Uma meta a ser alcançada em 2030 foi obtida em menos da metade do tempo: pela primeira vez, o Brasil se tornou o maior exportador de algodão do mundo. O algodão beneficiado, produzido no país, alcançou quase 3,7 milhões de toneladas na safra de 2023/24. Desse total, 2,7 milhões de toneladas foram destinadas à exportação. O resultado superou as exportações dos Estados Unidos, que alcançaram um volume aproximado de 2,57 milhões de toneladas embarcadas.
O trabalho começou há 25 anos com investimentos, pesquisa, tecnologia e organização do setor, aliados à estratégia de promoção comercial, desenvolvida em parceria entre a Associação Brasileiras dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). “A parceria da ApexBrasil foi definitiva na conquista da liderança”, afirmou o presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel.
Para Schenkel, a conquista é o resultado de um trabalho continuado da cadeia de produtividade, com o poder público. “Antes disso, trabalhamos continuadamente para aperfeiçoar nossos processos, incrementando cada dia mais a nossa qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, e, consequentemente, a eficiência. Com a Apex, além de recursos para avançar, ganhamos ainda mais peso em representatividade, inclusive diplomática”, argumentou.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, reforça a ideia de parceria nos êxitos obtidos nas exportações. “Essa conquista é resultado do trabalho conjunto do setor privado e do governo. Pelo lado da Apex, aumentamos crescentemente o investimento na promoção internacional do setor desde a criação do Projeto. O setor produtivo, com os produtores e exportadores, está cada vez mais tecnológico, competitivo e sustentável, conquistando uma posição de destaque no cenário internacional”, explicou.
A criação do Projeto Cotton Brazil, a partir de 2020, intensificou a presença da fibra brasileira no mercado internacional em 10 países prioritários: China (53%), Vietnã (14%), Bangladesh (10%), Turquia (7%), Paquistão (5%), Indonésia (5%), Tailândia (0,3%), Coreia do Sul (1%) e Egito (1%). Ainda constam Portugal (0,4%), que não é considerado mercado prioritário, e a Índia que não figurou na lista.
Estes países representam 49% da população mundial e são o destino de 95% das exportações brasileiras de algodão e de 90% das exportações globais da fibra. Para chegar a este mercado estratégico, o Cotton Brazil dialogou com a indústria têxtil internacional, os traders de algodão, as entidades internacionais, as marcas e os varejistas, por meio de iniciativas de comunicação, relacionamento, inteligência de mercado e projetos especiais em países compradores.
Em termos de produção, a China e a Índia ainda lideram o ranking com uma safra aproximada de 6 milhões de toneladas de algodão. Mesmo assim, a Abrapa comemorou o resultado da colheita atual, com 60% da produção totalmente comercializada. Apesar da forte concorrência externa, o consumo de fios e de algodão deve ser elevado 750 mil toneladas para 1 milhão por ano.
“A liderança no fornecimento mundial da pluma é um marco histórico, mas não é uma meta em si, e não era prevista para tão cedo. Antes disso, trabalhamos continuadamente para aperfeiçoar nossos processos, incrementando cada dia mais a nossa qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, e, consequentemente, a eficiência”, completou Schenkel.
O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Miguel Faus, lembrou que há cerca de duas décadas o Brasil ocupava a 20ª posição como exportador mundial. “Essa guinada se deve a muito trabalho e investimento na reconfiguração total da atividade, com pesquisa, desenvolvimento científico, profissionalismo e união. É um marco que nos enche de orgulho como produtores e como cidadãos”, afirmou.
A Anea criou a campanha “Sou de Algodão’, em que produtores de roupas, universidades de moda, pesquisadores e produtores de algodão se uniram para desenvolver qualidade do produto final da cadeia produtiva. A certificação socioambiental, em cerca de 84% do produto brasileiro, também contribui com o êxito do setor.





























