No Centro de Maceió, em plena ladeira do Brito, um solar – com fachada branca, elegante, que sustenta candeeiros altivos, pretos – destaca-se na promoção de educação e cultura em Alagoas. A Casa da Palavra, fundada em 1997, mantém-se ativa há 26 anos, sob o comando do médico ortopedista e professor universitário, Ricardo Nogueira, seu presidente e fundador, herdeiro do casarão de 1918.

Decorado e mobiliado interiormente com requinte e elegância – elegância essa que caracteriza o seu dono -, passou por reformas estratégicas e recebe estudantes e profissionais da área da Saúde, principalmente de Medicina, para o exitoso Curso de Emergências Clínico-Cirúrgicas, que já funciona, no solar, há 37 anos ininterruptos. Organizado por alunos acadêmicos, o curso promove, durante um mês de estudo, quatro conferências por noite, com provas após as aulas, palestras de profissionais renomados nacionalmente, e, aos sábados, a maior prática médica simulada com múltiplas vítimas do Brasil.

Em mais de três décadas – sem nunca haver faltado um professor e nem mesmo ter chegado atrasado nenhum deles -, o curso já preparou, com treinamento intensivo, mais de quatro mil alunos para lidar, em emergências, desde primeiros socorros a atendimentos mais complexos. A formação concede certificado e serve de desempate na seleção de residência médica para os alunos organizadores.

“Esse curso é para que o aluno se interesse pelo seu próprio futuro, pela sua carreira. Nós temos a maior aula prática do Brasil, um simulacro de múltiplas vítimas. Simula-se um acidente. O acidentado fica maquiado, preparado para mostrar uma fratura exposta, uma exoftalmia. Eles irão praticar os primeiros socorros e depois levar para o hospital de emergência mais próximo. Isso devia ser feito nas faculdades com muita frequência, porque é o que se vai ver depois da formação. Aqui, no Brasil, se forma um teórico e se joga no mercado de trabalho. Esse curso é para suprir essa lacuna”, explicou Ricardo Nogueira.

A Casa da Palavra promove também os cursos de Comunicação em Direito e de Comunicação em Medicina – este, disciplina facultativa, oferecida por Ricardo Nogueira na grade curricular do curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), instituição de ensino conveniada. São 20 anos de curso, com banca examinadora diária, formada por ex-alunos, uma equipe de 30 monitores, que se revezam, com duas turmas por semestre, de 25 a 30 alunos, no máximo, em cada uma delas.

“Toda a disciplina é prática. Se o aluno vai apresentar no outro dia um vídeo médico, como ele apresenta? Ele vai a um hospital, acompanha uma cirurgia, que eu já entrei em contato com o médico antes. Vê, filma o cirurgião trabalhando e mostra aqui do que se tratou a cirurgia, qual foi o caso, como se processou. Ela filma, colhe trechos da literatura sobre aquela patologia e apresenta. Tudo em dois minutos, para aprender a ser sucinto, com projeção em tela, mostrando os aspectos eminentemente práticos. Só vem pra cá de terno e gravata, porque aprende o traje certo de apresentação acadêmica em todos os lugares. Tem de falar sem dizer ‘você ou a gente’. Aprender a usar a terceira pessoa e se expressar corretamente”, ressaltou.

O espaço também promove lançamento de livros, palestras, conferências, eventos culturais, num ambiente perfeitamente planejado, com dois auditórios amplos, de capacidade para 100 e 200 pessoas, telões e sistema multimídia audiovisual completo. Mas, antes de tudo, é um espaço vivo e vicejante, um núcleo de educação e cultura, no coração do Centro de Maceió, de onde se pode avistar a cúpula das principais igrejas do bairro – única casa de arquitetura neocolonial, mantida como residência em sua área interna.





























