sábado, 27 de junho de 2026 – 00h56

Arte: Roberto C. Farias

Os singulares minutos passam ao largo, de banda, tão ligeiro que somente percebemos o que passadamente ficou. Cenas de um próximo capítulo.

No era uma vez, nos altos e baixos da evolução urbana, notadamente em Maceió, observações pertinentes nos podem fazer dar conta do que foi, pouco a pouco deixando de existir até nem falta dar-se por completo. Sumiu…

Na forma nostálgica de se falar: “- Era feliz e não sabia!” ou no famoso atestado de aniversários já ocorridos: “-No meu tempo, havia…”. Diante da mola propulsora do progresso que inventa a velocidade das novidadeiras invenções, nos resta seguir.
Adiante:

Podemos amáveis leitores, companhias caríssimas na jornada das letras grafadas, divagar pelo Centro, alvo e cenário da coluna urbaNAUTA, para tanto, os convido ao deambular;

O primeiro ponto que me vem ao pensamento são sentidas ausências: “Casa dos Plásticos” (Casa São Luís); Casas Costa Júnior; Casas Pernambucanas; Casa Lavor; Francal Tecidos; Quatro e Quatrocentos; Gut Gut; Lanchonete Bem; Eletrodisco; A Radiante; A Esmeralda; Casa Farias; O Produban; O Banco Nacional; O Bar do Chopp; A 200 Milhas; Eddie Aikau; Hotel Majestic; Cine São Luiz; nomes pensados e ditos pelo idioma da saudade, pontos de ancoragem num território, cujas exploração e ocupação foi anteriormente limitado, recortado por interseções e adquiriu gradativamente um novo desenho.

O segundo ponto é a influência inteligente da liberdade que nos provoca os sentidos trazendo a tona os bons sentimentos.
“Das lembranças que trago na vida, você é a saudade que gosto de ter.” Dito na voz romântica do Rei, essa saborosa frase nos remete ao que é bom de algo que já se passou. E teimo em pensar que o trago, aqui colocado como trazer, transportar. Poderá ter o sentido de tragar, assimilar, beber ou seja, saborear.
Saborosas lembranças no trazem bem estar, mas viver o hoje e o agora é por demais recomendada intenção pelo grafador que vos incita neste breve roteiro sentimental.

Aqui o olhar é de cada um. Conta aqui a individual solidariedade, capaz de promover o lema da minha equipe favorita: “União e Força”.

Por estarmos em setembro, onde o inverno chuvoso parece resistir com chuvas, tomamos a liberdade de sugerir o primeiro grito de carnaval, ação inteligente para trazer um pouco mais cedo a festividade, antecipando a primavera que se anuncia. Fazer no Centro novamente o “corso” com desfiles de blocos ao som de marchinhas e frevo. Além de abrilhantar os calçadões e decorar com confete e serpentina traremos os estandartes do passado em complementar cortejo, na forma de exposição cujas lembranças encheram o ar de alegrias e aromas de lavanda.

Planejamos o frescor do final de tarde na área central cuja oferta da brisa colabora com o conforto térmico tão almejado pelo transeunte em seus trajetos. Caros leitores vocês fizeram uma oferta na esmola de hoje? Façam!
De livramento passamos ao largo. Com fé chegaremos aos nossos intuitos ao sempre combater o bom combate.

Para Todos

Aos fazedores, o horário
Sua labuta, o ofertório
Cada esforço, o honorário
Todos que perfazem do traço
Seu abrigo, seu regaço
Para os que acolhem no compasso
No brincar de um passo
Num passeio, numa troça
No palácio e na palhoça
No gesto ou na dança
Do salto a imensidão
Profunda ventura
Esmerada composição
Do sorriso a armadura
Do suor a melhor safra
Veste real e pura

O largo lateral da Igreja do Livramento poderá ser por sua capacidade de ajuntamento, bem como, os acessos em várias direções tem múltiplas possibilidades. O Largo Deodoro com sua praça pode funcionar também como outro polo de concentração.
Do Largo dos Martírios, o terceiro ponto de ancoragem e aquecimento. Destaque para os roteiros onde os blocos patrocinados possivelmente encabeçado pela municipalidade, pelo clube de diretores lojistas e pela aliança retalhista.

Desfilarão conjugados aos blocos organizados, os antigos estandartes do “Cara Dura” , do “Bota Fora” , do “Cavaleiro dos Montes” e outros tantos de outrora. Homenagens a Pedro Tarzan, Setton Neto, Rás Gonguilla e muitos carnavalescos e músicos importantes. Nomes como Edécio Lopes, Juvenal Lopes, Claudionor Germano serão repercutidos com a boa música do período de Momo, frevos, sambas e marchinhas.

O Centro pode ser o abrigo de manifestações populares legitimadas por nossa magna identidade, nossa plural identidade permeada de episódios escritos por baixo do chão. Trazer para a flor da pele, referendar e disseminar conhecimentos assim é mais que um dever. Dever de nossa certidão de batismo maceiorquina, ornada pelas bivalves conchas do sururu, rígida como a madeira risophora da mata mangue. Anfíbios, alagoensis, alagoados, alagados, alagoanos.
Mundo Mundaú, perplexos reflexos de crepuscular róseo alaranjado. Dos muitos tons do giz de nossas barreiras: marrons, vermelhas, terracota, ocres, roxas e irisdescentes.

No Centro cabe a filosofia, a sociologia, a história, as estórias, as arquiteturas, os marcos, as memórias, os festejos, as festividades. Mas, e principalmente congraçamento. O Centro é palco e plateia.
O Centro de Maceió é ao mesmo tempo espetacular e espetáculo. Neste espaço central, convergente e irradiador, cabe as ideias e projetos do futuro que ousaremos planejar, plantar e construir.

Maceió das Alagoas,
terça feira,
19 de setembro de 2023

RCF.
Texto e desenhos

Respostas de 5

  1. Essa página é subliminarmente dedicada a amiga escritora Aída Barros de Britto, nosso ensaio segue o modelo de sua coluna “POESIA VISUAL”, segue ou melhor, intencional seguir e parecer nesse formato.
    Nota do autor, RCF.

  2. Meu querido amigo Robertinho, adorei a viagem no túnel do tempo! Que bom seria se voltássemos a ter carnavais como antes! Inspirador e melancólico ao mesmo tempo! Continue sim, dando ideias, pois ‘água mole e pedra dura tanto faz até que fura! 😘 e parabéns por mais uma excelente leitura

    1. Obrigado pela atenciosa acolhida, querida amiga Aída! Sigamos a acolhedora forma de suavidade na expressão de ideias possíveis e formadoras de um bom público. Que as possibilidades de recreação tragam unidade aos formadores das boas opiniões.

  3. Vamos seguir… adiante… como diz nosso caro colunista. Demonstrando cada vez mais, sua veia poética e de um vislumbre admirável sobre formas e opções… de manter vivas em nossas mentes raízes centenárias tão acolhedoras e viáveis de nosso centro. Como esquecer lugares tão prazerosos de se frequentar… que o folclore , folguedos e festividades possam ressurgir das cinzas… que nossas lembranças venham à tona cada vez com mais força… e que se ouse cada vez mais. Se realize… cada vez mais. E que e ponha no papel… esses planos tão desejados por uma mente brilhante… o futuro está aí. Pra que se realizem tais projetos. 👏👏👏👏

    1. Adiante, caríssimo Eduardo, oxalá possamos em uníssono fazer pelo espaço, pelas pessoas um belo arremate do passado que nos honra ao futuro que ousaremos planejar!
      Agradeço a salutar contribuição e tão necessária visualização.

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