Projeto de desenvolvimento tecnológico na domesticação da macaúba, espécies de palmeira nativa brasileira, na produção de combustível sustentável de aviação, diesel verde, energia térmica e outros produtos advindos de alto valor agregado, com a implantação de lavouras comerciais e o melhor aproveitamento dos frutos (casca, polpa, endocarpo e amêndoa) em processos eficazes para extrair o óleos com alta qualidade e gerar bioprodutos.
Uma parceria da Embrapa Agroenergia com a Acelen Renováveis, apoio financeiro da Embrapii e do BNDS, e aporte científico de outros quatro centros de pesquisas, as Embrapa: Algodão, Florestas, Meio Norte e Recursos Genéticos e Biotecnologia, com objetivo de atender no processo de transição energética, oferecendo combustíveis renováveis em larga escala, em sistemas de produção de descarbonizados em áreas de condição semiárida.
Com duração de 5 anos e investimentos que somam R$ 13,7 milhões, o projeto tem claras orientações ambientais e sociais, criando novas opções econômicas para comunidades carentes, e o reaproveitamento de efluentes industriais. Espera-se a criação de 90 mil empregos diretos e indiretos e a geração anual de R$ 7,4 bilhões de renda para as populações envolvidas. Para Victor Barra, diretor de Agronegócios da Acelen Renováveis, a domesticação da macaúba levará a empresa a ser “a maior e mais competitiva produtora de combustíveis renováveis, num modelo integrado que vai da semente da macaúba ao combustível”, líder brasileira no mercado global de transição energética.
“O que observamos na natureza é que a planta possui um primórdio floral para cada folha que ela emite e, em média, lança 15 folhas por ano. Ao menos doze delas deveriam virar cachos de frutos a serem colhidos. Mas o normal é vermos palmeiras com apenas 3 ou 4 cachos. Temos que entender muito bem a fisiologia da macaúba, para destravar esses bloqueios e viabilizar a alta produção de frutos e, consequentemente, de óleo por hectare que o projeto requer”, complementa Barra.
“A domesticação da macaúba não é um projeto de uma empresa, ou nem mesmo de um país, mas um projeto para o mundo” finaliza Victor. Segundo Alexandre Alonso, chefe geral da Embrapa Agroenergia, “O país tem a oportunidade de se tornar produtor e fornecedor de combustível sustentável de aviação e diesel verde globalmente. Para isso são necessários investimentos em P&D tanto em matéria-prima, quanto em novos bioprocessos, além de modelagem”.
É uma planta de alta densidade energética e grande capacidade de sequestrar carbono. Estima-se que a cada ano 60 milhões de toneladas de CO2 sejam removidas da atmosfera, que se reduz em 80% as emissões do gás e recupera áreas degradadas. Assim o projeto insiste nessa questão crucial, para o sucesso da empreitada, que é obter sistemas de produção que resultem em altos rendimentos de óleo por hectare e processos industriais eficazes para a extração dos óleos.
“O que observamos na natureza é que a planta possui um primórdio floral para cada folha que ela emite e, em média, lança 15 folhas por ano. Ao menos doze delas deveriam virar cachos de frutos a serem colhidos. Mas o normal é vermos palmeiras com apenas 3 ou 4 cachos. Temos que entender muito bem a fisiologia da macaúba, para destravar esses bloqueios e viabilizar a alta produção de frutos e, consequentemente, de óleo por hectare que o projeto requer”, diz Victor Barra.
Sobre a Acelen Renováveis
A empresa quer investir inicialmente mais de US$ 3 bi, durante os próximos anos, neste primeiro projeto modelo no Brasil, com objetivo de atingir a capacidade anual de 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde (HVO), e criar um modelo inovador, competitivo e totalmente integrado, “desde a germinação da semente até a distribuição dos combustíveis, nos tornando um vetor de desenvolvimento sustentável”. Além de acelerar a transição energética em escala global com combustíveis renováveis, produzidos a partir de matéria-prima com 100% do cultivo feito em pastagens degradadas no Brasil.
A macaúba
No Brasil, ocorrem naturalmente três espécies da palmeira: a Acrocomia aculeata, predominante nos cerrados do Brasil Central, a Acrocomia intumescens, que ocorre em áreas do Nordeste, e a Acrocomia totai, que aparece em áreas do Paraná, de São Paulo, do Mato Grosso do Sul e no Pantanal. O projeto vai se dedicar às duas primeiras, regiões onde a Acelen Renováveis sedia seus negócios, Bahia e norte de Minas Gerais, ampliando o interesse da empresa.
A macaúba já é objeto de estudos há algum tempo, pela Embrapa e outras organizações públicas de pesquisa, com avanços importantes que já foram alcançados. Segundo a pesquisadora Simone Favaro, da Embrapa Agroenergia, que coordenará o projeto, havia uma barreira quando se pensava em plantios comerciais, na produção de mudas, com taxa de germinação natural das sementes baixíssima: de apenas 5% das sementes. “Um protocolo da UFV [Universidade Federal de Viçosa] resolveu isto. E hoje se consegue germinar até 95% das sementes”, comemora Favaro.
Entre tantos desafios, e obstáculos a atravessar, é desenvolver protocolos para viabilizar a obtenção de clones das melhores palmeiras para garantir que as lavouras sejam formadas apenas com plantas de alto rendimento, o que já acontece com a palmeira do dendê. Uma vez obtidas plantas de alto rendimento, para se implantar lavouras economicamente viáveis será preciso delinear sistemas de produção para a macaúba, definindo espaçamentos entre plantas, adubação, manejo de água e outros tratos culturais. Como é interesse da Acelen usar áreas semiáridas degradadas, o projeto pretende investigar também a possibilidade de implantação de sistemas de integração macaúba-lavouras e macaúba-pecuária.
“Mas, o óleo representa apenas de 10% a 20% do que a macaúba nos oferece. Os restantes 80% podem ser inúmeros coprodutos de alto valor agregado, como tortas de polpa e de amêndoa para produtos de alimentação e o endocarpo para geração de energia e biocarvões”. aponta Simone, que com “os óleos de polpa e de amêndoa, com propriedades distintas, além de combustíveis, podem ter inúmeras aplicações no segmento de alimentos, tanto como óleo de mesa, como na manufatura de chocolate, sorvetes, recheios e margarinas”.
Podem ser usados na produção de xampus, hidratantes, sabonetes e maquiagens. E podem ser usados na produção de tintas, vernizes e lubrificantes. A polpa e a amêndoa podem ainda ser usadas em rações animais e farinhas para alimentação humana. A casca pode gerar energia térmica, o endocarpo (o coquinho) pode ser transformado em carvão ativado para filtros e biochar (uso em melhoria dos solos e captura de carbono) e os efluentes industriais podem produzir biogás e fertilizantes. “Há um longo caminho pela frente”, sinaliza Favaro. “O desenvolvimento agroindustrial da macaúba está apenas no seu início”, finaliza a pesquisadora da Embrapa Agroenergia.
Com informações da Assessoria (Embrapa Agroenergia)
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