sexta-feira, 22 de maio de 2026 – 15h03

Uma Tarde Inesperada

Histórias do Velho Capita
Imagem: Gemini/IA

– Seu Vicente, como vai? Está lembrado de mim?

Laurinha falou sorridente saindo do Shopping. Ele a olhou, reconheceu a bonita senhora, não sabia de onde, para acabar a dúvida gentilmente perguntou.

– Claro que recordo, a idade atrapalha pormenores, de onde mesmo que lhe conheço, menina?

– Obrigada pelo menina. Sou a Laurinha, fui professora de reforço escolar de sua filha mais nova, a Cacilda, por um ano. Lembra? Como vão os netos? O senhor era apegado com ao mais velho, o Francisco, deve estar um rapaz. Estou morando em São Paulo há oito anos.

– Laurinha, você está uma mulher bonita, vejo que o clima de São Paulo faz bem à saúde e à beleza.

– O senhor sempre gentil. Não é o clima, é a oportunidade de ganhar melhor. Tenho um emprego bom, ensino numa boa escola, por isso me trato, vou à academia e uso outras artimanhas das mulheres.

Nessa altura, os dois chegaram ao estacionamento, Vicente, acercou-se do carro, perguntou o destino de Laurinha. Ela pegaria um ônibus para o Prado, estava hospedada na casa da irmã. Vicente gentil, e certamente com outras intenções, ofereceu-se para levá-la. Laurinha recusou, não precisava se incomodar. Vicente insistiu, estava à toa na vida, sem ter o que fazer, aposentou-se há pouco tempo, tornou-se o vagabundo das tardes.

Ela colocou os embrulhos no banco traseiro, sentou-se à vontade, a saia encurtou mostrando ainda ser uma mulher desejável, o tempo não foi tão cruel com Laurinha. Ele deu a partida, o carro rolava maciamente no asfalto, olhou de banda para ela, gostou do que viu. Laurinha foi a primeira a retornar conversa.

– E Dona Celina, como vai? Ainda gosta de jogar cartas com as amigas toda tarde? 

– Sim, tem a compulsão pelo jogo.

– Para compensar seu vício. Desculpe a franqueza, o senhor ainda gosta de garotas? Lembro uma vez que chegou em casa com a camisa suja de batom, que maldade de sua amiga. Dona Celina fez escândalo.

– Ainda tenho esse vício, entretanto, nunca deixei meus deveres matrimoniais. Os filhos cresceram, são independentes, hoje vivo para os netos. O Francisco tem 15 anos, a Adriana 13, e o Dudu 8 aninhos. Sou um avô babaca, esse é o melhor termo, faço tudo que eles pedem. E você? Conte sua vida, quero saber o que fez em São Paulo para se tornar uma mulher tão bonita. Naquela época eu tive uma atração enorme por você, era uma jovem atraente, mas, tinha receio de confusão em casa. Estou fascinado, a mulher de hoje é mais bonita do que a jovem de ontem.

– Eu notava seus olhares Seu Vicente, vou confessar um segredo, eu também tinha atração pelo senhor, era um homem bonito, charmoso, aliás, ainda é. Já tem 60 anos?

– Tenho mais minha querida, Laurinha, somos dois adultos, não precisamos muito de conversa jogada fora, vou lhe fazer uma proposta. Há muitos anos nos conhecemos, descobrimos que numa época nos desejamos, não deu. Por isso pergunto: Vamos passar a tarde num motel, em busca do tempo perdido e fazer tudo que der vontade?

– Por que não? Respondeu calma Laurinha. Ao entrar no apartamento os dois se abraçaram, se amaram, se beijaram, como dois seres maduros cheios de desejos. Uma tarde gloriosa de amor. Inesquecível. 

Os dois conversaram lembrando fatos da vida passada, muita história. Nunca mais havia passado momentos tão agradáveis, afinal, felicidade é momento, aquele foi marcante. 

Ao levar Laurinha para casa, propôs novo encontro, que bom ela ter aparecido. Perguntou quando poderia vê-la. Ela o olhou nos olhos.

– Retorno a São Paulo amanhã, tenho um filho, sem marido. Quem sabe um dia? Beijou-lhe o rosto. Antes de entrar na casa da irmã, olhou para Vicente, sorriu. Estava feliz.

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