sábado, 25 de abril de 2026 – 06h54

Ayrton Senna, um dos maiores mitos esportivos do Brasil, nos deixou órfãos há 30 anos

Com transmissão ao vivo, o mundo assiste ao acidente fatal na perigosa curva do Tamburello, em Ímola (Itália)
Mais uma vez com a bandeira do Brasil, seu patriotismo é marca de sua essência / Foro: InstitutoAyrtonSenna

Desde que a televisão se popularizou, nenhuma personalidade chocou tanto o mundo, tantas pessoas, pelos quatro cantos dos cinco continentes habitados, ao vivo, assistir, na curva do Tamburello (a curva mais temida do automobilismo), no GP de San Marino, em Ímola (Itália), em 01 de maio de 1994, quando, por motivo mecânico da Williams FW16, que Ayrton Senna pilotava, escapava na curva, atingindo uma barreira de concreto, acontecendo a fatalidade. Naquele momento, pareceu que até a Terra parou. 

O tricampeão de Fórmula 1 (F1) tinha um carisma especial. Ele fez de sua carreira exemplo, combinando caráter e eficiência, dentro e fora das pistas, conquistando a paixão do público, além da fronteira nacional. Era um domingo e, em especial, o Dia Internacional dos Trabalhadores. A F1 tinha uma audiência muito grande nos canais de TV. Na trajetória, enfrentou nas pistas fortes concorrentes, como Michael Schumacher, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet. O acidente fatal marcou, com mágoas, o público fiel. 

Concentrado, aguarda sinas para entrar na pista / Fotos: InstitutoAyrtonSenna

A notícia, dos canais de TV do mundo inteiro, era de cenas de pessoas nas ruas com bandeiras do Brasil, fotos do Ayrton Senna, mensagens em cartazes, choravam, abraçavam-se nas ruas, cenas jamais vistas, ao vivo. No dia seguinte, nas capas de jornais e revistas havia um sofrimento globalizado pela morte de alguém, como nunca visto antes. Outros pilotos, atletas, políticos, artistas e, até papas, morreram, mas não se viu dor igual. Era mesmo uma pessoa muito querida, essencialmente amada.

Nos 10 anos na F1, iniciado na pequena escuderia Toleman, em 1984, com poucas chances de vitórias, teve atuação impecável, o que chamou atenção das grandes equipes. Foi então para a inglesa Lotus, de 1985 a 1987, e obteve suas primeiras vitórias históricas. A melhor parceria de Senna foi com outra inglesa, a McLaren/Honda, de 1988 a 1993, escuderia que o levou ao tricampeonato. Sua breve passagem pela Williams foi muito conturbada, fez apenas três corridas, e na última aconteceu o acidente. 

Foi aberto pela Justiça italiana um processo para identificar as causas. E só em abril de 2007 é que foi determinado que “o acidente foi causado por uma falha da coluna de direção, originada de erros no projeto e modificações mal executadas”. Porém, não houve prisões. O projetista chefe da Williams, Patrick Head, foi condenado 13 anos após o acidente, mas o crime de homicídio culposo já tinha prescrito.

Mestre em pistas molhadas, Ayrton Senna sempre destaca-se na frente, lutando pela ponto mais alto do pódio / Foto: InstitutoAyrtonSenna

O que o diferenciava de muitos adversários era a obsessão pela vitória, que buscava, no perfeccionismo de suas habilidades e conhecimento, sempre talentoso, transformar-se num titã do asfalto. Enquanto na vida real, um homem simples e cordial, calmo, um lord. Foi considerado o ‘Rei de Mônaco’, por vencer seis GPs na pista das ruas do principado. As corridas que tinham a presença de Senna eram tensas, pouco importava a máquina que pilotava, ou se chovia ou fazia sol, sabia-se que haveria disputas, do início ao fim da prova.

A paixão dos brasileiros pela F1 iniciou-se com Emerson Fittipaldi, bicampeão, seguido por Nelson Piquet, que consagrou-se tricampeão, elevando, ambos, a estima desse povo sofrido. Mas a cereja do bolo ainda estava por vir, quando nosso piloto Ayrton Senna começou a dar seus shows nas pistas do mundo inteiro, tornando os domingos mais felizes, com sua audácia, coragem, instinto de competitividade e carisma sem igual. Nos trouxe mais três campeonatos na bagagem.

Cortejo pelas ruas da cidade de São Paulo, emoção à flor da pele – Foto: MiltonMichida/Estadão

Ídolo de jovens atletas e de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, até hoje. Com 34 anos de idade, Ayrton Senna morreu, há exatos 30 anos. O seu cortejo e funeral reuniram mais de três milhões de pessoas em São Paulo, entre parentes, amigos e fãs do mundo inteiro. Alain Prost, seu antigo rival nas pistas, esteva presente, e anos depois ele declarou em entrevista, sobre a morte de Senna “foi o final da minha história com a Fórmula 1”.

Seu corpo foi velado em cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo, nos dias 4 e 5 de maio. Além da comoção coletiva no País estava também de luto oficial, decretado pelo então presidente Itamar Franco. Em julho do mesmo ano, a Seleção Brasileira de Futebol conquistou o tetracampeonato mundial e a comissão campeã ergue unida uma faixa em sua homenagem: ‘Senna… aceleramos juntos, o tetra é nosso!’.

Seleção Brasileira de Futebol, em julho de 1994, ergue faixa homenageando Ayrton Senna / Foto: InstitutoAyrtonSenna

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