quarta-feira, 24 de junho de 2026 – 14h25

DIÁLOGO DE ESTILOS

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Inúmeras vezes torna-se pouco fácil explicar gostos, modelos característicos de uma determinada época ou / e sociedade. Em determinados conjuntos das tendências e características formais, estéticas ou mesmo os conteúdos e conceitos que marcam, identificam, chancelam ou distinguem uma obra, artista ou determinado período, marco temporal ou movimento, percebe-se que em países com menos de 600 anos, não há os outros, mas misturas, miscigenação e nuances com certamente, predominâncias de correntes de pensamentos.

A questão da escala, primordial para a Arquitetura e o Urbanismo, também é confrontada com o deslinde temporal, esse compasso coletivo que trás em seu estojo as contribuições individuais, responsáveis pelas respostas as ações continuadas de transformação. O sobrado colonial que foi o modelo inicialmente adotado, passa para a reforma da fachada principal recebendo feições ecléticas ou art decó e deságua no arranha céu do modernismo. As necessidades de atualizar que ensaiamos chamar de “palimpsestos” em nossa recente conversa de 23 de outubro último, amigáveis urbaNAUTAS.

Se a cada década mudam os gostos, e a vontade de atualizar antigas construções pretende fomentar a aura como produto atraente, avisamos de passagem que estamos ao adotar um adocismo corrente, prejudicando a materialidade, essência, identidade e o conjunto. Onde a alma de um bairro ainda exala, ao tempo em que expira, os valores impregnados em seu corpo paquidérmico e sólido de todas, absolutamente todas as ações e atitudes humanas que abrigou. Daí sua importância.

O Centro detém em suas arquigrafias, urbanografias e monumentografias, todo este arcabouço que orienta o pensamento aqui exposto. São esses envoltórios franqueados a nós seres humanos, os elementos capazes de causar sentimentos amplamente sentidos em percursos alçados pelo leitor atento ou ao caminhante costumaz. Cabe o residente, o morador e o turista. A usufruição é uma garantia cultural de ganhos sinápticos. O Centro entre muitos outros bairros tem essas vantagens. Jaraguá também as tem.

Muitas vezes nos pegamos a perguntar porque acontecem as perdas dentro do tecido urbano, principalmente em áreas de proteção patrimonial. Muitas vezes o sentimento de perda irrevogável assoma nossas ideias na vã tentativa de sombreá-las. Por que não predomina a gentileza conservacionista na forma e a ousadia totalmente contemporânea no uso. Ousadia mesmo é conservar, é cuidar e é proteger.

Ninguém, mas, ninguém mesmo protege melhor um lugar do que o residente. São as relações de vizinhança e convívio aparentemente imateriais, tão sólidas e firmes como os maciços dos cristalinos das rochas de granito. Essa rígida e maleável teia urdida pelo cotidiano salutar favorecendo sobretudo o respeito pelas diferentes vontades e maneiras de se levar a vida. Bênçãos e Graças!

Então, amigáveis leitores, nossa espacialização parece clamar pela ocupação sem vácuo, pelo preenchimento dos espaços centrais com os espíritos de vida saudável aos sábados, domingos e feriados. Com a ocupação noturna de estudiosos citadinos nas várias faculdades que se implantarão nas vizinhanças das moradas. Imagino que ares cosmopolitas a cidade passará a exportar e a exalar em ruas e becos cognominadas pelos vultos cujos feitos históricos ressurgirão como fontes inesgotáveis de inspiração para a energia primordial da juventude e regozijo mútuo dos maduros. Ah, Maceió… Ah, Maceyork.

Insistir em futuros promissores é a missão que os urbaNAUTAS vivenciam como mote da existência. Experienciando as espacialidades que possuem redes de serviços públicos, proximidade com a praia em muito breve despoluída e as Alagoas que nos trazem a flor da derme o DNA risophora e mithyllus. Tão caros e por outro lado adormecidos aguardando a força de um despertar ativo, altruísta e prolongador da existência. Certamente nós temos o hábito de esperar. Se espera, fazendo e realizando.

Maceió das Alagoas,
terça feira, 07 de novembro de 2023

Este espaço celebra e saúda todos que realizam Planejamento Urbano, no dia do Urbanismo (08/novembro).

RCF.
Texto e fotos

Respostas de 6

  1. Falando em mudança, vejo que o trânsito de Maceió está cada vez mudado pra pior. Uma cidade com a manta asfalfatica de 40 anos atrás e que cresce sem planejamento de mobilidade e que pseudo gestor se preocupa com um novo meio de locomoção. A roda gigante, aquela que nos levará a lugar nenhum.

    1. Márcio, sempre muito lúcido! Insistir no automóvel sem a integração com outros modais é, certamente, promover a saturação. A trilogia; combustível fóssil, borracha e asfalto parece ser imbatível. Mas, não é! Sobre a roda gigante, nossa opção é por elevadores panorâmicos ligando cidade alta com a cidade baixa e partindo dos mirantes da cidade: no Jacintinho, no Farol, na Chã da Jaqueira, nos Flexais e até no Pinheiro.

  2. Que fantástico! Seria muito legal fazer essa harmonia entre o velho e o novo sem gentrificar como tem acontecido em muitas cidades das bandas de cá. Quando estive em San Francisco fiquei encantada com o bairro ‘Mission’ que tem uma constante luta para manter suas raizes mexicanas, ter melhoras e continuar com sua população…. Gentrificação tira a cultura e a possibilidade de qualquer manifestação artística cultural! Vamo que vamo pois se é sonho, tem muita chance de ser realizado! Parabéns 🎈🍾🎊🎉 😘

    1. Obrigado, Aída, pela contribuição valiosa; em seu exemplo a vigilância constante pela preservação da essência do lugar, amplia o valor do atrativo: de modo que a vertente do turismo bem organizado consegue capitalizar sobre ações dessa natureza protetiva. A nossa cidade e o bairro do Centro, bem merecem e os citadinos também! Meus agradecimentos!

  3. Como sempre se espera de Roberto Farias, um apaixonado pelo conservadorismo, pela interação ideológica e de vida, seus comentários, nos permitem viver e reviver ao mesmo tempo… podemos estar aqui e ali ao mesmo tempo. A se pensar, conviver, com épocas distintas e ao mesmo tempo simbióticas. É muito bom ter essa possibilidade aqui; bem pertinho, a poucos metros de distância. Que privilégio. Frequentar ambientes de tempos e costumes diferentes, em perfeita harmonia e beleza irretocável. Nos permitimos esse prazer… o prazer do cuidar e retocar, sem descaracterizar, ou esquecer de tempos vividos em sua plenitude… o antigo e o contemporâneo em perfeita aliança. Bravo…👏👏👏

    1. Obrigado, Eduardo Rocha, pelo alcance e sensibilidade de vossos valorosos comentários, em especial esse onde com tino e clareza elucida o seu modo de vivenciar o espaço conhecido, contudo recheado de atmosferas das interfaces temporais.
      O Centro é, procuro repetir, um cenário aberto para muitas e novas possibilidades. Sem esquecer os registros arquitetônicos e a memória imbricada em cada entalhe, desbaste, serradela e cicatriz.

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