Reza a lenda que a Fênix, um pássaro encantado, após o ciclo da existência, se consumia em chamas, renascendo das próprias cinzas. Um ciclo sem fim.
No ciclo do passar dos anos, queridos leitores, as festas de Momo, como também são chamados os dias celebrados nos carnavais, parecem queimar os foliões praticantes. Que abusadamente não descansam e se esbaldam até a quarta feira. Todos ligados na alta voltagem da alegria. Não é por acaso que um dos marcantes ritmos dessa festividade é o Frevo. A moçada “ferve” em acrobáticos movimentos onde os corpos parecem de molas. O Carnaval possui a mesma face em todos os lugares, bem como apresenta manifestações particulares em diferentes localidades.
Antigamente começava no sábado de Zé Pereira e ia até a aurora da quarta feira. Sempre em fevereiro ou no começo de março. Atualmente, inicia antes e só termina bem depois, graças ao Batata, icônico garçom de Olinda, que trabalhava nos quatro dias e, na quarta feira de cinzas saía arrastando uma multidão atrás de seu estandarte.
O Carnaval parece ser o período onde o exagero, a sátira, a gozação e a crítica podem ter vez. Depois, o cristão vai ter a quaresma para refletir e fazer a simbólica passagem da Páscoa, o oficial renascimento anual, homiziado no exemplo máximo do Cristo Jesus. Que enfrentou o mais desumano dos martírios para salvar a humanidade redimindo os pecados. Cristo Redentor.
Por ter filhos ainda pequenos, o mais velho seguiu com a família da namorada, resolvemos, minha esposa e eu, passarmos mais um carnaval sabático longe de aglomeração e multidões. Talvez, pensamos, uma cidade menor nos pudesse oferecer: descanso, reflexão e alguma brincadeira próxima a que tivemos na infância.
Seguimos para a instância pernambucana de São Benedito do Sul. Ficamos sediados no Hotel Fazenda Betânia, onde pela terceira permanência nos proporcionam a mais soberana das acolhidas. Nossos miúdos adoram e parece que o acerto nas escolhas trazem maior apuro nas diversões e brincadeiras.



















Assisti, em uma Tv sem som por conta do sono das crianças, ao desfile da Beija Flor de Nilópolis no grupo principal das escolas de samba do Rio de Janeiro, com o enredo: “Um delírio de carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, a escola septuagenária apresentou a bela coreografia de seu criativo carnavalesco com alas da cultura Das Alagoas, como o pastoril, guerreiro, reisado, marujada, maracatu. Trouxe as denominações dos bairros Pontal da Barra e Pajuçara. Pontuou tempos idos com as personalidades de Major Bonifácio e os grã finos da Fênix. Os meus destaques, registro aqui; foram a ala que desfilou dezenas de estandartes do “Cavaleiro dos Montes” e o carro alegórico que trouxe os alagoanos Cacá Diegues, Carlito Lima, Eliezer Setton, Guga Rocha, Márcio Canuto, entre outros notáveis. Alagoanos que trazem no fazer cotidiano, o jeito Das Alagoas de ser.
Agora sim, o ano de 2024 vai começar…
São Benedito do Sul, Pernambuco,
terça feira, 13 de fevereiro de 2024
Fotos: RCF
Texto: RCF






























Respostas de 7
Publico aqui o comentário de José Maria Moreira de Almeida, o Déo, enviado via whatsapp:
“Excelente texto.
Que bom. Aproveitaram muito, com certeza!”
Obrigado pela atenção, foi esse grande amigo que me apresentou São Benedito do Sul, há um ano já.
Exatamente, Aída! As cinzas são muito bem vindas! Como nos afirmou o sábio e polímata Leonardo Da Vinci: “a verdadeira sofisticação está na simplicidade!”; e vamos com disposição e entusiasmo!
Vivas as bandas e fanfarras de tantos músicos e músicas que nos alegram o coração! Beijos e afeto para você.
Depois de ler os comentários acima, só me resta dizer a quarta-feira não é ingrata!
Adorei ver o verdadeiro carnaval, simples em fantasia mas rico em alegria! A banda desafinada me fez chorar de alegria! Escrito perfeito para alavancar o ano! 😘
Eduardo Rocha, pegando carona em suas palavras: terá valido a pena? Que esse questionamento traga a necessária reflexão, para trazer a colheita pessoal necessária. E também, a colheita coletiva; a verdadeira celebração do gigantesco capital bem aplicado em prol da população.
RCF foi inteligente na sua iniciativa de fugir da aglomeração. Momentos de tranquilidade com a família, e o vislumbre de uma festa ao estilo antigo. Sabemos que enquanto a farra rola e a figura do inimigo está presente nos blocos e escolas de samba, muitos estão em dificuldades… eu que já participei de tantos carnavais, hoje consigo ver os livramentos que o Senhor já me concedeu… quem dera, todo esse capital fosse investido em melhorias, efetivamente. A quarta de cinzas está chegando. Será que vai valer a pena? Que DEUS tenha misericórdia de nosso povo e de nossa pátria.🙌🙌
Evoé ! Haja Baco, nesse balacobaco brazuca, das esquinas e avenidas desse País continente, contente, repleto de liberdade, igualdades e fraternidade, que persiste em sobreviver, como a cada Carnaval, aos trancos e barrancos, da solitude às multidões, uma lição para a humanidade do que é, realmente, nosso realidade.
Evocações a Baco e suas Bacantes;
Passando as festividades, sem as máscaras que o país entre na normalidade para avançar em suas agendas tão necessárias, dignas desse povo heróico e da nação berço esplêndido. Construir com união, força e trabalho neste século XXI o tão propalado futuro.