Nas lembranças de hoje, uma sanfona em pleno carnaval, me remete a uma época em que a brincadeira carnavalesca era o mais puro sentimento de diversão, de satisfação de trazer apenas a alegria daquele momento, sem cobranças ou compromissos, apenas dar e receber a energia única do reinado de Momo.
A Praça Guimarães Passos era caminho, de quem estava na parte alta, para a Praia da Avenida. E tudo começava uma semana antes com o “banho de mar à fantasia”. Rodolfo e sua sanfona desciam do Jacintinho, acompanhados de uma zabumba e um triângulo, tocando seu frevo sanfonado, parada obrigatória no nº 17.
Se não me falha a memória, não era apreciador de bebida alcoólica, o que não afetava a sua animação. Entrava e fazia um lanche, com café ou refresco, para só então seguir com a sua pequena orquestra até a praia. Lá, algumas troças o acompanhavam aproveitando seu som, que contagiava.
Bem mais recente, podemos falar da alegria que é brincar nos “Forrozeiros da Folia”, brilhante idéia do saudoso José Lessa, um guerreiro na defesa das nossas tradições e da sanfona, tanto no frevo quanto no forró.

Quando me deparei com os forrozeiros, em plena Av. Silvio Viana, num domingo de carnaval, rasgando um “frevoforró”, foi um retorno às ruas do bairro do Poço, fazendo o passo, acompanhando Rodolfo e sua sanfona, que não saia somente no “banho de mar à fantasia”.
Durante os dias de folia ouvíamos a sua sanfona, trazendo marchinhas e frevos, enchendo as portas de gente para vê-lo passar. Não tinha estandarte, quem podia ajudava com dinheiro. Era uma tradição.
Lá ia eu atrás daquele som até onde as pernas aguentavam, ou mesmo até onde ele me via e me dizia: “tá na hora de voltar, sua casa está longe”.
Naquele tempo, nada era longe. Conhecia todos os becos e todas as ruas do querido bairro do Poço. Por onde eu passava, tinha gente que conhecia a filha do Calazans, menina que tinha liberdade de sair atrás dos blocos, jogar chimbra, pião, soltar arraia…
Rodolfo e sua sanfona não apareciam apenas no carnaval. Era pau pra toda obra. Puxava as quadrilhas juninas nas festas de rua, tocava nas festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, acompanhava o pastoril da Praça Senhor do Bonfim.
Sua sanfona era bem vinda em todos os festejos. Mas, para mim, a lembrança do ecoar de seu som pelas ruas do bairro, ainda hoje me dá uma alegria nas pernas e uma saudade gostosa, de um tempo que deixou tão boas recordações. A sanfona continua a emocionar e contagiar, unindo gerações e celebrando uma tradição rica em festejos e comemorações.
De acordo com pesquisa no Google, “a sanfona ou acordeão tem uma história no carnaval brasileiro, especialmente no Nordeste, onde é fundamental para o forró e outros ritmos. Sua presença nos carnavais antigos já era notável, mas não muito predominante. O frevo sanfonado é uma mistura de frevo com forró, utilizando a sanfona como instrumento principal. A sanfona também é utilizada em outras manifestações carnavalescas do Nordeste, acompanhamento de blocos e festas populares”.





























