhada não dispensava o bate papo com o alegre amigo Cicinho, percebeu que havia despertado dentro dela algum ânimo adormecido. Foram-se cinco dias entre conversas, às vezes, confidencia; ao olhar o novo amigo nos olhos, perturbava-se. Num entardecer, passeando pela calçada, notou um ambulante vendendo camisa de Che Guevara, alegrou-se, comprou uma; num ímpeto, trocou a camisa num banheiro, sentiu-se bem, era novamente a revolucionária dos velhos tempos, estava feliz, vontade de cantar, de controvérsias, de insensatez. De repente, caminhou em direção à barraca. Ao ver Cicinho em pé olhando o mar, aproximou-se do amigo, sorriu-lhe, olhou nos olhos, abraçou-o, beijou sua boca. À noite foram para o hotel, dormiram juntos quatorze dias seguidos. 

Ao chegar a Curitiba, Amadeus a esperava no aeroporto. Em casa conversaram, o Gordo arrependido, pediu perdão, prometendo não procurar mais a sirigaita. Hellen o perdoou com uma condição, vez em quando viajar sozinha para meditação, para o Recife.

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