sexta-feira, 19 de junho de 2026 – 13h13

Um rio chamado Basilio Seh, comemoração aos 20 anos de carreira fonográfica

Desde criança, vive no universo musical, de Traipu para o mundo, no caminho das águas
Foto: Arquivo pessoal/BasilioSeh
Foto: Arquivo pessoal/BasilioSeh

Existe uma tradição ribeirinha no São Francisco, uma relação do barro com a vida. Ao nascer filho homem, a mãe vai ao quintal de casa, colhe o barro no chão, prepara um bolinho com água, amassando com os dedos entre as mãos e, por final, o arremessa contra a parede de casa. Se o bolinho bater e não grudar, cair, é sinal de que o garoto será um pescador, mas se o bolinho grudar, correrá essências artísticas nas veias do garoto. É o que parece ter acontecido com dona Maria Amélia, mãe de Basilio Seh.

Nascido em Tacaratu, sertão pernambucano, onde viveu apenas seus primeiros dias, seu berço foi o universo das essências ribeiras, vividas em Traipu (antigo Porto da Folha), no baixo São Francisco, em Alagoas, onde a família Basilio tem suas tradições, sobretudo musicais. Na Lira Traipuense, seu pai, José Basilio, era o trombonista e seus tios, Pedro, Antônio e Manuel, também músicos da Lira. Nelson Souza, discípulo do tio Antônio, foi quem o instruiu nos primeiros acordes com o trompete, quando tinha 12 anos. 

Banhado e abençoado nas águas do Velho Chico, o artista, cantor e compositor Basilio Seh, como referências musicais em Djavan, Hermeto Pascoal, (com quem já dividiu palco no show “Feira dos Sons”), e Egberto Gismonti, firmou-se oficialmente na carreira fonográfica em 2003, quando lançou seu primeiro CD, intitulado Oco do Mundo. O álbum chamou a atenção da crítica e o gosto do público alagoano e nacional. De lá para cá, lançou mais sete discos e um DVD. 

Foto: ArquivoPessoal/BasilioSeh

Basílio é conhecido por seu estilo único, que chama atenção da crítica especializada e dos alagoanos. Participou também de diversas produções, direção musical, trilhas sonoras, participações em festivais e especiais em shows de cantores alagoanos e nacionais. Como educador, foi responsável pelas orquestras do Complexo de Ensino Público de Alagoas (CEPA), em Maceió, e da Nuno Pimentel, na cidade Viçosa, com alunos da rede pública.

Em comemoração aos seus 20 anos de carreira fonográfica, além de apresentação musical, Basílio Sé lança o livro autobiográfico “Um Rio Chamado Basílio Seh”, a história de uma vida dedicada à música dentro e fora de Alagoas, e publica uma página na internet sobre sua trajetória. Serão realizados dois espetáculos: um, em Maceió, no Teatro de Arena, anexo ao Teatro Deodoro, na quinta-feira (9), às 19h, para um público seleto. O outro, no dia 16 de maio, às 21h, em Traipu, cidade onde o artista morou da infância à adolescência.

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