sábado, 18 de abril de 2026 – 01h41

Legado de Mestre Verdelinho ‘xerta’ arte entre filhos e netos 

Grupo de coco alagoano apresenta peças de autoria própria em gênero musical consagrado pelo pai
Foto: Lula Castello Branco / Agência Poemídia
Mestre Verdelinho, com seu tradicional pandeiro, no Teatro Deodoro, onde trabalhou como vigilante por mais de trinta anos Fotos: Lula Castello Branco / Agência Poemídia

Reunidos desde 2019 para levar adiante o legado do pai, os três filhos de Mestre Verdelinho mantêm as tradições do coco alagoano na batida dos pandeiros e dos pés, que pavimentam a estrada das futuras gerações. Com a presença da nora Íris e a participação das netas Beatriz e Vitória, de seis e quinze anos de idade, respectivamente, Nildo, Geninho e Meire se apresentam como Os Verdelinhos, com repertório autoral e músicas consagradas por Mestre Verdelinho e artistas do gênero musical genuinamente popular.

O grupo, criado em 2004 por Mestre Verdelinho com o nome “Xertar”, teve a participação da professora e compositora Telma César. A corruptela do verbo enxertar faz menção ao ato de introduzir o gosto pela arte em seus descendentes. Após a morte do artista em 2010, o grupo adotou o nome pelo qual o pai se tornou referência em coco alagoano. “É uma coisa que a gente gosta de fazer. Não é uma obrigação, é o amor pelo coco. Entrou na minha veia, eu fui ‘enxertada’ mesmo. A gente faz coco a qualquer hora e não consegue parar”, explicou a nora Íris.

Participação de Os Verdelinhos na apresentação musical de roda de coco em praça de Maceió

Formado, a princípio, por Nildo e Geninho, Os Verdelinhos mantém uma agenda de espetáculos de acordo com a disponibilidade de todos os integrantes do grupo. “Aqui, no nosso estado, a gente não vive de arte. A gente tem de preservar os nossos empregos, que é o que paga as nossas contas. Ano passado, a gente deu uma parada. Depois, decidimos fazer o que dá. A gente faz o nosso repertório, a gente brinca, e quando surge uma apresentação, que dá para todos irem, a gente vai. Não tem como parar”, avaliou Nildo, que acompanhava o pai em suas apresentações.na

No domingo (11), o grupo fará o show “Encanto dos Passarinhos”, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso, em Maceió. No repertório, músicas autorais, composições de Mestre Verdelinho e de integrantes da comunidade Azul. O nome do espetáculo alude à ave Verdelinho, espécie de pássaro relativamente comum em áreas florestais de Mata Atlântica.

“O nome foi sugerido por Daniel Ginga. O show vai tratar do elo, da corrente, que vem do meu pai, Mestre Verdelinho, passa por nós, até chegar a Daniel, a Juliana Barreto e aos meninos da comunidade Azul. A produção é da Juliana, uma das idealizadoras do projeto. Conseguimos, através de edital, os recursos para financiar os custos do show. A gente vai gravar áudio e vídeo, com a participação da minha mãe, dona Helena”, explicou Nildo.

Além de apresentações, o grupo promove oficinas de formação em coco alagoano, gênero musical cuja principal característica é o “trupé”- sapateado composto por diferentes coreografias que representam a feitura, com os próprios pés, do piso das casas de taipa. “Jurandir Bozo me convidou para fazer parte da comissão julgadora do concurso de coco contemporâneo, coco estilizado. Chegando lá, eu vi que o pessoal estava meio perdido na questão da dança, o coco sem sapateado, sem trupé. Foi quando a gente começou a peregrinar pelos grupos de coco, ensinando, fazendo oficina”, contou Nildo.

O legado

Sobretudo um amante do Guerreiro – folguedo natalino alagoano -, Mestre Verdelinho é o nome artístico de Mario Francisco de Assis, cantor, compositor, mestre de coco e dono da herança cultural do cancioneiro popular. “O coco, para gente, é a nossa vida, é o natural, é a nossa fala, o nosso dia a dia, o que a gente vive aqui em casa. É a nossa família”, arrematou Nildo, ao confirmar que foi “enxertado” pelas obras do pai.

Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
Família Verdelinho reunida na casa da matriarca, Dona Helena 

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