sexta-feira, 26 de junho de 2026 – 21h48

Sombras da tela: a manipulação midiática obscureceu a consciência dos inocentes

Uma perspectiva da tecnologia para um mundo melhor (quiçá)
Imagem: IA/AndréDelpino

Como alguém imerso no mundo da tecnologia e da multimídia, acompanho com crescente preocupação a forma como a informação é criada, disseminada e, por vezes, deturpada.

Ao longo da história, a humanidade tem sido suscetível a narrativas que moldam percepções e incitam conflitos. Contudo, a ascensão da mídia de massa e, mais recentemente, a explosão da era digital, com sua promessa de conexão global, trouxeram consigo um potencial ainda maior para a manipulação.

Vemos a linha tênue entre a realidade e a ficção se dissolver em meio a algoritmos e feeds personalizados, obscurecendo a capacidade individual de questionar e discernir.

Acredito firmemente que a tecnologia, que tanto potencial tem para o bem, também pode ser utilizada para erodir a consciência coletiva, e é com essa lente que observo, o complexo cenário do conflito paradoxal da atualidade.

Para quem trabalha na fronteira da inovação tecnológica, a história da manipulação midiática ressoa como um alerta.

As narrativas cuidadosamente construídas e repetidamente propagadas, através dos meios de comunicação tradicionais ou alternativos, deixaram um legado de divisão e conflito. A tecnologia evoluiu, mas a essência da manipulação persiste.

Hoje, a internet e as redes sociais se tornaram o novo campo de batalha informacional. Ferramentas que nos conectam de maneira salutar, infelizmente e preocupantemente de modo desmedido, estão sendo usadas para disseminar desinformação em escala sem precedentes com agravantes exponenciais e notoriamente danosos.

A criação de factoides e a “viralização” de notícias falsas através de plataformas agressivamente invasivas como WhatsApp e similares, que chegaram ao ponto de substituir o telefone – inovação revolucionária introduzida na sociedade global pela genialidade de Alexander Graham Bell, a menos de dois séculos -, e considerando que em milênios pouco se percebeu em mudança no processo de comunicação, minam a credibilidade e dificultam a formação de opiniões bem fundamentadas na realidade. Uma vez que a doutrinação dos obscuros dominadores imperceptíveis as incautas e inocentes pessoas que de modo extremamente cruel são levadas a acreditar estarem protegidas e representadas, erroneamente por seus algozes, verdadeiros lobos ferozes e sedentos de sangue, vestidos de cordeiros e, muitas vezes, até pastores de rebanhos crédulos na mansidão ameaçadora do calhorda.

Como profissional da comunicação, reconheço o poder da imagem e da narrativa.

A religião, com suas “estórias” e símbolos poderosos, historicamente tem desempenhado um papel preponderante na formação de crenças e valores dominantes em detrimento da livre escolha individual.

No entanto, também vimos como essa mesma força pode ser utilizada para justificar divisões e incitar a violência. O paralelo com o atual conflito no Oriente Médio é inegável. Narrativas que exploram tensões religiosas e sectárias são amplificadas online, criando um ambiente de polarização e desconfiança.

A chegada da Inteligência Artificial representa um divisor de águas. Sua capacidade de gerar conteúdo aparentemente realista e personalizado em grande escala, exige uma vigilância constante. As “deepfakes” e a automatização da desinformação representam uma ameaça direta à capacidade de discernir a verdade.

No contexto do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, a IA pode ser utilizada para intensificar a propaganda, criar incidentes virtuais com consequências reais e manipular a percepção pública de maneiras sutis e poderosas.

 A tragédia em Gaza é um lembrete brutal do custo humano quando a tecnologia é usada para propagar narrativas de ódio e desumanização.

Sem querer definir o conflito, preciso dizer que estou enojado com a forma que os mandatários vem persistentemente e de modo sistêmico atuando de maneira maquiavelicamente perversa, onde o objetivo transcende minha capacidade de entender o porquê.

Como participante da comunidade tecnológica e multimídia, eu nutri a esperança de que o avanço da informação pudesse iluminar o mundo e promover a compreensão mútua. No entanto, a realidade nos mostra que essa mesma tecnologia pode ser utilizada para aprofundar as sombras da ignorância e da manipulação. Acredito, contudo, na resiliência do espírito humano e na capacidade de aprender e evoluir.

A solução não reside em abandonar a tecnologia, mas em utilizá-la de forma consciente e responsável.

Precisamos fomentar a educação para compreensão social do paradigma digital.

Desenvolver ferramentas que ajudem a verificar a informação e promover um debate aberto e crítico, ao meu ver, só surtirão efeito se houver, concomitantemente, camadas de verificação e de checagem nos resultados da geração de conteúdo criado por IA, ou recursos práticos de produção digital… sendo, portanto, imperativo, ao menos, gerar um hash que seja incluído de forma aleatória, porém detectável por software de verificação, marcas d’água invisíveis ao olho humano, mas claramente com intuito de afirmar ser geração artificial e, ao mesmo tempo, determinar origem e responsabilidade pelo objeto midiático propagado.

Esta metodologia, se aplicada de forma obrigatória e regulamentada por lei específica, trará uma forma de bloquear ações intencionais de manipulação da opinião pública, com evidente redução de danos ainda que não perfeito. Este modelo de auditoria e autenticação já permitiria, por exemplo, minimizar o ímpeto dos oportunistas que, por exemplo, já estão se preparando para usar a IA como forma de promover suas chances de adentrar no campo político através de falácias convincentes.

Acredito que, através da educação e da colaboração, podemos capacitar as pessoas a não se deixarem levar por narrativas manipuladoras e a construírem um mundo onde a verdade, a empatia e a compreensão guiem nossas ações, em vez do medo e da desinformação. A tecnologia pode ser uma força para o bem, mas sua direção dependerá sempre das escolhas que fazemos como humanidade.

Enquanto concluo este texto, estou debatendo com o Gemini sobre a ética dos detentores da tecnologia e, pasmem, o modelo de linguagem que interage comigo concorda que a IA, quando utilizada para controle social, representa grave vetor de manipulação social e destruição da intelectualidade e evolução humana.

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