sexta-feira, 26 de junho de 2026 – 16h11

A sanfona no frevo forró - Foto: Reprodução/ArquivoPessoal

Nas lembranças de hoje, uma sanfona em pleno carnaval, me remete a uma época em que a brincadeira carnavalesca era o mais puro sentimento de diversão, de satisfação de trazer apenas a alegria daquele momento, sem cobranças ou compromissos, apenas dar e receber a energia única do reinado de Momo.

A Praça Guimarães Passos era caminho, de quem estava na parte alta, para a Praia da Avenida. E tudo começava uma semana antes com o “banho de mar à fantasia”. Rodolfo e sua sanfona desciam do Jacintinho, acompanhados de uma zabumba e um triângulo, tocando seu frevo sanfonado, parada obrigatória no nº 17. 

Se não me falha a memória, não era apreciador de bebida alcoólica, o que não afetava a sua animação. Entrava e fazia um lanche, com café ou refresco, para só então seguir com a sua pequena orquestra até a praia. Lá, algumas troças o acompanhavam aproveitando seu som, que contagiava.

Bem mais recente, podemos falar da alegria que é brincar nos “Forrozeiros da Folia”, brilhante idéia do saudoso José Lessa, um guerreiro na defesa das nossas tradições e da sanfona, tanto no frevo quanto no forró. 

Sônia Calazans e o forrozeiro José Lessa, idealizador do bloco “Forrozeiros da Folia”, juntos ao estandarte do bloco “Mamãe Eu Quero”, de Sônia e José Fireman – Foto: Reprodução/ArquivoPessoal

Quando me deparei com os forrozeiros, em plena Av. Silvio Viana, num domingo de carnaval, rasgando um “frevoforró”, foi um retorno às ruas do bairro do Poço, fazendo o passo, acompanhando Rodolfo e sua sanfona, que não saia somente no “banho de mar à fantasia”. 

Durante os dias de folia ouvíamos a sua sanfona, trazendo marchinhas e frevos, enchendo as portas de gente para vê-lo passar. Não tinha estandarte, quem podia ajudava com dinheiro. Era uma tradição. 

Lá ia eu atrás daquele som até onde as pernas aguentavam, ou mesmo até onde ele me via e me dizia: “tá na hora de voltar, sua casa está longe”. 

Naquele tempo, nada era longe. Conhecia todos os becos e todas as ruas do querido bairro do Poço. Por onde eu passava, tinha gente que conhecia a filha do Calazans, menina que tinha liberdade de sair atrás dos blocos, jogar chimbra, pião, soltar arraia…

Rodolfo e sua sanfona não apareciam apenas no carnaval. Era pau pra toda obra. Puxava as quadrilhas juninas nas festas de rua, tocava nas festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, acompanhava o pastoril da Praça Senhor do Bonfim. 

Sua sanfona era bem vinda em todos os festejos. Mas, para mim, a lembrança do ecoar de seu som pelas ruas do bairro, ainda hoje me dá uma alegria nas pernas e uma saudade gostosa, de um tempo que deixou tão boas recordações. A sanfona continua a emocionar e contagiar, unindo gerações e celebrando uma tradição rica em festejos e comemorações.

De acordo com pesquisa no Google, “a sanfona ou acordeão tem uma história no carnaval brasileiro, especialmente no Nordeste, onde é fundamental para o forró e outros ritmos. Sua presença nos carnavais antigos já era notável, mas não muito predominante. O frevo sanfonado é uma mistura de frevo com forró, utilizando a sanfona como instrumento principal. A sanfona também é utilizada em outras manifestações carnavalescas do Nordeste, acompanhamento de blocos e festas populares”.

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