sexta-feira, 26 de junho de 2026 – 21h45

O sabor das massas e das maçãs

A cultura pulsa na troca entre as pessoas, no ato de compartilhar histórias, músicas, sabores e olhares
Foto: Reprodução/CorreiodeSantaCatarina

Caros leitores, chegamos a 2025. Para muitos, é apenas mais um ano; para mim, é o ano, aquele em que o presente do amanhã começa a se desenhar, nos aguardando como o sol que, inevitavelmente, nasce todos os dias.

Nada melhor do que começar o novo ano refletindo sobre o que de fato pode ser renovado e o que, mesmo estando sempre presente ao nosso redor, frequentemente deixamos de enxergar.

Portanto, inicio pedindo licença poética aos compositores para parafrasear um dos temas mais lindos e emblemáticos da nossa MPB: “Tocando em Frente”, de Renato Teixeira e Almir Sater. No toque da viola, essa canção nos convida a compor a nossa própria história, respeitando o ritmo do tempo e permitindo que cada etapa da nossa vida se cumpra no seu devido momento. Essa reflexão em forma de canção me faz lembrar o valor das pequenas coisas, revestidas em momentos simples, que muitas vezes passam despercebidos na pressa do dia a dia.

Na simplicidade poética de seus versos, resgata-se a beleza do cotidiano. No sabor das massas, captura-se a alma brasileira e transcende-se, na exaltação do nosso dia a dia, nos convidando a andar devagar, levando o sorriso e se sentindo mais forte a cada caminhada.

É na interpretação fantástica que se percebe o “sabor das massas e da maçã”, onde há a dualidade entre o contato humano e a natureza. Nas massas, há o encontro com o ser humano, que exige paixão e encanto; já a maçã simboliza a própria natureza, algo que vai muito além da nossa consciência. O movimento das massas é a cultura; o olhar para o semelhante é o que dá vida à alma, enquanto a maçã evoca a ciência, como Newton já a definia na magnitude de Deus.

Perceber o sabor das massas é reencontrar o movimento da cultura, na dinâmica do espaço, na simplicidade. É conectar um ao outro, construindo raízes históricas de forma contínua, dando vida à alma. Portanto, a cultura é simplesmente dinâmica. Olhar para as massas é fazê-las pulsar, buscar a chuva para florir.

O que hoje observo é que a cultura está sendo esquecida todos os dias e, infelizmente, deixamos de enxergá-la nas massas. Há tecnologia em tudo e em todos os lugares, contribuindo para vedar os nossos olhos. Estamos deixando de admirar o simples, o que está ao nosso redor, de compreender e pulsar a vida. Não podemos deixar de lado as massas. A cultura, no entanto, continua sendo a essência que nos conecta ao que somos. Ela nos oferece a possibilidade de nos reencontrarmos com nossas raízes, de celebrarmos o humano em sua forma mais pura e de reconstruirmos as pontes que nos ligam ao mundo natural. É por meio da cultura que resgatamos o olhar sensível para as pequenas coisas que, em sua simplicidade, guardam as maiores verdades.

A cultura pulsa na troca entre as pessoas, no ato de compartilhar histórias, músicas, sabores e olhares. Se permitirmos que a tecnologia nos cegue para esses aspectos, corremos o risco de nos afastar do que nos torna verdadeiramente humanos. Por isso, é essencial renovar o olhar e reencontrar o valor do simples. A cultura é a chuva que faz florir nossa essência, a força que nos impulsiona a tocar em frente com amor, paz e humanidade.

Encerro dizendo que é no caminhar com paciência, aceitando os altos e baixos da jornada, que descobrimos a essência do viver. Essa música, com sua melodia suave e sua poesia genuína, traduz o que acredito ser a chave para uma vida plena: serenidade e a busca pela capacidade de enxergar beleza no aprendizado de cada passo que damos.

Que possamos, juntos, iniciar este novo ciclo com o coração aberto, atentos ao presente e confiantes no que está por vir. Afinal, como diz a canção: “todo mundo ama um dia, todo mundo chora, um dia a gente chega, no outro vai embora”. E é justamente nesse fluxo da vida que aprendemos a tocar em frente.

Apreciar o presente e aceitar o fluxo natural da existência. Ao cantar ou ouvir seus versos, somos lembrados de que cada passo, por menor que pareça, tem seu valor no trajeto. Por fim, como bem dizem os autores: “é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir”.

E, lembrem-se, caros leitores, que já estamos no novo embarque e o nosso trem já saiu. Vamos lá, que ainda temos muito a contar.

Abraços e um Feliz Ano Novo!

Respostas de 4

  1. A cada início de ano importa renovarmos nossos planos, projetos, e devemos depositar muita esperança e vontade de acertar, em vários segmentos de nossas vidas, pra seguirmos firmes entre massas e maçãs, com objetivos individuais e coletivos. Parabéns, pelo artigo, minha amiga.

  2. Que linda reflexão para esse início de ano. Ver beleza nas coisas simples, no caminhar é minha meta para 2025. Obrigada Ana por nós fazer refletir.

  3. E assim é a vida mesmo Ana!!
    Que agente consiga nos voltarmos mais para o que nos trás PAZ e que floresça em nós mais AMOR e a CARIDADE.
    Parabéns pela reflexão! Bastante oportuna para iniciarmos mais um ano!
    ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

  4. Ótima reflexão. Ana Karla. É preciso olhar para as coisas simples e enxergar nelas a nossa vida, nossos familiares e amigos e nessa simplicidade seguir amando e respeitando as diferentes realidades de cada um e no final o objetivo é sempre o mesmo: A busca da ” Felicidade”! Que o Ano Novo nos traga: Paz, Amor e muitas realizações!

  5. Muito bom Karla! Realmente é indispensável esse olhar para as várias vertentes da vida, da plenitude à simplicidade, do todo ao único. É preciso vivermos tudo o que nos é oferecido, desde que alinhados com nossos valores, com nosso ser.

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