domingo, 19 de abril de 2026 – 20h20

Mais de um milhão de indígenas vivem em condições precárias de saneamento, diz IBGE

Dados foram divulgados nesta sexta-feira (4); levantamento inclui registros de nascimentos e alfabetização dos indígenas
Foto: Jéssica Candido/Agência IBGE Notícias

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (4), os resultados do Censo Demográfico 2022 Indígenas. O levantamento aponta que cerca de 69,1% das pessoas indígenas, moradoras de domicílios particulares, conviviam com pelo menos uma condição precária de saneamento básico, como a falta de abastecimento de água, destinação de esgoto e de lixo. Nessa análise, foram retirados do grupo os indígenas que viviam em habitações sem paredes ou em malocas.

A publicação traz ainda dados sobre registros de nascimentos e alfabetização desses povos originários. Os critérios utilizados para análise foram construídos com base no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). Os pesquisadores buscaram uma aproximação com os quesitos do questionário do Censo 2022. O lançamento ocorreu na Casa Brasil IBGE, no térreo do Palácio da Fazenda, no Centro do Rio de Janeiro (RJ).

Veja mais informações:

Em 2022, havia 1,1 milhão de indígenas residentes em 342,1 mil domicílios que convivem com a falta de abastecimento de água canalizada, de rede geral, poço, fonte, nascente ou mina; ausência de destinação do esgoto para rede geral, pluvial ou fossa séptica; e de coleta direta ou indireta por serviço de limpeza.

Nas terras indígenas, 95,6% dos moradores indígenas não tinham nenhuma das condições adequadas de saneamento, o equivalente a 120,4 mil domicílios com 545,7 mil pessoas indígenas.

Havia simultaneamente as três situações de maior precariedade em 17,3% dos domicílios com pelo menos um indígena. Nesses 107,5 mil domicílios viviam 470,2 mil indígenas, o que corresponde a 28,8% do total de pessoas indígenas. Apenas 3,0% do total de pessoas do país estavam na mesma situação.

Mais da metade (57,0%) dos domicílios com ao menos um morador indígena nas Terras Indígenas combinava as três situações de maior precariedade. Eram 355,3 mil indígenas vivendo dessa forma, o que correspondia a 62,2% dos moradores indígenas dessas localidades.

 

 

Cerca de 55,3% dos moradores indígenas tinham a coleta no domicílio por serviço de limpeza ou depósito em caçamba de serviço de limpeza. Essa proporção era cerca de 35,6 pontos percentuais inferior ao percentual da população residente em domicílios particulares permanentes no país (90,9%) na mesma situação.

De acordo com a coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes, a distância geográfica e a adaptação dos serviços de saneamento dificultam as soluções. “É preciso adaptar as soluções para saneamento básico, como fazer fossas que permitam um descarte adequado sem precisar se ligar à infraestrutura geral. Além da distância, há o fator de até onde a política consegue se adaptar para garantir o saneamento básico adequado nas terras indígenas”, diz.

Dados nas regiões

Nas terras indígenas localizadas no Centro-Oeste, 99,0% dos domicílios com algum morador indígena tinham pelo menos uma situação de maior precariedade. Nesses domicílios residiam 96,1 mil indígenas. O Norte, que concentrava o maior número de indígenas no Brasil, também ficou acima da média nacional: 98,9% dos domicílios com ao menos um morador indígena estavam nessa situação.

 

*Fonte: Agência de Notícias IBGE

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